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Restauradores retiram telas do século XVIII durante obra no Palácio do Grão-Mestre, em Malta, e encontram afrescos de 400 anos escondidos no alto das paredes, com putti, colunas dóricas, cruzes e brasões preservados desde o governo de Alof de Wignacourt em Valeta

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 31/07/2026 às 15:21
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Remoção de telas históricas durante uma restauração revelou pinturas murais preservadas em uma área elevada do Palácio do Grão-Mestre, em Valeta, expondo símbolos, figuras decorativas e marcas heráldicas ligadas a diferentes períodos da presença da Ordem de São João em Malta.

Durante a retirada de telas do início do século XVIII, a equipe responsável pela restauração do Palácio do Grão-Mestre, em Valeta, encontrou um ciclo de afrescos que permanecia escondido havia séculos nas partes mais altas das paredes.

Datadas de aproximadamente 400 anos, as pinturas apareceram no antigo quarto usado pelos grão-mestres durante os meses de verão e revelaram figuras decorativas, colunas, cruzes e símbolos heráldicos diretamente relacionados à história política e religiosa do edifício.

Afrescos de 400 anos ligados a Alof de Wignacourt

Ao remover as telas para conservação, os restauradores abriram acesso a uma sequência de pinturas murais que não fazia parte do percurso visual conhecido do palácio, embora relatos transmitidos oralmente já mencionassem a possível existência daquela decoração.

Segundo a Heritage Malta, agência responsável pelo edifício e pelo projeto de restauração realizado no local, os afrescos remontam ao período em que Alof de Wignacourt comandou a Ordem de São João, entre 1601 e 1622.

A presença repetida do brasão do grão-mestre nas composições fornece o principal elemento usado pelos especialistas para sustentar essa datação, conectando o conjunto recém-revelado ao início do século XVII e ao período de governo de Wignacourt.

Distribuídas ao longo da faixa superior das paredes, as cenas aparecem separadas por pares de colunas dóricas pintadas, enquanto cada trecho apresenta um putto posicionado sobre uma balaustrada e carregando diferentes objetos de valor simbólico.

Entre os elementos representados aparecem a cruz de oito pontas associada à Ordem de São João, uma coroa, uma cruz e uma flor-de-lis, reunidos em uma sequência que combina ornamentação, identidade institucional e referências heráldicas.

Brasões revelam diferentes fases da decoração

Afrescos de 400 anos são revelados no Palácio do Grão-Mestre, em Malta, após retirada de telas históricas durante restauração do local.
Afrescos de 400 anos são revelados no Palácio do Grão-Mestre, em Malta, após retirada de telas históricas durante restauração do local.

Em vez de formar imagens isoladas, o conjunto segue um programa decorativo planejado para acompanhar todo o ambiente, com colunas que dividem os painéis e figuras que conduzem o olhar entre símbolos ligados aos antigos ocupantes do palácio.

Além da camada associada a Wignacourt, a decoração registra uma intervenção posterior realizada durante o governo de Jean Paul Lascaris de Castellar, responsável pela Ordem de São João entre 1636 e 1657, em outro momento histórico.

Na parte inferior, alterações desse segundo período acrescentaram o brasão de Lascaris sobre um fundo decorativo distinto, criando uma sobreposição visual que permite reconhecer duas fases históricas preservadas dentro do mesmo cômodo histórico do palácio.

Enquanto o núcleo mais antigo permanece ligado a Wignacourt, a inclusão posterior do brasão de Lascaris mostra que o espaço continuou sendo adaptado por seus ocupantes sem que toda a composição anterior fosse destruída durante as mudanças.

Instaladas diante dos afrescos, as telas do começo do século XVIII mantiveram a decoração anterior fora do campo de visão durante gerações e, ao mesmo tempo, contribuíram para que parte das pinturas permanecesse preservada naquele ambiente.

Quando essas obras foram retiradas para conservação, a equipe voltou a enxergar uma decoração produzida cerca de um século antes, até então conhecida apenas por tradição oral e escondida no ponto mais alto do quarto de verão.

Possível ligação com o pintor Leonello Spada

Embora a descoberta tenha ampliado o conhecimento sobre o palácio, a autoria dos afrescos ainda não foi estabelecida, e a Heritage Malta registrou apenas uma possível ligação com o pintor italiano Leonello Spada, nascido em 1576.

Essa associação surgiu porque Spada participou da decoração de outros três cômodos do palácio durante o governo de Wignacourt, vínculo histórico que aproxima o artista daquele período, mas não permite tratá-lo como autor confirmado das pinturas.

Inserido no ambiente artístico italiano do início do século XVII, Leonello Spada ganhou relevância para os estudos do conjunto porque sua presença documentada no palácio oferece um ponto de comparação para futuras análises técnicas e estilísticas.

Para esclarecer quem executou cada parte, os especialistas dependem da leitura de materiais, técnicas, características visuais e documentos históricos, processo detalhado que exige cautela para evitar atribuições definitivas sem base técnica suficientemente comprovada e publicamente verificável.

Conservação dos afrescos escondidos

Diante do estado das obras, a Heritage Malta iniciou medidas de estabilização e conservação destinadas a manter as camadas pintadas aderidas ao suporte e reduzir o risco de perdas durante a continuidade dos trabalhos executados no local.

Afrescos de 400 anos são revelados no Palácio do Grão-Mestre, em Malta, após retirada de telas históricas durante restauração do local.
Afrescos de 400 anos são revelados no Palácio do Grão-Mestre, em Malta, após retirada de telas históricas durante restauração do local.

Como ocupam a faixa superior das paredes, os afrescos permanecem integrados à arquitetura do quarto, posição que ajuda a explicar por que as telas posteriores conseguiram ocultá-los sem eliminar completamente as imagens mais antigas da decoração.

Esse arranjo revela como reformas sucessivas podem alterar profundamente a leitura de um edifício histórico, pois visitantes diante das telas do século XVIII não tinham acesso à decoração anterior preservada praticamente no mesmo espaço físico.

Palácio do Grão-Mestre integra patrimônio de Valeta

Localizado no centro de Valeta, o Palácio do Grão-Mestre integra o patrimônio administrado pela Heritage Malta e ainda abriga espaços ligados à Presidência de Malta, reunindo funções institucionais e valor histórico dentro do mesmo edifício.

Por essa razão, as intervenções de conservação fazem parte de um trabalho amplo, voltado não apenas à preservação artística, mas também à manutenção de uma construção que continua desempenhando papel relevante na vida pública do país.

A revelação ocorreu dentro do mais extenso projeto conduzido pela agência no período em que o achado foi anunciado, com uma restauração total orçada pela instituição em aproximadamente 28 milhões de euros para todo o conjunto.

Uma etapa inicial recebeu cofinanciamento da União Europeia por meio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquanto a fase posterior foi financiada pelo governo maltês, segundo as informações oficiais divulgadas pela Heritage Malta sobre o projeto.

Apesar da dimensão do investimento, foi uma ação específica sobre as telas que abriu acesso às pinturas murais e permitiu recuperar visualmente um conjunto anterior preservado atrás de obras mais recentes instaladas naquele mesmo espaço.

Símbolos da Ordem de São João

Ao comparar os elementos revelados, os especialistas conseguem distinguir diferentes momentos da decoração, pois o brasão de Wignacourt conecta o ciclo ao início do século XVII, enquanto a marca de Lascaris registra uma atualização realizada posteriormente.

Cruz de oito pontas, coroas, cruzes menores e flores-de-lis não aparecem apenas como ornamentos, mas compõem uma linguagem visual relacionada ao poder dos grão-mestres e à presença da Ordem de São João em território maltês.

Representados de pé sobre balaustradas, os putti introduzem figuras humanas na sequência e conduzem o olhar entre os símbolos, enquanto os pares de colunas dóricas simulam uma estrutura arquitetônica e organizam cada cena dentro do conjunto.

Com a continuidade da conservação, será possível acompanhar as condições das pinturas e preservar os trechos sobreviventes, mantendo como prioridade técnica a estabilização das superfícies e o registro detalhado de tudo o que foi encontrado.

Quantas outras pinturas ainda podem permanecer escondidas atrás de telas, revestimentos e reformas em palácios históricos que continuam em uso, longe dos olhos de visitantes, pesquisadores e equipes responsáveis pela preservação desses edifícios ao redor do mundo?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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