Susana Dominguez já conhecia Jessie da Provident Heights Elementary quando soube que ele estava sob proteção do Estado. O acolhimento começou após uma segunda oferta da professora, avançou para a adoção e incluiu a continuidade do acompanhamento terapêutico que o menino já fazia.
A relação entre a professora bilíngue Susana Dominguez e Jessie começou na Provident Heights Elementary, escola pública de Waco, no Texas, mas passou a fazer parte da rotina familiar quando ela decidiu se oferecer para receber o estudante em casa.
Jessie tinha 6 anos quando ele e a meia-irmã foram encaminhados ao Child Protective Services (CPS), serviço de proteção à criança do Texas, após serem encontrados em uma situação considerada insegura com a mãe biológica, conforme relatou a KXXV 25 News.
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Naquele momento, a família Dominguez pretendia inicialmente acolher apenas a meia-irmã do menino. Ao saber da situação de Jessie, Susana perguntou aos responsáveis pelo caso o que aconteceria com ele e se também poderia levá-lo para casa.
A resposta inicial foi que os procedimentos previstos para encontrar uma alternativa familiar precisavam ser seguidos antes que outra possibilidade fosse considerada. Mesmo sem poder recebê-lo imediatamente, a professora deixou claro que continuava disponível caso fosse necessário encontrar outra casa para o aluno.
Jessie passa a morar com os Dominguez
Meses depois, Susana soube que a pessoa responsável por Jessie estava enfrentando dificuldades para lidar com o comportamento do garoto. Ele chorava com frequência, resistia às tarefas escolares e apresentava atitudes que preocupavam quem estava cuidando dele.

A professora voltou então a procurar os responsáveis e lembrou que já havia se oferecido para receber Jessie. Desta vez, o processo avançou rapidamente: cerca de uma semana depois da nova manifestação de interesse, o menino passou a morar com os Dominguez.
A mudança ocorreu em 26 de outubro. Ao conversar com os filhos que já viviam na casa, Susana apresentou Jessie como um novo irmão, e não apenas como uma criança que permaneceria temporariamente com a família durante o período de acolhimento.
O menino também fazia acompanhamento terapêutico antes da mudança. Susana manteve a rotina de sessões enquanto ele se adaptava à casa e à convivência com os demais integrantes da família.
Em dezembro, aproximadamente dois meses depois da chegada, o acompanhamento foi encerrado. No relato feito à KXXV, a professora afirmou que a avaliação apresentada à família indicava que Jessie estava bem e já não demonstrava sinais que justificassem a continuidade das sessões naquele momento.
A informação descreve o desfecho daquele acompanhamento, mas a reportagem da emissora não apresenta prontuário ou diagnóstico que permita atribuir a mudança observada a uma causa isolada.
A adoção chega ao tribunal
A permanência de Jessie na casa dos Dominguez continuou enquanto a família avançava nas etapas necessárias para transformar o acolhimento em uma relação legalmente permanente. Quando a adoção foi oficializada, o menino já tinha 8 anos e cursava o segundo ano na Provident Heights Elementary.
A ligação com a escola permaneceu presente até a audiência. Colegas da turma acompanharam o momento em que Jessie passou oficialmente a integrar a família Dominguez, levando para o tribunal pessoas que faziam parte de sua rotina escolar.
Courtney Whitaker, diretora da Provident Heights Elementary, também esteve presente. Em declaração à KXXV, ela relacionou a experiência ao trabalho dos educadores, que envolve acompanhar os estudantes não apenas no aprendizado de conteúdos, mas também em momentos importantes de suas trajetórias.
Susana explicou à reportagem que a decisão de acolher Jessie foi incorporada à dinâmica de toda a casa. O marido participou do processo, e a professora resumiu o vínculo com a frase “We needed him and he needed us”, ao dizer que o menino precisava de uma família capaz de recebê-lo e que os Dominguez podiam oferecer esse cuidado.
A adoção não havia sido planejada desde o primeiro momento em que a família soube da situação dos irmãos. O processo começou com a intenção de receber a meia-irmã, passou pela pergunta de Susana sobre o destino de Jessie e só avançou depois que a professora voltou a se oferecer meses mais tarde.
A trajetória também fez com que Susana passasse a acompanhar aspectos da vida do aluno fora da sala de aula. Além da relação que já existia na escola, ela participou da adaptação do menino à nova casa e manteve o acompanhamento terapêutico que ele realizava antes da mudança.
Durante a audiência de adoção, Jessie foi questionado sobre o que o deixava feliz naquele dia. A resposta registrada pela KXXV foi “I am now Jessie Dominguez”, uma referência direta ao sobrenome da família que passava a integrar oficialmente.
A presença dos colegas no tribunal também levou para a audiência parte da rotina que Jessie mantinha na escola. Whitaker destacou à emissora que o trabalho de educadores não se limita a leitura, escrita e matemática e inclui acompanhar momentos importantes da vida dos estudantes.

