Queda da cesta básica em BH reduz impacto no salário mínimo e acompanha desaceleração da inflação alimentos.
O preço da cesta básica em Belo Horizonte apresentou queda de 1,21% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).
O custo médio passou a R$ 733,77, refletindo diretamente o comportamento da inflação alimentos na capital mineira.
O movimento foi influenciado principalmente pela redução no preço alimentos essenciais e ocorreu no início de 2026, na Região Metropolitana da capital.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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Como resultado, o peso sobre o salário mínimo atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos.
Então em termos proporcionais, o valor atual compromete 45,27% do piso nacional, hoje fixado em R$ 1.621.
Assim, apesar de ainda elevado, o indicador mostra alívio no orçamento das famílias, especialmente das faixas de renda mais baixas.
Cesta básica tem impacto menor sobre o salário mínimo
Assim, a relação entre cesta básica e salário mínimo é um dos principais termômetros do poder de compra.
Com o reajuste do piso nacional definido pelo Ministério do Planejamento e Orçamento no fim de 2025, houve melhora imediata nesse indicador.
Hoje, os R$ 733,77 necessários para adquirir os alimentos básicos representam 45,27% do rendimento mínimo.
Em janeiro de 2025, por exemplo, o percentual era quase quatro pontos maior, evidenciando ganho relativo de renda alimentar.
A última vez que o índice esteve em nível semelhante foi em agosto de 2020, quando a cesta correspondia a 45,82% do salário mínimo vigente.
Quais alimentos puxaram a queda do preço alimentos
Entre os itens que mais contribuíram para a redução do custo total, a proteína bovina teve papel central.
O chã-de-dentro registrou recuo de 4,09% no período e foi o principal vetor de queda, mesmo sem liderar a variação percentual.
Outros produtos importantes também ajudaram a conter o valor da cesta básica:
Banana caturra: -15,28%;
Arroz: -5,35%;
Açúcar cristal: -4,26%.
Como esses itens possuem peso relevante no consumo doméstico, qualquer oscilação impacta diretamente o cálculo final.
Altas pontuais pressionam inflação alimentos
Por outro lado, nem todos os produtos acompanharam o movimento de baixa.
Alguns itens registraram elevação expressiva no preço alimentos, pressionando parcialmente o índice.
Os principais aumentos foram:
Tomate: +15%;
Batata inglesa: +9%;
Feijão carioquinha: +3,40%.
No caso do tomate, fatores climáticos tiveram influência direta.
As chuvas intensas na Região Metropolitana de Belo Horizonte afetaram a produção e a logística, elevando custos.
Clima explica disparada de hortifrutis
Produtos hortifrutigranjeiros são altamente sensíveis às condições climáticas.
Excesso de chuva compromete colheita, transporte e conservação, reduzindo oferta e pressionando preços.
Esse efeito foi sentido principalmente no tomate, alimento básico da dieta brasileira.
Assim, mesmo com a queda geral da cesta básica, oscilações pontuais ainda refletem vulnerabilidades da cadeia agrícola.
Inflação alimentos desacelera na capital mineira
O comportamento da inflação alimentos reforça o cenário de alívio.
O indicador registrou recuo de 0,67% em janeiro no índice geral da capital.
Segundo o responsável pela pesquisa:
“A queda (no preço da cesta básica) veio no mesmo compasso da inflação que subiu menos em BH neste mês, acompanhando o comportamento dos alimentos”, afirma o responsável pela pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes.
Apesar disso, outros custos urbanos impediram desaceleração maior da inflação cheia.
Serviços e tarifas mantêm inflação positiva
Mesmo com alimentos mais baratos, o índice geral fechou em alta de 1,13%. Entre os fatores que pressionaram o custo de vida estão:
Reajuste do ônibus urbano;
Aumento do IPTU;
Alta no custo do emprego doméstico.
Ou seja, o alívio no supermercado foi parcialmente compensado por despesas de serviços.
Comparativo histórico do preço alimentos
A análise anual mostra que o custo atual está distante dos picos recentes.
Em março de 2025, por exemplo, a cesta básica chegou a R$ 780,66 — quase R$ 50 acima do valor atual.
Outros marcos:
Novembro de 2025: R$ 730,55;
Janeiro de 2025: R$ 754,34.
Isso indica tendência de acomodação ao longo do último ano.
Perspectivas para os próximos meses
O cenário futuro ainda é incerto. Fatores como clima, safra, câmbio e custos logísticos podem alterar rapidamente o preço alimentos.
Segundo Antunes:
“Desde que começou a ser acompanhada pela Fundação (Ipead) nos anos 1990, quando surgiu o Plano Real, ela já chegou a custar quase 80% do salário mínimo vigente da época.
(A relação atual) é um valor bem alto, quando a gente olha uma relação de salário de um trabalhador mais simples com o custo de uma cesta pretensamente considerada básica”.
Portanto, embora o momento seja de alívio relativo, o peso da alimentação ainda segue elevado no orçamento popular.
Veja mais em: Preço da cesta básica em BH tem queda de 1,21% em janeiro

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