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Protestos no Irã levam a bloqueio de internet e jamming contra sinal da Starlink

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 14/01/2026 às 07:54
Bloqueio de internet no Irã atinge Starlink, intensifica censura digital iraniana e tenta conter protestos.
FOTO: IA
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O bloqueio de internet no Irã entrou em vigor na última quinta-feira (8), determinado pelo regime iraniano como resposta direta aos protestos no Irã que se espalham pelo país desde 28 de dezembro.

A medida foi aplicada em todo o território nacional, reduziu drasticamente a conectividade, atingiu serviços convencionais e até a Starlink no Irã, e reforçou a política de censura digital iraniana para conter a circulação de informações e imagens das manifestações.

Segundo o site NetBlocks, que monitora o funcionamento da internet globalmente, a conectividade iraniana caiu para cerca de 1% do nível normal.

O impacto afeta diretamente uma população de aproximadamente 85 milhões de pessoas, que passou a enfrentar dificuldades até para realizar comunicações básicas com o exterior.

Queda histórica da conectividade e isolamento do país

Além da interrupção quase total do acesso à internet, o bloqueio provocou um isolamento internacional temporário.

As ligações telefônicas internacionais também chegaram a ser suspensas, embora tenham sido parcialmente restabelecidas na terça-feira (13), de acordo com a agência Associated Press.

“Apesar de algumas chamadas telefônicas já estarem sendo completadas, não existe uma forma segura de comunicação, e o público em geral continua isolado do mundo exterior”, afirmou o NetBlocks.

Ainda assim, a navegação online segue severamente limitada, o que amplia o clima de incerteza dentro do país.

Um dos pontos que mais chamou atenção neste episódio de bloqueio de internet no Irã foi o impacto sobre a Starlink no Irã, serviço de internet via satélite que costuma funcionar mesmo em cenários de censura extrema.

De acordo com Amir Rashidi, diretor do Miaan Group, o regime passou a utilizar técnicas avançadas para interferir diretamente no sinal do serviço.

Para isso, o governo iraniano recorreu ao jamming de sinal satelital, utilizando jammers bloqueadores instalados próximos às antenas dos usuários.

Segundo Rashidi, nem mesmo o uso de VPNs tem sido suficiente para contornar a situação.

A Proton VPN informou que as sessões originadas no Irã estão diminuindo porque o regime desligou completamente a internet.

Como funciona o jamming de sinal satelital

Especialistas explicam que bloquear a internet via satélite é tecnicamente mais complexo do que interromper redes tradicionais.

Diferentemente das operadoras locais, empresas de satélite não precisam manter infraestrutura física dentro do país que emite a ordem de bloqueio.

O diretor de tecnologia da Sage Networks, Thiago Ayub, explica que a navegação enviada aos satélites retorna a bases terrestres que podem estar localizadas em outros países.

“Essa infraestrutura não pode estar longe do usuário.

Mas, como o Irã não é um país continental como o Brasil, empresas de satélite conseguem prover o acesso à internet sem bases terrestres no território iraniano”, afirma.

Diante disso, a alternativa adotada foi o jamming de sinal satelital

Técnica que consiste em gerar interferência nas mesmas frequências utilizadas por satélites e antenas dos usuários para embaralhar o sinal.

“Isso exige o emprego de muitas antenas de alta potência espalhadas pelo território”, explica Ayub. Segundo ele, o sucesso da estratégia indica investimento significativo em pesquisa e desenvolvimento por parte do governo iraniano.

Histórico da censura digital iraniana

Este é o terceiro grande bloqueio de internet no Irã registrado nos últimos anos.

O primeiro ocorreu em 2019, durante protestos contra o aumento do preço da gasolina.

O segundo foi em 2022, após a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade por supostamente não usar o véu islâmico de forma adequada.

Naquele momento, a Starlink no Irã se tornou uma das principais alternativas para manter a comunicação entre manifestantes e o exterior.

Desde então, a população passou a usar o serviço com mais frequência, mesmo sem autorização oficial no país, o que levou o governo iraniano a considerar ilegais as antenas da empresa de Elon Musk em seu território.

Estimativas indicam que dezenas de milhares de antenas da Starlink estejam atualmente no Irã.

Parte significativa delas vinha sendo utilizada para divulgar vídeos e fotos dos protestos no Irã, o que aumentou a pressão do regime para ampliar a censura digital iraniana.

Desde quinta-feira, houve uma perda média de 30% dos pacotes de dados transmitidos por dispositivos da Starlink, segundo Amir Rashidi.

Em algumas regiões, essa perda chega a 80%, evidenciando a eficácia do jamming de sinal satelital empregado.

Reação internacional ao bloqueio

A União Internacional de Telecomunicações, vinculada à Organização das Nações Unidas, solicitou formalmente que o Irã interrompa a interferência no sinal de internet via satélite.

Até o momento, o governo iraniano não sinalizou que pretende recuar.

Enquanto isso, o bloqueio reforça um padrão já conhecido. Em 2025, o regime acusou o WhatsApp de espionar usuários iranianos e colaborar com Israel.

A Meta negou as acusações e afirmou que apenas o remetente e o destinatário conseguem acessar as mensagens, que são protegidas por criptografia.

Impactos para a população e para os protestos no Irã

Com o bloqueio de internet no Irã, o acesso à informação tornou-se ainda mais restrito, dificultando a organização dos protestos no Irã e a divulgação internacional da repressão.

Por outro lado, a medida também intensifica a insatisfação popular, ao evidenciar o controle estatal sobre a comunicação digital.

Assim, o episódio atual não apenas expõe o alcance da censura digital iraniana

como também marca uma nova fase de confronto tecnológico entre o regime e as ferramentas digitais usadas pela população para romper o isolamento imposto pelo Estado.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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