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Preço alimentos recua e cesta básica fica mais barata em Belo Horizonte

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 06/02/2026 às 09:46
Atualizado em 06/02/2026 às 09:47
Queda da cesta básica em BH reduz impacto no salário mínimo e acompanha desaceleração da inflação alimentos.
Foto: IA
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Queda da cesta básica em BH reduz impacto no salário mínimo e acompanha desaceleração da inflação alimentos.

O preço da cesta básica em Belo Horizonte apresentou queda de 1,21% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).

O custo médio passou a R$ 733,77, refletindo diretamente o comportamento da inflação alimentos na capital mineira.

O movimento foi influenciado principalmente pela redução no preço alimentos essenciais e ocorreu no início de 2026, na Região Metropolitana da capital.

Como resultado, o peso sobre o salário mínimo atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos. 

Então em termos proporcionais, o valor atual compromete 45,27% do piso nacional, hoje fixado em R$ 1.621.

Assim, apesar de ainda elevado, o indicador mostra alívio no orçamento das famílias, especialmente das faixas de renda mais baixas. 

Cesta básica tem impacto menor sobre o salário mínimo 

Assim, a relação entre cesta básica e salário mínimo é um dos principais termômetros do poder de compra.

Com o reajuste do piso nacional definido pelo Ministério do Planejamento e Orçamento no fim de 2025, houve melhora imediata nesse indicador. 

Hoje, os R$ 733,77 necessários para adquirir os alimentos básicos representam 45,27% do rendimento mínimo.

Em janeiro de 2025, por exemplo, o percentual era quase quatro pontos maior, evidenciando ganho relativo de renda alimentar. 

A última vez que o índice esteve em nível semelhante foi em agosto de 2020, quando a cesta correspondia a 45,82% do salário mínimo vigente. 

Quais alimentos puxaram a queda do preço alimentos 

Entre os itens que mais contribuíram para a redução do custo total, a proteína bovina teve papel central.

O chã-de-dentro registrou recuo de 4,09% no período e foi o principal vetor de queda, mesmo sem liderar a variação percentual. 

Outros produtos importantes também ajudaram a conter o valor da cesta básica

Banana caturra: -15,28%;

Arroz: -5,35%;

Açúcar cristal: -4,26%.

Como esses itens possuem peso relevante no consumo doméstico, qualquer oscilação impacta diretamente o cálculo final. 

Altas pontuais pressionam inflação alimentos 

Por outro lado, nem todos os produtos acompanharam o movimento de baixa.

Alguns itens registraram elevação expressiva no preço alimentos, pressionando parcialmente o índice. 

Os principais aumentos foram: 

Tomate: +15%;

Batata inglesa: +9%;

Feijão carioquinha: +3,40%.

No caso do tomate, fatores climáticos tiveram influência direta.

As chuvas intensas na Região Metropolitana de Belo Horizonte afetaram a produção e a logística, elevando custos. 

Clima explica disparada de hortifrutis 

Produtos hortifrutigranjeiros são altamente sensíveis às condições climáticas.

Excesso de chuva compromete colheita, transporte e conservação, reduzindo oferta e pressionando preços. 

Esse efeito foi sentido principalmente no tomate, alimento básico da dieta brasileira.

Assim, mesmo com a queda geral da cesta básica, oscilações pontuais ainda refletem vulnerabilidades da cadeia agrícola. 

Inflação alimentos desacelera na capital mineira 

O comportamento da inflação alimentos reforça o cenário de alívio.

O indicador registrou recuo de 0,67% em janeiro no índice geral da capital. 

Segundo o responsável pela pesquisa: 

“A queda (no preço da cesta básica) veio no mesmo compasso da inflação que subiu menos em BH neste mês, acompanhando o comportamento dos alimentos”, afirma o responsável pela pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes. 

Apesar disso, outros custos urbanos impediram desaceleração maior da inflação cheia. 

Serviços e tarifas mantêm inflação positiva 

Mesmo com alimentos mais baratos, o índice geral fechou em alta de 1,13%. Entre os fatores que pressionaram o custo de vida estão: 

Reajuste do ônibus urbano;

Aumento do IPTU;

Alta no custo do emprego doméstico.

Ou seja, o alívio no supermercado foi parcialmente compensado por despesas de serviços. 

Comparativo histórico do preço alimentos 

A análise anual mostra que o custo atual está distante dos picos recentes.

Em março de 2025, por exemplo, a cesta básica chegou a R$ 780,66 — quase R$ 50 acima do valor atual. 

Outros marcos: 

Novembro de 2025: R$ 730,55;

Janeiro de 2025: R$ 754,34.

Isso indica tendência de acomodação ao longo do último ano. 

Perspectivas para os próximos meses 

O cenário futuro ainda é incerto. Fatores como clima, safra, câmbio e custos logísticos podem alterar rapidamente o preço alimentos

Segundo Antunes: 

“Desde que começou a ser acompanhada pela Fundação (Ipead) nos anos 1990, quando surgiu o Plano Real, ela já chegou a custar quase 80% do salário mínimo vigente da época.

(A relação atual) é um valor bem alto, quando a gente olha uma relação de salário de um trabalhador mais simples com o custo de uma cesta pretensamente considerada básica”. 

Portanto, embora o momento seja de alívio relativo, o peso da alimentação ainda segue elevado no orçamento popular. 

Veja mais em: Preço da cesta básica em BH tem queda de 1,21% em janeiro

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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