Custo inicial, modelo de contratação e desafios técnicos ajudam a explicar por que o pavimento rígido ainda é exceção nas estradas federais brasileiras
O pavimento de concreto, também conhecido como pavimento rígido, é amplamente utilizado em rodovias dos Estados Unidos e da Alemanha, especialmente em trechos com tráfego intenso de caminhões. No Brasil, porém, essa solução ainda aparece de forma pontual nas rodovias federais.
A diferença não está na falta de tecnologia ou de normas técnicas. O país possui manuais, projetos e capacidade industrial, mas enfrenta obstáculos econômicos, operacionais e culturais que mantêm o asfalto como escolha dominante.
O peso do custo inicial e do modelo de licitação
Um dos principais fatores está no custo inicial mais elevado do pavimento de concreto em comparação ao asfalto. Em obras públicas, a escolha do material costuma priorizar o menor valor imediato da construção.
-
Chamado de “material do futuro”, o “bambu engenheirado” que a China criou desmonta a planta até a fibra e a reconstrói tão resistente que chega a “superar o aço”, e promete virar um substituto da madeira mais barato e sustentável na construção
-
Chamado de “novo Nilo”, o megaprojeto que o Egito acaba de inaugurar cava um “rio artificial” de 170 km no deserto para transformar 9 mil km² de areia em lavoura, mas o “milagre” depende de uma água que, segundo especialistas, pode estar acabando
-
Sem conseguir uma hipoteca por ser autônoma, uma mãe solo “driblou” o aluguel e o financiamento, projetou a própria casa flutuante e montou por dentro um barco de 20 metros: hoje mora “fora da rede” num canal da Inglaterra com os dois filhos e painéis solares
-
Homem transforma contêiner marítimo enferrujado em casa de luxo com espuma isolante nas paredes, amplos vidros e acabamento em drywall, e o resultado engana quem vê de fora
Esse modelo de contratação favorece soluções com desembolso inicial menor, mesmo quando elas exigem manutenção mais frequente ao longo dos anos. O concreto, apesar de mais durável, perde espaço porque o benefício aparece no longo prazo.
Além disso, contratos de curta duração dificultam a adoção de sistemas que exigem planejamento de ciclo de vida e acompanhamento técnico mais rigoroso.
Diferenças técnicas entre asfalto e concreto

O asfalto funciona como um pavimento flexível, que se deforma mais sob carga e exige intervenções periódicas. O concreto trabalha de forma diferente, com placas rígidas que distribuem melhor o peso dos veículos, especialmente de caminhões pesados.
Esse sistema exige projeto detalhado de juntas, controle preciso de espessura e uso de elementos como barras de transferência para absorver esforços. A execução precisa ser altamente controlada, o que aumenta a complexidade da obra.
Uma execução inadequada pode gerar desconforto de rolamento e necessidade de correções, o que historicamente gerou resistência à adoção em larga escala.

Por que Estados Unidos e Alemanha adotam o concreto com mais frequência
Nos Estados Unidos, a análise de pavimentos costuma considerar o custo ao longo da vida útil, e não apenas o valor da obra inicial. Isso abre espaço para soluções que reduzem paradas, reparos e interdições futuras.
Na Alemanha, o uso intenso de caminhões em rodovias federais levou à adoção de pavimentos mais resistentes em corredores estratégicos. O concreto aparece como alternativa para reduzir deformações e prolongar a vida útil da pista em trechos de alto esforço.
Nesses países, a experiência acumulada e a padronização técnica reduziram riscos de execução, tornando o pavimento rígido uma escolha comum.
O que começa a mudar no Brasil
No Brasil, o uso de concreto vem crescendo em trechos específicos, principalmente onde o desgaste do asfalto é mais rápido. Técnicas como o whitetopping, que aplica concreto sobre pavimento asfáltico existente, passaram a ser adotadas em projetos de restauração.
Há também avanço em novos contratos que já consideram maior durabilidade e menor necessidade de manutenção, especialmente em rodovias com tráfego pesado contínuo.
Esse movimento indica uma mudança gradual na forma de avaliar investimentos em infraestrutura rodoviária.

Idealmente, deve-se ter uma camada de asfalto acima do concreto, em contato direto com os pneus; sendo muito menos maleável, o coeficiente de atrito do concreto é menor que o do asfalto, trazendo menos segurança.
Paraná já estão colocando concretos nas rodovias, sempre a frente dos outros estados!
A décadas atrás na Br 101 trecho do Pernambuco antes da capital já existia um trecho pavimentado em concreto, naquela época era ruim