Vanilma Karla, doutoranda e dona da isolada de Português e Redação que leva seu nome, e Anderson Henrique, apontado por especialistas como um dos engenheiros de inteligência artificial mais talentosos do país, assinam juntos uma plataforma feita em Pernambuco para estudantes de todo o Brasil.
RECIFE (PE) — Dois nomes que raramente se encontram na educação brasileira acabam de assinar o mesmo produto. De um lado, Vanilma Karla, doutoranda e responsável por uma das metodologias de redação mais reconhecidas de Pernambuco. Do outro, Anderson Henrique, engenheiro que passou mais de oito anos construindo sistemas de larga escala e arquiteturas de dados para clientes públicos e privados em diferentes continentes, com passagem pela Università Bocconi, na Itália. Juntos, lançam a Vanilma Karla Redação, plataforma de preparação para ENEM, vestibulares e concursos com suporte à Teoria de Resposta ao Item (TRI) e correção de redação com inteligência artificial integrada.
A dupla chega com um diagnóstico incômodo para boa parte do mercado de cursinhos.

“A nota do seu simulado provavelmente não significa nada”
A crítica é técnica, não retórica. O ENEM não corrige a prova por contagem simples de acertos: usa a TRI, modelo estatístico que pondera o desempenho de acordo com a dificuldade de cada questão e a coerência do padrão de respostas. Dois candidatos com o mesmo número de acertos podem terminar com notas bastante diferentes, dependendo de quais questões acertaram.
-
O mundo está deixando o copo de cerveja de lado: produção global cai para 189,6 bilhões de litros, fábricas fecham na Alemanha e Brasil surpreende ao crescer
-
O tempo perdido com tarefas financeiras ainda custa caro às pequenas e médias empresas
-
Adeus ao sonho de virar chefe? Entenda por que jovens da Geração Z e millennials estão recusando cargos de liderança, salários maiores e promoções para preservar equilíbrio, flexibilidade, propósito, saúde mental e uma rotina profissional com menos pressão
-
Anvisa acende alerta nacional e proíbe azeite San Oliveto e doces Fatti a Mano após identificar origem desconhecida, falha técnica e produção irregular
A maior parte dos simulados disponíveis ao estudante, no entanto, continua devolvendo um número simples: acertos sobre total.
“O aluno faz o simulado, vê ‘você acertou 62 questões’ e monta a estratégia da vida dele em cima disso”, diz Anderson Henrique. “Esse número não tem correspondência confiável com a nota que ele tiraria na prova real. Não é uma opinião pedagógica, é matemática. Entregar isso ao estudante sem avisar é, na melhor das hipóteses, descuido.”
Na plataforma, a leitura é devolvida em tempo real e com a mesma lógica da prova oficial: o estudante recebe uma estimativa próxima da nota real, e não uma contagem. O sistema se apoia ainda em um banco de questões de provas anteriores organizado por área, para que o candidato identifique padrões de cobrança e concentre esforço onde o retorno é maior.
O debate que a dupla não evita: IA pode corrigir redação?
O segundo ponto polêmico é o mais discutido hoje na educação brasileira — e a dupla se recusa a ficar em cima do muro.
“Tem gente vendendo correção 100% automática como se fosse revolução, e tem gente dizendo que IA não deveria chegar perto de uma redação. Os dois lados estão vendendo ideologia, não resultado”, afirma Vanilma Karla. “IA sozinha não entende o que é um repertório mal costurado. E professor sozinho não corrige 40 mil redações por semana. Quem finge que dá para escolher um dos dois está desprezando o aluno.”
Na Vanilma Karla Redação, o modelo é combinado: inteligência artificial integrada ao processo, com avaliação humana especializada e devolutiva estruturada competência por competência.
“O que trava o aluno na redação quase nunca é falta de esforço. É não saber exatamente onde está perdendo ponto”, completa a professora. “Uma nota isolada não ensina nada. O que muda o desempenho é a devolutiva: mostrar onde o argumento não sustentou, onde a proposta de intervenção ficou vaga, onde o repertório não se conectou ao tema. Foi essa metodologia, que eu já aplico há anos na minha isolada, que colocamos dentro da plataforma — agora com alcance nacional.”
Tecnologia de ponta feita no Nordeste — e a conta que ninguém gosta de fazer
A escolha de desenvolver o produto em Pernambuco é o terceiro ponto que a dupla faz questão de transformar em debate. A inovação tecnológica brasileira segue historicamente concentrada no eixo Sul-Sudeste, e o investimento em edtech acompanha essa concentração.
“Passei anos construindo tecnologia de ponta para fora do Brasil e sempre soube que dava para fazer o mesmo aqui”, diz Anderson Henrique. “A decisão de desenvolver isso em Pernambuco não é simbólica. É onde está o time e é onde está o conhecimento. O que estamos entregando em inteligência artificial aplicada à educação não deve nada ao que se constrói em qualquer outro lugar do mundo.”
A sustentação operacional do produto fica com a Digital Mind, empresa que mantém o portfólio de produtos do engenheiro — que inclui a Chateau.ia, startup de gestão de restaurantes com inteligência artificial apresentada no VivaTech, em Paris, e um projeto de realidade virtual voltado ao manejo de sofrimento emocional.
Sobre a parceria, os dois convergem: “Metodologia sem escala vira privilégio de quem consegue pagar uma turma pequena. Tecnologia sem metodologia vira brinquedo caro. A gente juntou as duas coisas porque separadas elas não resolvem o problema do estudante brasileiro.”
Serviço Vanilma Karla Redação — plataforma de preparação para ENEM, vestibulares e concursos, com banco de questões de provas anteriores, suporte à TRI e correção de redação com inteligência artificial integrada. Acesso e planos: https://www.vanilmakarla.com
