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Previsão aponta recuo da energia solar em 2026; aposta para superar cortes na geração recai sobre as baterias

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 14/01/2026 às 13:19
Mesmo com forte presença na matriz elétrica, a energia solar deve crescer menos em 2026. Setor cobra solução para cortes de geração, incentivos a baterias e regras mais claras para manter a competitividade.
Mesmo com forte presença na matriz elétrica, a energia solar deve crescer menos em 2026. Setor cobra solução para cortes de geração, incentivos a baterias e regras mais claras para manter a competitividade.
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Mesmo com forte presença na matriz elétrica, a energia solar deve crescer menos em 2026. Setor cobra solução para cortes de geração, incentivos a baterias e regras mais claras para manter a competitividade.

A energia solar consolidou espaço no Brasil, mas atravessa um período de ajustes. Após anos de expansão acelerada, o setor passou a conviver com entraves estruturais que reduziram o ritmo de crescimento. Em 2025, apesar da adição relevante de potência, desafios técnicos, regulatórios e econômicos limitaram novos investimentos.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com 2026. A projeção indica desaceleração adicional, o que acende um alerta para empresas, investidores e formuladores de políticas públicas ligados à energia solar.

Cortes de geração se tornam o principal gargalo do setor

Entre os obstáculos enfrentados, os cortes forçados de geração renovável, conhecidos como curtailment, ganharam protagonismo. A prática ocorre quando a energia solar produzida não consegue ser escoada devido a limitações na rede de transmissão.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), esse problema atingiu principalmente grandes usinas já em operação. Como consequência, projetos foram congelados e investimentos, adiados ou cancelados.

Para o presidente executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, a ausência de uma solução estrutural compromete a atratividade do setor. Ele defende que os geradores sejam ressarcidos por cortes que não estão sob sua responsabilidade, preservando a segurança jurídica.

Atuação institucional e críticas à legislação recente

Diante do cenário adverso, a Absolar intensificou sua atuação em diferentes frentes. Houve articulação junto ao Ministério de Minas e Energia, ao Operador Nacional do Sistema Elétrico e ao Congresso Nacional.

Durante esse processo, o setor acompanhou de perto a tramitação da Medida Provisória 1304, convertida na Lei 15.269. Apesar do avanço institucional, a avaliação da entidade é crítica. A norma não contempla o ressarcimento dos cortes energéticos, deixando lacunas importantes.

Na visão do setor, transferir esse risco aos geradores prejudica contratos firmados e afeta a credibilidade do país como destino de investimentos em energia solar.

Geração distribuída também sofre com limitações da rede

Os desafios não ficaram restritos às grandes usinas. A geração distribuída, formada por sistemas de pequeno e médio porte, também foi impactada. Em diversas regiões, projetos tiveram conexões negadas sob justificativas técnicas, como inversão de fluxo de potência.

Esse cenário evidencia falhas no planejamento da infraestrutura elétrica. De acordo com o setor, cerca de metade dos cortes de geração ocorre por ausência de investimentos adequados em redes de distribuição e transmissão.

Baterias ganham espaço como solução estratégica

Em meio às dificuldades, o avanço das discussões sobre armazenamento de energia surge como um ponto positivo. Sistemas de baterias passaram a ser vistos como aliados fundamentais da energia solar e da eólica.

Essas tecnologias aumentam a flexibilidade do sistema elétrico, reduzem desperdícios e ajudam a mitigar os efeitos do curtailment. O setor avalia que houve maior compreensão do tema por parte do Executivo, do regulador e do Legislativo.

A Lei 15.269 trouxe mudanças relevantes ao incluir o “agente armazenador” no setor elétrico. Além disso, autorizou o acesso de sistemas de armazenamento ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi).

A expectativa é que a medida reduza custos, hoje pressionados por uma carga tributária elevada, que pode chegar a até 80%. O setor aguarda agora a regulamentação completa pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Propostas para destravar investimentos em energia solar

Para melhorar o ambiente de negócios, a Absolar aponta prioridades claras. A principal é resolver de forma definitiva os cortes de geração, com ressarcimento aos geradores.

Também há cobrança por fiscalização mais rigorosa da geração distribuída e avanço nos cálculos de custos e benefícios desse segmento. Outro ponto estratégico envolve a criação de incentivos financeiros, como debêntures incentivadas, para projetos de armazenamento.

Mesmo com crescimento mais lento, a energia solar deve encerrar 2026 com cerca de 75,9 GW de potência acumulada. Isso mantém a fonte como a segunda maior da matriz elétrica brasileira.

Do total projetado, aproximadamente dois terços correspondem a sistemas de pequeno e médio porte, enquanto o restante vem de grandes usinas. Em termos econômicos, a adição prevista deve atrair R$ 31,8 bilhões em investimentos, gerar cerca de 319 mil empregos e arrecadar R$ 10,5 bilhões em tributos.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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