Anthony Berry não esperou apenas que adultos decidissem seu futuro no sistema de acolhimento: apresentou à professora Bennie Berry a própria situação e perguntou se ela o adotaria. O vínculo saiu da escola, tornou-se uma relação familiar e acompanhou depois a retomada do adolescente no futebol americano.
Anthony Berry tinha 16 anos quando decidiu falar diretamente com a professora de inglês Bennie Berry sobre uma questão que ultrapassava a rotina escolar. Durante uma conversa sobre família, contou que estava disponível para adoção e perguntou se ela consideraria recebê-lo como filho.
Bennie trabalhava no Pathways Alternative Learning Center, em Beaumont, no Texas, era solteira e não tinha filhos. A proposta inicialmente pareceu uma brincadeira, mas Anthony mostrou informações de um site destinado a crianças e adolescentes que aguardavam uma família para deixar claro que falava sério.
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Antes de continuar a conversa, a professora pediu que ele concluísse uma atividade. Anthony terminou o trabalho e retomou o assunto, transformando aquela discussão em sala na primeira etapa de uma decisão que passaria a envolver também a vida dos dois fora da escola.
A ABC News, que entrevistou mãe e filho depois da adoção, informou que Anthony conheceu Bennie em 2016 e fez o pedido em janeiro de 2017. A partir dali, ela começou a verificar o que seria necessário para assumir legalmente a responsabilidade pelo estudante.
Anthony havia entrado no sistema de acolhimento aos 9 anos. Aos 15, passou por uma tentativa de adoção que não terminou com a formação de uma família permanente, experiência anterior que fazia parte de uma trajetória marcada por anos entre diferentes arranjos de acolhimento.
Na escola alternativa, Bennie também passou a conhecer o adolescente por sua participação cotidiana. Anthony ajudava em tarefas, envolvia-se nas atividades e demonstrava iniciativa, enquanto a possibilidade de adoção deixava de ser apenas um pedido feito em sala para se tornar uma decisão concreta a ser considerada pela professora.
Da relação escolar à convivência em casa
Meses depois, a situação de Anthony mudou novamente quando a família acolhedora responsável por ele informou que não poderia continuar recebendo o adolescente. Ele então deixou aquela casa e passou a morar com Bennie antes de o processo judicial de adoção estar concluído.
A mudança colocou os dois diante de uma convivência diferente daquela que haviam construído na escola. Eles passaram a compartilhar responsabilidades domésticas e feriados, enquanto Bennie assumia pela primeira vez o cotidiano de uma mãe com um filho adolescente que já carregava experiências próprias e anos de vida anteriores àquela família.
A adoção foi oficializada em 17 de novembro de 2017, no Tribunal do Condado de Jefferson. Anthony estava entre 18 crianças e adolescentes adotados durante a cerimônia realizada naquele dia e, aos 16 anos, figurava entre os mais velhos do grupo.
Com a formalização, Bennie tornou-se legalmente mãe do estudante que havia conhecido em sala de aula. O processo também retirou Anthony da condição em que permanecia desde a infância, após anos sem uma família permanente e uma tentativa anterior de adoção que não havia prosperado.
A história teve repercussão nacional, mas a adaptação doméstica continuou depois da cerimônia. Um ano mais tarde, o Beaumont Enterprise acompanhou Anthony já aos 17 anos e registrou como mãe e filho ainda aprendiam a lidar com a nova rotina familiar.
O retorno ao futebol americano
Nesse período, Anthony também retomou uma atividade que já fazia parte de sua vida antes da adoção. Ele havia jogado futebol americano pela Ozen High School, mas se afastou do esporte durante um período de problemas pessoais relacionados à família biológica e não participou dos treinamentos obrigatórios de verão da Beaumont United High School.
O técnico Arthur Louis e o assistente Kirby Jones, que conhecia Anthony desde o ensino fundamental, trabalharam para convencê-lo a retornar. O adolescente voltou inicialmente para a equipe júnior da Beaumont United e depois foi chamado para o time principal.
No elenco dos Timberwolves, Anthony passou a atuar como linebacker e também nas equipes especiais. A presença no time representava o retorno a uma modalidade que ele já praticava antes de se afastar durante o período de dificuldades pessoais.
A rotina esportiva passou a coexistir com as mudanças dentro de casa. Bennie lidava com as responsabilidades de criar um adolescente, enquanto Anthony precisava conciliar escola, treinos e a convivência com uma mãe que, até pouco tempo antes, conhecia apenas como professora.
O caso também mostra uma característica específica da trajetória de Anthony: ele participou diretamente da busca por uma família. Em vez de apenas aguardar o andamento do sistema, explicou sua situação a uma adulta em quem confiava, mostrou onde seu perfil podia ser consultado e perguntou se ela estaria disposta a adotá-lo.
Já no último ano do ensino médio, o adolescente começou a pensar na etapa seguinte à escola. Entre as possibilidades mencionadas por Anthony estavam continuar os estudos em uma faculdade ou ingressar nas Forças Armadas, sem que naquele momento tivesse anunciado uma escolha definitiva.
