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Reduc muda de perfil: refinaria de 65 anos passa a produzir SAF e Diesel R com conteúdo renovável em Duque de Caxias

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 01/10/2026 às 15:52 Atualizado em 01/10/2026 às 16:44
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Reduc muda de perfil: refinaria de 65 anos passa a produzir SAF e Diesel R com conteúdo renovável em Duque de Caxias
Petrobras já produziu 3,8 milhões de litros de SAF na unidade e prevê US$ 402 milhões em projetos ligados a combustíveis renováveis até 2030.
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Petrobras já produziu 3,8 milhões de litros de SAF na unidade e prevê US$ 402 milhões em projetos ligados a combustíveis renováveis até 2030.

A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), uma das unidades mais tradicionais da Petrobras, começa a assumir um novo papel dentro da estratégia energética brasileira. Inaugurada em 1961 e durante décadas dedicada principalmente ao processamento de petróleo, a refinaria agora também está preparada para fabricar combustíveis com parcela renovável.

A mudança já deixou de ser apenas um projeto futuro. A unidade recebeu certificação internacional para produzir combustível sustentável de aviação, o SAF, destinado inclusive ao mercado internacional, e também obteve autorização para fabricar Diesel R com até 8,5% de conteúdo renovável.

Refinaria de 65 anos começa a incorporar matérias-primas renováveis

A transformação acontece sem que a Reduc abandone o petróleo. A estratégia da Petrobras consiste em aproveitar parte da infraestrutura existente para realizar o chamado coprocessamento, no qual matérias-primas renováveis são inseridas junto às correntes tradicionais da refinaria.

Na prática, isso permite começar a reduzir a participação do carbono fóssil em alguns produtos sem esperar pela construção de novas biorrefinarias. A Reduc continua produzindo diesel, gasolina, querosene de aviação, GLP, coque e outros derivados, mas passa a acrescentar uma nova frente ao seu portfólio.

SAF já saiu das unidades da Reduc

Em 2026, a Petrobras informou a produção e comercialização de um lote de aproximadamente 3,8 milhões de litros de SAF, equivalente a 3.800 metros cúbicos, fabricado na Refinaria Duque de Caxias.

A produção utilizou óleo de soja certificado como matéria-prima renovável. Esse insumo foi processado em conjunto com correntes utilizadas na fabricação convencional de querosene de aviação, permitindo obter um combustível com fração renovável sem necessidade de criar uma cadeia logística completamente separada.

Reduc se torna a primeira refinaria da Petrobras certificada para esse mercado

Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, em operação durante a noite. A unidade passa por uma transformação de perfil e já produz SAF e Diesel R com conteúdo renovável. Foto: Divulgação/Petrobras.
Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, em operação durante a noite. A unidade passa por uma transformação de perfil e já produz SAF e Diesel R com conteúdo renovável. Foto: Divulgação/Petrobras.

Um dos principais marcos foi a conquista da certificação ISCC CORSIA, ligada aos critérios internacionais de sustentabilidade utilizados no setor de aviação. Com isso, a Reduc tornou-se a primeira refinaria da Petrobras habilitada nesse modelo para fornecer SAF ao mercado internacional.

A certificação exige rastreabilidade das matérias-primas e comprovação de requisitos ambientais. No caso do óleo vegetal utilizado, a Petrobras afirma que os critérios procuram evitar matérias-primas associadas a desmatamento recente ou expansão inadequada de áreas agrícolas.

Combustível ainda não é 100% renovável

Apesar do avanço, o produto fabricado atualmente na Reduc não deve ser confundido com um combustível de aviação integralmente renovável. O processo utilizado é de coprocessamento, no qual uma parcela renovável é incorporada durante o refino junto ao componente de origem fóssil.

As primeiras produções operaram com porcentagens relativamente pequenas de matéria-prima renovável. A importância industrial está justamente em demonstrar que uma refinaria tradicional pode começar a inserir biocombustíveis em sua estrutura sem precisar interromper a produção convencional.

Diesel R chega a 8,5% de conteúdo renovável

A outra mudança importante envolve o diesel. Em agosto de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Reduc a produzir Diesel R com 8,5% de conteúdo renovável.

Esse percentual representa um avanço em relação aos testes anteriores. Em 2023, a unidade havia realizado campanhas de produção utilizando cerca de 5% de conteúdo renovável, servindo como etapa para verificar comportamento dos equipamentos, estabilidade operacional e qualidade do combustível final.

Diesel R não é o mesmo produto que biodiesel

Embora os dois combustíveis tenham componentes renováveis, o processo industrial é diferente. O biodiesel convencional é fabricado separadamente e posteriormente misturado ao diesel comercial conforme os percentuais definidos pela regulamentação brasileira.

No Diesel R, a fração renovável é criada dentro da própria refinaria. Óleos vegetais ou gorduras podem passar pelas unidades de hidrotratamento, reagindo com hidrogênio e catalisadores para gerar componentes renováveis com características semelhantes às moléculas encontradas no diesel mineral.

Petrobras prevê US$ 402 milhões para SAF e Diesel R

A mudança de perfil da Reduc também está associada a novos investimentos. Dentro dos projetos previstos para a refinaria, cerca de US$ 402 milhões deverão ser direcionados especificamente a iniciativas relacionadas ao SAF e ao Diesel R.

O valor faz parte de uma transformação muito maior. A Petrobras prevê aproximadamente US$ 4,6 bilhões em investimentos na Reduc entre 2026 e 2030, envolvendo modernização de unidades, aumento de eficiência, segurança energética e adaptação da infraestrutura.

Uma das maiores refinarias do Brasil continuará produzindo petróleo

A Reduc ocupa uma área de aproximadamente 13 quilômetros quadrados e possui capacidade instalada próxima de 239 mil barris de petróleo por dia. São dezenas de unidades de processamento responsáveis por uma ampla variedade de combustíveis e matérias-primas industriais.

Por isso, a mudança não significa o abandono dos derivados fósseis. O movimento indica uma estratégia gradual: utilizar uma estrutura construída para o petróleo também como plataforma para desenvolver e aumentar a produção de combustíveis com menor participação fóssil.

Transição da Reduc pode antecipar um movimento maior no refino brasileiro

A Petrobras pretende levar processos semelhantes para outras refinarias e, ao mesmo tempo, desenvolver plantas dedicadas a biocombustíveis. Unidades como Replan, Revap e Regap aparecem dentro dos planos de expansão do coprocessamento de matérias-primas renováveis.

A Refinaria Duque de Caxias, entretanto, já funciona como uma das primeiras vitrines dessa transição. Uma instalação que começou a operar há 65 anos para sustentar a expansão do petróleo brasileiro passa agora a demonstrar como estruturas tradicionais podem ser adaptadas para atender um mercado que exige combustíveis com participação crescente de fontes renováveis.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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