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“Empresários reclamam que ‘ninguém mais quer trabalhar’: presidente da CNC culpa Bolsa Família e pede ao governo plano urgente para reverter fuga da mão de obra”

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 04/11/2025 às 15:14
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Presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirma que o Bolsa Família desestimula o emprego e defende criação de “porta de saída” para equilibrar assistência social e crescimento econômico.

Durante a abertura do Fórum do Comércio 2025, realizado nesta quinta-feira (30) no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador (BA), o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, fez um alerta sobre a escassez de mão de obra no país.

Segundo ele, empresários de diversos setores têm enfrentado dificuldades crescentes para contratar funcionários, principalmente em atividades de base, e parte desse problema estaria ligada à dependência gerada pelo programa Bolsa Família.

“O empresariado tem reclamado de forma muito frequente que as pessoas não estão procurando emprego porque todas elas estão sob a égide do Bolsa Família”, afirmou Tadros, em coletiva de imprensa.

Bolsa Família precisa de “porta de saída”, diz Tadros

O presidente da CNC defendeu que o governo federal precisa repensar a estrutura do Bolsa Família, criando uma “porta de saída” para os beneficiários que já atingiram condições de buscar uma ocupação formal.

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“Nós estamos propugnando ao governo que encontre uma porta de saída também para o Bolsa Família, não só de entrada. É preciso criar mecanismos econômicos e políticos que permitam que essas pessoas possam evoluir e acessar o mercado de trabalho”, destacou.

Para Tadros, o desafio é equilibrar a função social do programa, garantindo a sobrevivência dos mais vulneráveis, com incentivos reais à reinserção produtiva.

Comércio e serviços sustentam a economia, mas travam na falta de gente

Em seu discurso, o dirigente lembrou que o comércio, os serviços e o turismo respondem por entre 73% e 75% do PIB brasileiro, e que o setor gera mais de 85% dos empregos formais no país.

Mesmo assim, o avanço das empresas tem sido limitado pela dificuldade em encontrar mão de obra disponível e qualificada, especialmente nas regiões onde há forte concentração de famílias beneficiadas por programas sociais.

“A atividade terciária é a que mais emprega no Brasil, mas o empresário não consegue ampliar os negócios porque simplesmente não encontra quem queira trabalhar”, afirmou Tadros.

O dirigente da CNC ressaltou ainda o papel estratégico da Bahia na economia nacional:

“A Bahia é o quarto colégio eleitoral do país e Salvador é uma das cidades mais populosas. Aqui tudo começou, e é aqui também que precisamos mostrar que o Brasil pode crescer com equilíbrio e oportunidades.”

Dependência social x dinamismo econômico

As falas de Tadros refletem uma preocupação crescente entre entidades empresariais quanto ao efeito colateral do assistencialismo prolongado sobre o mercado de trabalho.
Nos bastidores, o setor de comércio e serviços avalia que a combinação de benefícios sociais elevados e informalidade tem afastado parte da população economicamente ativa das vagas formais.

Economistas defendem que o país precisa adotar políticas de transição que conectem programas de renda mínima com qualificação profissional e inserção produtiva, de modo a evitar a perpetuação da dependência estatal.

Fórum do Comércio 2025 discute desafios e inovação no setor

O Fórum do Comércio 2025 reuniu empresários, economistas e representantes do governo para discutir tendências e obstáculos que afetam o setor de comércio e serviços no Brasil.
Entre os temas abordados estão a digitalização dos negócios, o avanço das plataformas de e-commerce, a reforma tributária e o impacto das políticas sociais sobre o emprego formal.

Durante o evento, Tadros enfatizou que a CNC continuará dialogando com o governo federal para buscar soluções que estimulem a formalização do trabalho sem comprometer a rede de proteção social.

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Um debate que vai além da Bahia

As declarações do presidente da CNC repercutem em um momento em que o país apresenta baixo índice de desemprego (5,6%), mas convive com uma redução na taxa de participação da força de trabalho, especialmente entre jovens e trabalhadores de baixa renda.

A situação acende o alerta em setores que dependem intensamente de mão de obra, como comércio, hotelaria, construção civil e agricultura. Para analistas, o recado de Tadros vai além da Bahia: trata-se de um chamado à revisão de políticas públicas que, embora bem-intencionadas, podem estar sufocando a produtividade nacional.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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