Louis Bernicot deixou Carantec em 1936 no pequeno Anahita, completou 32.010 milhas náuticas e terá sua trajetória lembrada no mesmo porto 90 anos depois.
A partida ocorreu em 22 de agosto de 1936, em Carantec, no norte da Bretanha, na França.
O marinheiro aposentado navegava no Anahita, um cotre de madeira projetado para ser conduzido por apenas uma pessoa.
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A jornada terminou após 21 meses e nove dias, com 32.010 milhas náuticas percorridas, equivalentes a aproximadamente 59 mil quilômetros.
Bernicot realizou apenas 14 escalas curtas durante toda a circunavegação.
O feito colocou o francês entre os primeiros navegadores solitários a completar uma volta ao mundo.
Aposentadoria aos 50 anos levou marinheiro para fazenda de 40 hectares
Louis Bernicot nasceu em 13 de dezembro de 1883 e cresceu em uma família diretamente ligada à navegação.
Filho e neto de pilotos, ele teve contato com o mar desde cedo.
Sua carreira marítima começou aos 18 anos, quando embarcou como timoneiro.
Bernicot conquistou o brevet de capitão de longo curso em 1909.
Sua trajetória profissional também incluiu anos de trabalho em uma companhia transatlântica.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o marinheiro transportou munições.
Bernicot também participou da organização de agências marítimas nos Estados Unidos e no Caribe.
A aposentadoria chegou em 1934, aos 50 anos.
O francês passou então a viver em uma propriedade rural de aproximadamente 40 hectares.
A rotina em terra, porém, não substituiu a vida construída durante décadas no oceano.
Anahita tinha apenas 12,5 metros e 10 toneladas
Bernicot decidiu projetar uma embarcação destinada especialmente à navegação solitária.
O barco foi construído em um estaleiro local e recebeu o nome Anahita.
A embarcação pesava aproximadamente 10 toneladas e tinha 12,5 metros de comprimento.
O cotre também possuía 3,5 metros de boca e cerca de 1,7 metro de calado.
O nome escolhido fazia referência a Anahita, divindade associada às águas na mitologia persa.
O veleiro foi lançado no início de agosto de 1936.
Pouco mais de 20 dias depois, Bernicot já estava navegando sozinho em direção ao desconhecido.
Viagem passou por Mar del Plata, Terra do Fogo, Taiti e África
A primeira etapa levou Bernicot até a Madeira.
O navegador chegou a Mar del Plata em dezembro de 1936.
A travessia pelo Estreito de Magalhães ocorreu em janeiro de 1937.
Um dos episódios mais perigosos aconteceu próximo à Terra do Fogo.
O Anahita quase virou, mas conseguiu resistir às condições adversas.
A rota continuou pela Ilha de Páscoa e pelo Taiti.
Bernicot realizou no Taiti uma mudança importante no veleiro, deslocando o mastro cerca de 25 centímetros para frente.
O percurso também incluiu Estreito de Torres, Ilhas Cocos, Maurício, Durban e Cidade do Cabo.
Os Açores fizeram parte das etapas finais antes da conclusão da viagem.
Circunavegação terminou após 21 meses e 59 mil quilômetros
Bernicot completou a viagem em 30 de maio de 1938.
O percurso totalizou 32.010 milhas náuticas, aproximadamente 59 mil quilômetros.
A média alcançada foi de cerca de 77 milhas náuticas por dia.
O navegador completou toda a aventura com apenas 14 escalas durante os 21 meses e nove dias de viagem.
Bernicot tornou-se o segundo francês e, segundo a contagem apresentada pelos responsáveis pela homenagem, o quinto navegador solitário do mundo a completar uma circunavegação.
O francês publicou sua experiência em 1939, no livro La croisière d’Anahita.
A obra apresentou aspectos técnicos da viagem, incluindo problemas de leme, velas danificadas e períodos reduzidos de descanso.
Marinheiro voltou para a fazenda depois da volta ao mundo
Bernicot retornou à propriedade rural depois da circunavegação.
O navegador ainda realizou algumas viagens marítimas posteriormente.
Uma dessas jornadas ocorreu em direção ao Marrocos após a Segunda Guerra Mundial.
Nenhuma nova volta ao mundo, porém, foi tentada.
Louis Bernicot morreu em 29 de novembro de 1952, aos 68 anos.
O Anahita passou posteriormente por diferentes proprietários e acabou deixando de navegar.
Carantec prepara homenagem 90 anos depois da histórica partida
A história voltará ao ponto de partida em 22 de agosto de 2026, exatamente 90 anos depois da saída de Bernicot.
A Carantec Culture e a prefeitura organizaram uma programação para recordar o navegador.
As atividades começam às 14h, com um encontro de veleiros antigos no porto.
A programação também contará com 20 músicos tocando gaitas de fole no cais.
Uma exposição será aberta no próprio estaleiro onde o Anahita foi construído em 1936.
A inauguração de um painel dedicado ao marinheiro está prevista para 18h, com presença de integrantes da família.
Noventa anos depois, o mesmo porto de onde Bernicot saiu sozinho em um barco de 12,5 metros voltará a lembrar os 59 mil quilômetros daquela circunavegação.
O que mais chama sua atenção nessa história: enfrentar 59 mil quilômetros sozinho em um pequeno veleiro ou realizar tudo isso com a tecnologia disponível nos anos 1930? Deixe sua opinião!

