Setor da maçã projeta safra 2025/26 cerca de 35% maior, mas relata perdas por falta de mão de obra. Produtores associam a escassez de colhedores ao temor de perder benefícios sociais. Entidades pedem que o governo permita manter o Bolsa Família mesmo com emprego formal.
A produção brasileira de maçã caminha para uma safra 2025/26 mais robusta, com projeção de cerca de 1,15 milhão de toneladas, segundo estimativas do setor. A perspectiva de exportações quatro vezes maiores, próximas de 60 mil toneladas, também animou os produtores no início do ano. O clima, no entanto, virou rapidamente no campo. Com a colheita em andamento, relatos de fruta se perdendo no chão voltaram a se multiplicar.
Vídeos e depoimentos em redes sociais mostram pomares com maçãs caídas e equipes reduzidas, insuficientes para dar conta do pico de safra. A situação, mais frequente na Serra Catarinense, foi descrita como recorrente por representantes da cadeia produtiva. O problema, reforçam os produtores, não se limita a uma região e tem se repetido ano a ano.
De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a carência de trabalhadores pressiona custos, reduz a eficiência da colheita e pode encarecer o preço ao consumidor. O drama é ainda mais sensível nas semanas de maior necessidade de mão de obra, quando atrasos implicam perdas irrecuperáveis. Sem braços suficientes, parte da safra pode simplesmente não sair do pé.
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O setor articula uma resposta que passa por políticas públicas e ajustes de incentivo ao trabalho sazonal. A proposta central é permitir que beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família, mantenham o benefício mesmo com carteira assinada durante a colheita. Entidades defendem que isso reduziria o temor de perda de renda e atrairia mais pessoas para os pomares.
Safra maior, colheita travada e perdas que afetam produtores e consumidores
A ABPM relata que a insuficiência de equipes no pico da colheita faz a fruta ultrapassar o ponto ideal de retirada, o que degrada qualidade e valor. Quando o atraso é maior, as maçãs caem e viram prejuízo direto no chão do pomar. Segundo a entidade, esse quadro tem se repetido com mais frequência, mesmo com investimentos em manejo e organização das frentes de trabalho.
O impacto não fica apenas nos produtores. Parte dos custos da ineficiência tende a se propagar pela cadeia e pode chegar às gôndolas, pressionando o preço final. Para a ABPM, reduzir o gargalo da mão de obra é fundamental para estabilizar custos e preservar a competitividade.
Setor aponta temor de perder benefício como freio à contratação e sugere manter programas com carteira assinada
O diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, afirma que a entidade identificou como principal entrave o temor de beneficiários de programas sociais de perderem o auxílio ao aceitar trabalho formal. Segundo ele, esse receio trava a adesão ao emprego temporário, exatamente quando os pomares mais precisam.
Como alternativa, a ABPM defende que o governo federal autorize a manutenção do benefício mesmo quando houver carteira assinada na colheita. A leitura do setor é que essa segurança permitiria a muitos ingressar no mercado formal sazonal, aumentando a renda familiar sem abrir mão da proteção social.
Albuquerque argumenta que a solução ajudaria a conciliar proteção de renda com desenvolvimento regional. Ao estimular a participação no trabalho agrícola, haveria ganho para produtores, trabalhadores e municípios, com mais atividade econômica circulando.
O setor reforça que há vagas formais com todos os direitos assegurados e apoio logístico, o que reduziria barreiras de acesso. Mesmo assim, sem uma calibragem nas regras de permanência no benefício, a adesão segue aquém do necessário para dar conta do pico da safra.
Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não havia respondido até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
O que dizem as regras do Bolsa Família sobre emprego formal e permanência no programa
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o Bolsa Família tem desde 2023 a chamada regra de proteção, que permite a famílias que aumentam a renda por emprego formal permanecer no programa por até 24 meses, recebendo 50% do valor do benefício, desde que respeitados os critérios de renda vigentes. Segundo o MDS, também há mecanismo de retorno garantido caso a renda volte a cair nesse período.
O setor produtivo sustenta que, apesar desses instrumentos, persistem dúvidas e temores entre potenciais trabalhadores sazonais, sobretudo sobre a comprovação de renda e a duração dos contratos curtos. Por isso, pede uma comunicação mais clara e, se necessário, ajustes específicos para atividades sazonais, reduzindo a incerteza que afasta candidatos no pico da colheita.
No campo, salários ofertados e gargalos diários da colheita
Em Urubici, na Serra Catarinense, o produtor Mariozan Correa relata ter contratado 10 trabalhadores nesta safra, quando o ideal seriam ao menos 12 para seus 14 hectares. Ele afirma pagar por CLT, com salários entre R$ 2.500 e R$ 3.000 e, para pessoas de confiança, estender o vínculo além da colheita para serviços na fazenda.
Correa diz que, nos últimos três anos, ficou mais difícil montar as equipes, inclusive com a queda do interesse de trabalhadores que vinham de outros estados. Segundo ele, parte dos candidatos evita contratos curtos com receio de afetar benefícios sociais, o que trava o fluxo de pessoas justamente quando a colheita exige rapidez.
Além do volume de fruta, há diferenças entre cultivares. A maçã fuji demanda colheita mais intensa por amadurecer mais rápido na árvore, enquanto a gala tem ciclo ligeiramente mais longo, o que dá margem de manobra. Quando falta gente, a fuji sofre mais e concentra as perdas nos pomares.
Tecnologia ajuda, mas não substitui a mão humana na maçã
Segundo a ABPM, o setor tem investido em plataformas de colheita, condução moderna de pomares e automação na etapa industrial, o que melhora produtividade e segurança. Esses avanços aliviam a pressão, mas não eliminam a necessidade de equipes bem dimensionadas no pico da safra.
Como lembra a entidade, não há, no mundo, tecnologia em escala capaz de substituir integralmente a mão humana na colheita de maçãs em campo. A precisão e o cuidado para evitar danos no fruto ainda dependem do trabalho do colhedor treinado.
Efeitos em cadeia na economia regional e próximos passos do debate
A ABPM avalia que a redução de atividade nos pomares contamina toda a cadeia, derrubando a demanda por insumos, serviços e transporte. Isso atinge comércio local e fornecedores, com reflexos sobre empregos indiretos e arrecadação municipal.
Para mitigar o quadro, produtores defendem uma coordenação entre ministérios para esclarecer regras do Bolsa Família e ajustar pontos específicos ao trabalho sazonal. A expectativa é que, com previsibilidade e comunicação direta com as comunidades, mais pessoas aceitem a carteira assinada no período da colheita, reduzindo perdas e estabilizando preços.
O debate seguirá nos próximos meses, enquanto o setor tenta salvar o potencial de uma safra maior e traduzir volume em renda. A solução, concordam os interlocutores, passa por unir proteção social e incentivo ao trabalho no campo.
Deixe sua opinião O Bolsa Família deve ser mantido integralmente para quem aceitar emprego formal na colheita ou a regra de proteção já resolve o problema A falta de mão de obra é fruto de desenho do programa social ou de falhas na contratação sazonal O tema mexe com renda, preços e políticas públicas, e seu comentário ajuda a qualificar o debate.

Sempre falo isso, na construção civil tá a mesma coisa, a bolsa família e este governo tá para acabar com tudo, no nosso Brasil
O motivo não é o bolsa família o motivo é o preconceito a ignorância a falta de empatia dos produtores de Santa Catarina que estão sempre dizendo que odeiam o nordeste que são **** e não gostam de trabalhar.
Que santa catarina é diferente que só tem branco e descendentes de europeus. Então façam o seguinte coloquem suas famílias pra colher maçãs vcs nao tem filhos e NETOS? porque vcs ficam dependentes de **** que não gostam de trabalhar. Colham vocês mesmos suas maçãs vocês não são o exemplo de trabalhadores para o Brasil?
Vão trabalhar cagabundos e não queiram dizer onde é quando o povo deve trabalhar.
Estou muito feliz em saber desta notícia.