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Inconformada com construções caras e pouco adaptadas ao calor, arquiteta indiana usou panelas de barro, peças de terracota, madeira recuperada, pedra e terra para criar uma casa de 220 m² com quatro tipos de cobertura e tetos que ajudam o ar a circular

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 27/07/2026 às 19:54 Atualizado em 27/07/2026 às 19:55
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A residência de dois pavimentos foi projetada pela arquiteta indiana Anupama Kundoo
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Na Wall House, panelas de barro e peças cônicas de terracota formam quatro tipos de cobertura, enquanto madeira recuperada, pedra e terra compõem uma casa de 220 m² criada como laboratório de arquitetura sustentável, construção acessível e ventilação natural em Auroville.

Objetos parecidos com panelas de cozinha aparecem encaixados nos tetos da Wall House, uma casa sustentável de 220 m² construída em Auroville, no sul da Índia. As peças não foram colocadas apenas para decorar: elas participam de soluções criadas para formar volumes, preencher espaços e favorecer a circulação do ar.

A residência de dois pavimentos foi projetada pela arquiteta indiana Anupama Kundoo como moradia e laboratório de construção. A casa reúne panelas tradicionais, componentes de terracota produzidos especialmente para a obra, madeira recuperada, pedra e terra em diferentes partes do edifício.

A informação foi publicada por Future Observatory Journal, revista especializada em materiais, design e arquitetura. A publicação apresenta a Wall House como uma experiência construída para testar materiais locais, técnicas artesanais e quatro sistemas diferentes de cobertura.

Quando panelas de barro deixam a cozinha e entram no teto

O elemento mais inesperado da Wall House aparece sobre a cabeça de quem entra nos ambientes. Panelas tradicionais de terracota foram incorporadas a partes das lajes, criando uma superfície marcada por formas arredondadas e cavidades internas.

Na Wall House, panelas de barro e peças cônicas de terracota formam quatro tipos de cobertura
Na Wall House, panelas de barro e peças cônicas de terracota formam quatro tipos de cobertura

Essas panelas cumprem a função de preenchimento. Em palavras simples, elas ocupam espaços nos quais não seria necessário manter uma camada inteira e maciça de concreto. A solução permite aumentar a altura útil da laje sem preencher todo o volume com materiais mais pesados.

Isso não significa que utensílios de barro sustentem sozinhos o peso da casa. A resistência depende do conjunto estrutural, formado pelos apoios, pelas ligações e pelos demais componentes calculados para receber as cargas da construção.

As panelas permanecem visíveis em algumas áreas, mas não devem ser confundidas com pilares ou vigas. Elas atuam dentro de um sistema completo, no qual cada material possui uma função definida.

Peças cônicas foram fabricadas especialmente para a construção

Nem todas as formas de terracota usadas na casa eram utensílios comuns. Parte dos tetos recebeu elementos cônicos e ocos, produzidos localmente para serem encaixados uns nos outros e formar superfícies curvas.

Esses componentes foram desenhados para a arquitetura. Ao serem unidos, eles criam abóbadas texturizadas e pequenos espaços internos por onde o ar pode circular. A forma curva também permite cobrir ambientes sem depender de uma superfície totalmente plana.

A diferença é importante. As panelas tradicionais entram principalmente como preenchimento em determinadas lajes. Já as peças cônicas feitas sob medida ajudam a dar forma às abóbadas e ao acabamento aparente dos tetos.

Peças cônicas foram fabricadas especialmente para a construção
Peças cônicas foram fabricadas especialmente para a construção

O resultado visual pode parecer artesanal e simples, mas cada encaixe precisa respeitar a forma da cobertura e os pontos de apoio. A cerâmica não foi aplicada de maneira aleatória.

Quatro tipos de cobertura transformaram a casa em laboratório

A Wall House combina quatro tipos de cobertura dentro da mesma residência. A arquiteta não escolheu uma única técnica para todos os ambientes, pois cada espaço apresentava necessidades diferentes de tamanho, ventilação e apoio.

No piso inferior, tijolos finos de argila foram utilizados para criar coberturas curvas. Essas peças trabalham juntas dentro da forma arqueada, conduzindo o peso em direção aos apoios laterais.

Nas áreas planas, módulos trapezoidais de terracota foram colocados sobre vigas preparadas para a montagem. O conjunto cria pequenos arcos entre os apoios e evita que toda a cobertura dependa de uma placa contínua de concreto.

As lajes intermediárias receberam panelas de barro como preenchimento. Outro sistema empregou peças cônicas ocas para formar abóbadas sobre áreas maiores. Assim, tijolos, panelas, módulos trapezoidais e elementos cônicos passaram a cumprir papéis diferentes dentro da mesma casa.

Cavidades nos tetos ajudam o ar a circular

A construção fica em uma região de clima quente, o que tornou a movimentação do ar uma parte importante do projeto. As peças ocas de terracota deixam cavidades dentro das coberturas, permitindo a circulação entre determinados componentes.

Esses espaços ajudam a impedir que o teto funcione apenas como uma massa compacta. O ar presente nas cavidades atua como uma camada adicional entre o ambiente interno e a parte externa da cobertura.

Cavidades nos tetos ajudam o ar a circular
Cavidades nos tetos ajudam o ar a circular

A altura dos espaços internos também favorece a ventilação natural. O ar aquecido tende a subir, enquanto o ar mais fresco pode entrar pelas aberturas inferiores. Esse movimento é conhecido como efeito chaminé, mas pode ser entendido como uma troca natural de ar provocada pela diferença de temperatura.

Os tetos não funcionam como aparelhos de refrigeração e não eliminam o calor sozinhos. As cavidades colaboram com o conforto térmico quando trabalham junto das aberturas, das áreas sombreadas e da organização dos ambientes.

Artesãos locais produziram componentes para uma casa moderna

A construção das coberturas aproximou a arquitetura moderna do trabalho de oleiros e outros artesãos locais. Em vez de comprar todos os componentes prontos de grandes fabricantes, o projeto utilizou conhecimentos presentes na própria região.

As peças cônicas exigiram medidas e formatos próprios para que pudessem ser encaixadas. Os artesãos precisaram adaptar a experiência com vasos e utensílios à produção de elementos destinados a tetos e abóbadas.

Future Observatory Journal, revista especializada em materiais, design e arquitetura, destaca que o projeto aproveitou habilidades locais e ampliou as possibilidades de uso da terracota. A fabricação dos componentes também criou novas aplicações para o trabalho dos oleiros.

A casa ainda incorporou madeira recuperada, pedra e terra. Esses materiais não foram usados da mesma maneira em todos os espaços. Cada um entrou na obra onde poderia cumprir melhor sua função, reduzindo a dependência de produtos industriais padronizados.

Uma residência de 220 m² criada para testar outras formas de construir

A Wall House não nasceu apenas como uma casa para morar. Anupama Kundoo também utilizou os 220 m² como campo de testes para técnicas que poderiam aparecer posteriormente em outros projetos.

Auroville possui uma relação histórica com experiências em arquitetura, vida comunitária e uso de recursos locais. Nesse contexto, a residência permitiu observar como técnicas artesanais poderiam atender às necessidades de uma construção moderna.

A casa integra espaços de uso diário, áreas abertas e ambientes com alturas diferentes. Essa organização facilita a entrada de luz, a conexão com o lado externo e o movimento natural do ar.

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O projeto estava concluído quando passou a ser apresentado como exemplo da pesquisa da arquiteta. Portanto, não se trata de uma proposta que existe somente em desenhos ou maquetes, mas de uma residência construída e utilizada.

O que diferencia essa técnica de uma laje comum no Brasil

Em muitas obras brasileiras, uma laje convencional utiliza concreto e barras de aço para formar uma superfície resistente. Existem também sistemas que empregam blocos cerâmicos ou peças leves como preenchimento entre vigotas.

Na Wall House, as panelas de barro exercem uma função semelhante à de um elemento que ocupa os espaços sem precisar preencher todo o volume com concreto. A diferença está no formato dos objetos, no modo de montagem e na integração com outras soluções de terracota.

As abóbadas também seguem uma lógica diferente da laje plana. Sua forma curva ajuda a conduzir o peso até os apoios, enquanto as peças ocas criam textura e espaços internos para a passagem do ar.

Isso não significa que a técnica possa ser copiada diretamente em qualquer obra brasileira. Cada construção exige projeto estrutural, análise do clima e mão de obra preparada, pois os materiais, os apoios e as dimensões mudam de uma casa para outra.

A Wall House mostra que inovação não depende apenas da criação de materiais novos. Panelas, argila, pedra, terra e madeira recuperada ganharam novas funções quando foram organizadas dentro de um sistema pensado para o local.

A casa de 220 m² reúne quatro tipos de cobertura e transforma o próprio teto em parte da estratégia de ventilação. O resultado aproxima artesanato, engenharia e arquitetura sustentável sem esconder as marcas dos materiais utilizados.

Uma casa que aproveita objetos simples e conhecimentos locais pode oferecer respostas mais adequadas ao clima do que uma construção totalmente industrializada? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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