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6 comentários 3 min de leitura

Concreto nas rodovias federais ainda é exceção no Brasil, mesmo com normas e tecnologia disponíveis; custo inicial, modelo de licitação e execução mais complexa explicam por que o asfalto segue dominante

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 19/12/2025 às 10:39
Concreto reduz reparos e pode baixar custo total, mas exige obra mais controlada e risco de desconforto se mal executado; saiba quais erros históricos aumentaram a resistência ao pavimento rígido
Concreto reduz reparos e pode baixar custo total, mas exige obra mais controlada e risco de desconforto se mal executado; saiba quais erros históricos aumentaram a resistência ao pavimento rígido
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Custo inicial, modelo de contratação e desafios técnicos ajudam a explicar por que o pavimento rígido ainda é exceção nas estradas federais brasileiras

O pavimento de concreto, também conhecido como pavimento rígido, é amplamente utilizado em rodovias dos Estados Unidos e da Alemanha, especialmente em trechos com tráfego intenso de caminhões. No Brasil, porém, essa solução ainda aparece de forma pontual nas rodovias federais.

A diferença não está na falta de tecnologia ou de normas técnicas. O país possui manuais, projetos e capacidade industrial, mas enfrenta obstáculos econômicos, operacionais e culturais que mantêm o asfalto como escolha dominante.

O peso do custo inicial e do modelo de licitação

Um dos principais fatores está no custo inicial mais elevado do pavimento de concreto em comparação ao asfalto. Em obras públicas, a escolha do material costuma priorizar o menor valor imediato da construção.

Esse modelo de contratação favorece soluções com desembolso inicial menor, mesmo quando elas exigem manutenção mais frequente ao longo dos anos. O concreto, apesar de mais durável, perde espaço porque o benefício aparece no longo prazo.

Além disso, contratos de curta duração dificultam a adoção de sistemas que exigem planejamento de ciclo de vida e acompanhamento técnico mais rigoroso.

Diferenças técnicas entre asfalto e concreto

O pavimento de concreto oferece maior durabilidade, suporta melhor o tráfego pesado e tende a exigir menos manutenção, reduzindo interdições e custos ao longo do tempo em rodovias de alta demanda

O asfalto funciona como um pavimento flexível, que se deforma mais sob carga e exige intervenções periódicas. O concreto trabalha de forma diferente, com placas rígidas que distribuem melhor o peso dos veículos, especialmente de caminhões pesados.

Esse sistema exige projeto detalhado de juntas, controle preciso de espessura e uso de elementos como barras de transferência para absorver esforços. A execução precisa ser altamente controlada, o que aumenta a complexidade da obra.

Uma execução inadequada pode gerar desconforto de rolamento e necessidade de correções, o que historicamente gerou resistência à adoção em larga escala.

O pavimento asfáltico tem execução mais rápida, costuma ter custo inicial menor e permite reparos localizados com agilidade, facilitando intervenções e ajustes no tráfego com menor complexidade operacional

Por que Estados Unidos e Alemanha adotam o concreto com mais frequência

Nos Estados Unidos, a análise de pavimentos costuma considerar o custo ao longo da vida útil, e não apenas o valor da obra inicial. Isso abre espaço para soluções que reduzem paradas, reparos e interdições futuras.

Na Alemanha, o uso intenso de caminhões em rodovias federais levou à adoção de pavimentos mais resistentes em corredores estratégicos. O concreto aparece como alternativa para reduzir deformações e prolongar a vida útil da pista em trechos de alto esforço.

Nesses países, a experiência acumulada e a padronização técnica reduziram riscos de execução, tornando o pavimento rígido uma escolha comum.

O que começa a mudar no Brasil

No Brasil, o uso de concreto vem crescendo em trechos específicos, principalmente onde o desgaste do asfalto é mais rápido. Técnicas como o whitetopping, que aplica concreto sobre pavimento asfáltico existente, passaram a ser adotadas em projetos de restauração.

Há também avanço em novos contratos que já consideram maior durabilidade e menor necessidade de manutenção, especialmente em rodovias com tráfego pesado contínuo.

Esse movimento indica uma mudança gradual na forma de avaliar investimentos em infraestrutura rodoviária.

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Celme da Silva Caetano Junior
Celme da Silva Caetano Junior
25/12/2025 22:28

Idealmente, deve-se ter uma camada de asfalto acima do concreto, em contato direto com os pneus; sendo muito menos maleável, o coeficiente de atrito do concreto é menor que o do asfalto, trazendo menos segurança.

Sérgio dos Reis
Sérgio dos Reis
25/12/2025 17:31

Paraná já estão colocando concretos nas rodovias, sempre a frente dos outros estados!

Nathanael Junior
Nathanael Junior
25/12/2025 09:38

A décadas atrás na Br 101 trecho do Pernambuco antes da capital já existia um trecho pavimentado em concreto, naquela época era ruim

Fonte
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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