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Presos vão trabalhar no Brasil: com nova Lei, detentos brasileiros vão limpar ruas e atuar com materiais reciclados em medida que promete transformar cidades.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/06/2026 às 15:07
Atualizado em 13/06/2026 às 15:10
Projeto autoriza presos a atuar com reciclagem e limpeza urbana, mas ainda precisa passar por nova análise no Senado antes de virar lei.
Projeto autoriza presos a atuar com reciclagem e limpeza urbana, mas ainda precisa passar por nova análise no Senado antes de virar lei.
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Projeto aprovado no Senado aproxima trabalho prisional, reciclagem e limpeza urbana, mas ainda depende de novas etapas antes de virar lei e produzir efeitos concretos nas cidades brasileiras. Medida mira presos dos regimes fechado e semiaberto e altera normas ligadas a saneamento e resíduos sólidos.

A Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou, nesta terça-feira (09), um substitutivo ao Projeto de Lei 3.202/2024, que permite a participação de presos dos regimes fechado e semiaberto em atividades de limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, reutilização e reciclagem de materiais.

Apesar do avanço na comissão, a proposta ainda não é lei e seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça, etapa necessária antes de eventual continuidade da tramitação legislativa, conforme informou a Agência Senado.

O projeto é de autoria do senador Sérgio Petecão (PSD-AC) e recebeu parecer favorável do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), em relatório lido na reunião da CMA pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO).

Trabalho de presos com reciclagem

Pelo texto em discussão no Senado, condenados em regime fechado ou semiaberto poderão atuar em atividades ligadas à triagem, reutilização e reciclagem de resíduos sólidos, além de ações relacionadas ao manejo desses materiais no contexto da limpeza urbana.

Centro de reciclagem mostra triagem de resíduos sólidos, tema ligado ao projeto sobre presos com reciclagem e limpeza urbana. (Imagem: Edmar Chaperman/Funasa)
Centro de reciclagem mostra triagem de resíduos sólidos, tema ligado ao projeto sobre presos com reciclagem e limpeza urbana. (Imagem: Edmar Chaperman/Funasa)

A proposta busca aproximar a política ambiental da política de execução penal, ao tratar o trabalho prisional como instrumento de ressocialização e, ao mesmo tempo, reforçar práticas de reaproveitamento de materiais descartados.

Na avaliação do relator, a participação dos presos nessas tarefas pode contribuir para a reintegração social, sem afastar o objetivo ambiental de estimular a reutilização e a reciclagem dentro das políticas públicas.

O substitutivo também preserva mudanças em normas ligadas ao saneamento básico e à gestão de resíduos, com a intenção de dar respaldo legal a projetos que envolvam pessoas privadas de liberdade.

Mesmo com a aprovação na CMA, a análise do tema não foi encerrada, já que a matéria ainda passará pela CCJ e poderá receber ajustes antes de avançar para outras etapas no Congresso Nacional.

Mudanças em saneamento e resíduos sólidos

A versão original do PL 3.202/2024 previa alterações em três legislações federais: a Lei de Execução Penal, a Lei de Saneamento Básico e a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

No substitutivo aprovado, parte dessas mudanças foi mantida, enquanto a alteração prevista na Lei de Execução Penal acabou retirada pelo relator durante a análise da proposta.

Na Lei de Saneamento Básico, o projeto inclui a possibilidade de que condenados participem da triagem de resíduos, aproximando o trabalho prisional de serviços urbanos ligados à separação e destinação adequada de materiais reaproveitáveis.

Projeto autoriza presos a atuar com reciclagem e limpeza urbana, mas ainda precisa passar por nova análise no Senado antes de virar lei.
Projeto autoriza presos a atuar com reciclagem e limpeza urbana, mas ainda precisa passar por nova análise no Senado antes de virar lei.

Já na Política Nacional de Resíduos Sólidos, iniciativas de reciclagem desenvolvidas com presos passam a ser tratadas como ações que podem receber prioridade por meio de incentivos públicos e linhas de financiamento instituídas pelo poder público.

A exclusão da mudança na Lei de Execução Penal foi defendida por Alessandro Vieira sob o argumento de que a legislação atual já permite oficinas de trabalho em presídios, inclusive em atividades associadas à reciclagem.

Segundo o relator, também já existem experiências nesse segmento, o que tornou desnecessária a inclusão de uma nova autorização específica na legislação que regula a execução das penas.

Ressocialização e política ambiental

Dois temas geralmente tratados em áreas distintas da administração pública aparecem conectados na proposta aprovada pela Comissão de Meio Ambiente: a reintegração de presos ao convívio social e a gestão de resíduos sólidos.

De um lado, o trabalho de presos é apresentado como ferramenta para ampliar ocupação produtiva dentro do sistema prisional, especialmente em atividades que possam contribuir para a formação de hábitos profissionais.

Por outro lado, a reciclagem aparece como parte de uma estratégia ambiental voltada ao reaproveitamento de materiais e à redução de problemas relacionados à destinação inadequada de resíduos nas cidades.

Trabalho prisional em oficina de costura ilustra políticas de qualificação, renda e reinserção social de detentos no Brasil. (Imagem: Senappen/MJSP)
Trabalho prisional em oficina de costura ilustra políticas de qualificação, renda e reinserção social de detentos no Brasil. (Imagem: Senappen/MJSP)

Segundo o relatório aprovado, a participação de condenados nessas atividades pode ampliar oportunidades de trabalho no sistema prisional, desde que respeitadas as regras legais e a estrutura disponível em cada unidade.

Ao mesmo tempo, a proposta tenta reforçar políticas de reutilização e reciclagem, tema relevante para municípios que ainda enfrentam limitações na coleta seletiva, na triagem e no encaminhamento adequado de materiais descartados.

O texto aprovado também permite a atuação por meio de fundações, empresas públicas ou convênios entre governos e a iniciativa privada, conforme informações divulgadas pela Rádio Senado sobre a proposta.

Tramitação do projeto no Senado

Embora o projeto trate da autorização para trabalho de presos com reciclagem, sua aplicação prática dependerá da aprovação final da proposta e da forma como governos, unidades prisionais e entidades parceiras poderão estruturar as atividades.

Na CCJ, a tramitação terá peso porque a comissão analisa aspectos constitucionais, jurídicos e legais das propostas, podendo manter o texto aprovado na Comissão de Meio Ambiente ou propor novas alterações.

Durante a reunião da CMA, a matéria foi aprovada em votação simbólica, e as notas taquigráficas do Senado registram que o relatório passou a constituir parecer favorável da comissão ao projeto.

Por enquanto, o ponto central é que o Senado avançou com uma proposta que autoriza a participação de presos em atividades ambientais específicas, mas ainda sem efeito imediato sobre o sistema prisional.

Caso seja aprovada nas etapas seguintes, a medida poderá integrar programas de trabalho prisional a políticas de saneamento e resíduos sólidos, sempre condicionada às regras legais, à estrutura disponível e aos modelos de execução adotados pelos órgãos responsáveis.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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