Pequeno anfíbio da América do Norte enfrenta meses de congelamento, interrompe respiração e batimentos cardíacos e recupera suas funções quando as temperaturas aumentam.
Uma das estratégias de sobrevivência mais impressionantes do reino animal ocorre durante os invernos rigorosos da América do Norte.
O National Park Service dos Estados Unidos explica que o anfíbio fica rígido enquanto parte da água corporal congela.
-
Polvos conseguem resolver problemas, abrir potes e surpreender cientistas, mas alteração microscópica no RNA descoberta por acaso pode revelar uma peça inesperada por trás da evolução de sua inteligência extraordinária
-
Aos 13 anos, menino transforma cera em joias de ouro, aprende a trabalhar com diamantes raros, cria peças de até R$ 90 mil e chega ao tapete vermelho com celebridades
-
Jararaca-verde da Amazônia vive no alto das árvores, desaparece entre as folhas, caça no escuro com sensores de calor e possui veneno potente
-
Paciente perde a visão de um dos olhos após passar por cirurgia estética, leva caso à Justiça e médico responsável pelo procedimento acaba condenado a pagar indenização
Pesquisas realizadas desde a década de 1980 mostram que a glicose liberada pelo fígado ajuda a proteger células e tecidos contra os efeitos do congelamento.
O fenômeno não significa que a rã literalmente morra e ressuscite. Na realidade, trata-se de uma extraordinária adaptação fisiológica conhecida como tolerância ao congelamento.
Congelamento transforma completamente o funcionamento do organismo
A transformação começa quando as temperaturas diminuem e cristais de gelo passam a se formar no organismo da rã-da-madeira.
O gelo ocupa principalmente os espaços externos às células, enquanto mecanismos bioquímicos ajudam a preservar suas estruturas internas.
Durante esse período, a respiração é interrompida e o coração deixa de apresentar batimentos.
O metabolismo também sofre uma redução extrema, permitindo que o pequeno anfíbio permaneça praticamente imóvel durante o período de congelamento.
Segundo o National Park Service, essa estratégia permite ao animal enfrentar condições que seriam fatais para inúmeras outras espécies.

Fígado libera glicose para proteger células contra o gelo
O segredo dessa resistência está diretamente relacionado ao funcionamento do fígado e ao armazenamento de glicogênio.
Os primeiros sinais de congelamento estimulam a transformação desse glicogênio em grandes quantidades de glicose.
O açúcar é distribuído pelo organismo e funciona como crioprotetor natural, ajudando a limitar danos provocados pela desidratação celular.
Uma pesquisa publicada em 1987 no American Journal of Physiology identificou concentrações elevadas de glicose nos tecidos durante episódios de congelamento.
Outro estudo, publicado em 1993, reforçou a relação entre concentrações maiores de glicose e uma tolerância superior às baixas temperaturas.
A preservação das células permite que a rã-da-madeira suporte longos períodos congelada sem sofrer os danos normalmente associados à formação de gelo.
Coração volta a bater durante o descongelamento
A recuperação começa quando as temperaturas aumentam e o organismo inicia gradualmente o processo de descongelamento.
Pesquisadores acompanharam esse mecanismo em um estudo publicado em 1989, observando o comportamento cardíaco durante diferentes fases.
O coração deixou de bater próximo da conclusão do congelamento.
Durante o degelo, porém, os batimentos cardíacos retornaram espontaneamente, antes da recuperação completa das demais funções.
Uma pesquisa publicada em 1991 também identificou a atividade cardíaca como uma das primeiras funções fisiológicas restabelecidas.
A respiração e os reflexos das pernas apareceram posteriormente.
O National Park Service descreve uma sequência semelhante, na qual o coração retorna antes da atividade cerebral completa e dos movimentos das extremidades.
Rãs permaneceram congeladas durante meses no Alasca
A capacidade de sobreviver ao congelamento também foi observada em animais vivendo naturalmente sob condições extremas.
Um estudo divulgado em 2014 acompanhou rãs-da-madeira durante o inverno no interior do Alasca.
Os animais permaneceram congelados durante 193 dias consecutivos, em média.
Todos os 18 indivíduos monitorados sobreviveram ao período observado.
Uma pesquisa publicada em 2016 mostrou ainda que populações selvagens conseguem permanecer congeladas durante até sete meses.
As temperaturas enfrentadas pelos anfíbios chegaram a níveis inferiores a -18 °C durante o período analisado.
Esses resultados demonstram que o congelamento não representa uma morte seguida de ressurreição, apesar da aparência impressionante do fenômeno.
Estratégia natural desperta interesse de pesquisadores
A capacidade da rã-da-madeira também chama atenção por suas possíveis aplicações em diferentes áreas da pesquisa biomédica.
Segundo o National Park Service, compreender esses mecanismos pode contribuir para estudos relacionados à preservação e ao descongelamento de órgãos destinados a transplantes.
Pesquisadores também investigam como os tecidos enfrentam períodos prolongados com circulação interrompida e posteriormente recuperam suas funções.
A glicose utilizada naturalmente pelo anfíbio representa uma das principais peças desse complexo mecanismo de proteção celular.
A observação desse processo continua fornecendo informações importantes para estudos sobre criobiologia, fisiologia animal e preservação de tecidos.
Fenômeno mostra uma adaptação extrema ao inverno
A rã-da-madeira desenvolveu uma estratégia que permite enfrentar condições ambientais extremamente rigorosas sem abandonar seu habitat durante o inverno.
Congelamento corporal, coração parado, ausência temporária de respiração e proteção celular pela glicose fazem parte do mesmo mecanismo de sobrevivência.
A chegada de temperaturas mais altas permite que o organismo descongele e retome progressivamente suas funções fisiológicas.
O fenômeno permanece como um exemplo extraordinário de adaptação natural e continua despertando interesse científico pelas particularidades de sua fisiologia.
O que mais chama sua atenção na rã-da-madeira: conseguir passar meses congelada ou ter o coração parado e voltar à atividade durante o degelo? Deixe sua opinião!

