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Robô aquático que buscava restos de antigo naufrágio na Antártida faz descoberta surpreendente sob 200 metros de gelo

Publicado em 14/03/2026 às 13:27
Robô, Naufrágio, Ninho de Peixes
Padrões de ninhos de criontotenioides, do canto superior esquerdo para o canto inferior direito: ninhos em aglomerado, crescente, linear, oval, em forma de U agudo e singular — Foto: Russell B. Connelly et al.
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Descoberta de ninhos gigantes de peixe-rocha surpreende cientistas no Mar de Weddell e revela colônia organizada sob gelo antártico

No remoto Mar de Weddell, na Antártida, cientistas encontraram uma enorme colônia de ninhos de peixes escondida sob uma plataforma de gelo de 200 metros. A descoberta ocorreu durante uma expedição de 2019 e revelou um fenômeno incomum no ecossistema antártico.

Ninhos de peixes revelados sob 200 metros de gelo por robô aquático

A descoberta ocorreu no extremo oeste do Mar de Weddell, uma das regiões mais isoladas e hostis da Antártida.

Pesquisadores investigavam a área em busca de vestígios do navio Endurance, do explorador Ernest Shackleton, que naufragou em 1915.

Sob uma antiga plataforma de gelo com cerca de 200 metros de espessura, cientistas encontraram milhares de ninhos de peixes dispostos em padrões geométricos surpreendentes.

As estruturas circulares formavam agrupamentos que lembravam bairros organizados no fundo do mar.

A descoberta foi confirmada com o uso de um robô aquático. O equipamento registrou imagens detalhadas que mostraram uma vasta colônia de peixes vivendo e reproduzindo na região.

Os detalhes do achado foram descritos em um estudo publicado na revista científica Frontiers in Marine Science.

Expedição abriu caminho após iceberg A68

A descoberta aconteceu durante a Expedição ao Mar de Weddell de 2019. A missão científica foi organizada após o desprendimento do iceberg A68, ocorrido em 2017.

O iceberg possuía cerca de 5.800 km² e se separou da plataforma de gelo Larsen C. O evento abriu um corredor natural que permitiu pesquisas em áreas anteriormente inacessíveis da Antártida.

A equipe científica operava a bordo do navio de pesquisa polar SA Agulhas II. Durante a expedição, foram utilizados veículos subaquáticos autônomos, conhecidos como AUVs, e também um robô operado remotamente.

Enquanto os equipamentos mapeavam o fundo marinho em busca do Endurance, imagens de alta definição revelaram mais de mil ninhos de peixes circulares no leito oceânico.

Cada ninho havia sido cuidadosamente limpo de uma espessa camada de detritos de plâncton.

Organização da colônia chamou atenção dos cientistas

Os ninhos de peixes não estavam distribuídos de forma aleatória. As estruturas seguiam padrões com curvas, agrupamentos e áreas densamente povoadas.

Os responsáveis pela construção desses ninhos eram peixes da espécie notie-de-barbatana-amarela, cientificamente chamada Lindbergichthys nudifrons. O animal também é conhecido como peixe-rocha.

Cada ninho parecia ser protegido por um dos pais. O peixe permanecia sobre os ovos, afastando possíveis predadores e mantendo o local limpo.

Os cientistas avaliam que esse padrão de organização pode representar uma estratégia coletiva de sobrevivência dentro do ambiente antártico.

Estratégia de grupo pode explicar o padrão

Pesquisadores associam o comportamento observado à chamada teoria do “rebanho egoísta”. Nesse modelo, indivíduos posicionados no centro de um grupo tendem a obter maior proteção contra predadores.

Já os animais localizados nas bordas costumam ser maiores e mais fortes, defendendo suas posições com mais intensidade.

A distribuição dos ninhos de peixes pode refletir exatamente esse tipo de estratégia de proteção coletiva, que equilibra cooperação e autopreservação.

Descoberta do robô reforça importância de proteger o Mar de Weddell

Embora a missão de 2019 não tenha encontrado o Endurance, o navio foi localizado apenas em 2022, a 3.008 metros de profundidade. Ainda assim, a expedição gerou um dos registros ecológicos mais fascinantes da Antártida.

O desprendimento do iceberg A68 expôs áreas que estavam cobertas por gelo durante milênios. Isso permitiu observar um ecossistema que antes permanecia completamente oculto.

A região onde os ninhos de peixes foram encontrados é classificada como Ecossistema Marinho Vulnerável. Esse tipo de ambiente é considerado delicado e essencial para a biodiversidade local.

Segundo cientistas, as novas evidências reforçam a necessidade de transformar o espaço em uma Área Marinha Protegida no Mar de Weddell.

A proposta já vinha sendo discutida por organismos internacionais. Para os pesquisadores, proteger a região significa preservar não apenas pinguins e focas, mas também esses berçários subaquáticos que sustentam toda a cadeia alimentar antártica.

O estudo destaca que esse ambiente ainda guarda muitos mistérios, e que novas pesqusias poderão revelar mais segredos sobre a vida sob o gelo antártico.

Com informações de Revista Galileu.

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Romário Pereira de Carvalho

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