Moeda americana perde força global, real se valoriza e analistas projetam impactos do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro nos próximos meses
O dólar encerrou o pregão de 15 de setembro de 2025 cotado a R$ 5,322, o menor patamar em mais de um ano. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,30, consolidando uma queda acumulada de 14% no ano frente ao real, segundo dados do Banco Pine. Essa trajetória contrasta com dezembro de 2024, quando o dólar superou R$ 6 e acumulou alta de 27,3%. Mas afinal, por que o dólar está caindo?
Fatores globais explicam parte da desvalorização
O enfraquecimento da moeda americana é reflexo de condições externas. Desde julho de 2025, o Federal Reserve manteve juros entre 4,25% e 4,5% ao ano, nível considerado elevado para os Estados Unidos. Entretanto, dados recentes mostraram fraqueza no mercado de trabalho americano, ampliando a expectativa de cortes.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, 96% dos investidores esperam redução de 0,25 ponto percentual na reunião marcada para 17 de setembro. Apenas 4% projetam corte de 0,5 ponto. Para Nickolas Lobo, especialista da Nomad, um corte mais brando pode enfraquecer ainda mais o dólar globalmente, enquanto um discurso rígido poderia inverter a tendência.
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Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa do Banco Pine, afirma que metade da valorização do real se deve à fraqueza global do dólar. A outra metade está relacionada a fatores internos.
O diferencial de juros favorece o Brasil
Enquanto os Estados Unidos se preparam para cortar taxas, o Banco Central brasileiro mantém a Selic em 15% ao ano. Essa diferença amplia o chamado carry trade, que ocorre quando investidores captam recursos em países de juros baixos e aplicam em ativos de maior rendimento.
De acordo com Otávio Oliveira, gerente do Banco Daycoval, o fluxo de capitais aumenta a entrada de dólares no Brasil, amplia a oferta da moeda e valoriza o real. João Soares, sócio da Rio Negro Investimentos, destaca que a decisão do Banco Central de manter juros elevados por um período prolongado fortalece ainda mais essa atratividade.
Políticas comerciais e tensões locais influenciam o câmbio
Além do aspecto monetário, políticas internacionais também pressionam o dólar. O tarifaço de Donald Trump, anunciado em meados de 2025, contribuiu para a perda de valor da moeda americana. Ao mesmo tempo, a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos elevou a volatilidade cambial, acrescentando incertezas ao cenário.
Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, avalia que o valor justo do dólar estaria em torno de R$ 5. No entanto, especialistas alertam que tensões políticas e riscos fiscais internos podem limitar a valorização do real nos próximos meses.
O que esperar para os próximos meses
Se o corte de juros do Federal Reserve for confirmado em setembro, o dólar deve perder ainda mais espaço no cenário internacional. Com isso, o Brasil se mantém atrativo ao capital estrangeiro devido à Selic elevada, sustentando o fortalecimento do real.
Ainda assim, incertezas fiscais e disputas políticas internas podem provocar instabilidade cambial. Em resumo, o dólar está caindo porque enfrenta pressão global com expectativa de cortes nos Estados Unidos e fundamentos domésticos sólidos no Brasil, que incluem diferencial de juros, fluxo de capitais e redução do risco-país.
O que você acredita que será mais determinante para o câmbio nos próximos meses: as decisões do Federal Reserve ou os desafios internos da economia brasileira?

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