Picape elétrica da Isuzu chega ao mercado europeu com foco em trabalho pesado, tração integral permanente e números que a colocam no mesmo território da Hilux, em uma fase em que a eletrificação começa a avançar também sobre veículos voltados a carga, reboque e uso fora de estrada.
A Isuzu colocou a D-Max EV no centro da disputa entre as picapes médias ao apresentar uma configuração elétrica que preserva justamente os números mais sensíveis para esse tipo de veículo: tração integral permanente, capacidade útil acima de 1 tonelada e reboque de até 3,5 toneladas.
A estreia comercial no Reino Unido está prevista para 2026, depois do início da produção em massa na Tailândia e do envio das primeiras unidades com volante à esquerda para a Europa a partir do terceiro trimestre de 2025.
A comparação com a Toyota Hilux surge de forma direta porque a nova Isuzu entra no mesmo terreno das picapes de uso misto, voltadas tanto ao trabalho quanto ao uso fora de estrada.
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No mercado britânico, a Hilux segue com capacidade de carga entre 1.040 e 1.085 kg e reboque de até 3.500 kg, faixa que a D-Max EV tenta alcançar sem recorrer ao conjunto a diesel que domina o segmento há décadas.
Isuzu D-Max EV preserva capacidade de carga e reboque
Em vez de lançar uma picape elétrica orientada apenas ao ambiente urbano, a marca manteve a base de um veículo de trabalho e adaptou a ela um sistema com dois motores elétricos.

Na comunicação global da fabricante, a D-Max EV aparece com 140 kW de potência máxima, 325 Nm de torque, velocidade superior a 130 km/h e bateria de 66,9 kWh.
Já a página britânica do modelo informa uma calibração detalhada para aquele mercado, com 149,3 kW de potência combinada e 347,6 Nm de torque total, além de aceleração de 0 a 62 mph em 10,1 segundos.
Esse conjunto é apoiado por um sistema de e-Axles nos dois eixos, solução adotada para sustentar a tração 4×4 integral sem abandonar a proposta de uso severo.
A Isuzu também informa quatro níveis de frenagem regenerativa, modo Eco e recarga em corrente alternada de até 11 kW ou em corrente contínua de até 50 kW.
Na prática, a fabricante fala em cerca de 10 horas para carregar de 0% a 100% em AC e aproximadamente 1 hora para ir de 20% a 80% em DC, números compatíveis com uma rotina mais planejada de uso profissional.
A autonomia oficial ajuda a delimitar com clareza o papel da picape.
A marca divulga 263 km no ciclo WLTP e 361 km no modo urbano WLTP City, sem vender a ideia de longas travessias improvisadas.
A proposta, ao menos neste primeiro momento, é atender operações com percurso previsível, frota técnica e tarefas em que carga, reboque e tração têm mais peso do que recordes de alcance.
Picape elétrica 4×4 mira uso profissional e fora de estrada
Os dados de uso pesado são o principal argumento da D-Max EV.

Na ficha global, a Isuzu informa carga útil máxima de 1.010 kg e reboque de 3.500 kg, exatamente os dois números que costumam definir a credibilidade de uma picape média em aplicações comerciais.
No material britânico, a empresa reforça que o modelo entrega mais de 1.000 kg de payload, com a mesma meta de preservar a funcionalidade das versões movidas a diesel.
Fora do asfalto, a fabricante também sustenta a proposta com medidas típicas do segmento.
A página oficial da D-Max EV no Reino Unido informa 210 mm de vão livre do solo, 600 mm de capacidade de travessia em água, ângulo de ataque de 30,5 graus e ângulo de saída de 24,2 graus.
Em outra comunicação ao mercado britânico, a Isuzu repete esses dados ao apresentar o modelo como uma elétrica de trabalho, e não apenas como vitrine tecnológica.
A engenharia da suspensão ajuda a explicar esse discurso.
A Isuzu afirma que trocou o feixe de molas traseiro por um sistema De-Dion, solução usada para melhorar comportamento dinâmico e refino sem abrir mão da aptidão para carga.
Na apresentação britânica, a marca diz que a nova configuração contribui para reduzir ruído e vibração e tornar a picape mais estável, especialmente em uso diário.
Tecnologia da Isuzu D-Max EV aposta em eficiência e conforto
A oferta prevista para o Reino Unido também mostra que a D-Max EV não deve chegar como versão básica de transição.

Segundo a Isuzu UK, a picape será vendida em variantes equivalentes às atuais DL40 e V-Cross, que estão entre os acabamentos mais altos da linha D-Max naquele mercado.
Isso indica uma estratégia de posicionamento que combina apelo comercial e pacote mais amplo de conveniência, ainda que o principal discurso continue centrado em capacidade operacional.
O cronograma industrial já é um dos sinais mais concretos dessa ofensiva.
A Isuzu anunciou em 29 de abril de 2025 o início da produção em massa da D-Max EV na Tailândia.
Na mesma ocasião, confirmou o embarque das unidades com volante à esquerda para mercados europeus no terceiro trimestre de 2025 e informou que a produção da versão com volante à direita começaria no fim daquele ano, com vendas no Reino Unido a partir de 2026.
Em comunicado posterior, a subsidiária britânica acrescentou que as primeiras entregas com volante à direita estão previstas para fevereiro de 2026.
A fase de validação fora do ambiente de lançamento também já começou.
A Isuzu UK confirmou uma parceria com a National Grid Electricity Distribution para testar a D-Max EV com profissionais de campo antes da chegada ao cliente final.
Segundo a empresa, oito engenheiros estão usando a picape em regiões da Midlands, do sul do País de Gales e do sudoeste da Inglaterra, em rotinas que incluem terreno difícil, deslocamentos fora de rota e transporte de equipamentos de trabalho.
Esse tipo de teste ajuda a dar peso ao projeto em um segmento que ainda trata a eletrificação com cautela.
O mercado já assimilou motores elétricos em hatches, sedãs e SUVs, mas continua mais resistente quando a conversa envolve picapes médias com demanda real de carga, reboque e uso severo.
Ao manter a combinação de 1 tonelada de carga útil, 3,5 toneladas de reboque e tração 4×4 integral, a Isuzu tenta demonstrar que a mudança de propulsão não precisa desmontar a lógica que transformou a Hilux e outros modelos equivalentes em referência global entre utilitários médios.

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