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Por mais de um século, moradores caminharam sobre um parque sem saber que havia sob seus pés um “palácio afundado” com 248 arcos, teto de quase 6 metros e espaço para 1 milhão de galões; agora a cidade quer abrir uma entrada na montanha e transformar o reservatório em atração

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Escrito por Ana Alice Publicado em 15/07/2026 às 23:36 Atualizado em 15/07/2026 às 23:38
Reservatório vitoriano escondido sob parque no País de Gales pode virar atração com 248 arcos, tecnologia imersiva e entrada na encosta. (Imagem: Ilustrativa)
Reservatório vitoriano escondido sob parque no País de Gales pode virar atração com 248 arcos, tecnologia imersiva e entrada na encosta. (Imagem: Ilustrativa)
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Escondido sob um parque histórico no norte do País de Gales, um reservatório vitoriano revela dimensões incomuns, décadas de abandono e um projeto que pretende transformar sua arquitetura subterrânea em uma nova experiência cultural.

Um reservatório subterrâneo construído no século 19 sob o parque Happy Valley, em Llandudno, no norte do País de Gales, poderá ser transformado em uma atração cultural aberta durante todo o ano.

Chamado de “palácio afundado” por causa de suas dimensões e da sequência de 248 arcos de tijolos vermelhos, o espaço permaneceu fora do alcance do público por décadas e hoje só pode ser acessado por uma abertura estreita.

Batizado de Llandudno Vaults, o projeto prevê a criação de uma entrada na encosta do parque para permitir o acesso regular ao antigo reservatório.

A proposta, ainda em fase de desenvolvimento, combina preservação histórica, recursos digitais e narrativas inspiradas na mitologia galesa.

O pedido de autorização urbanística deverá ser apresentado ainda em 2026, segundo os responsáveis pela iniciativa.

A estrutura tem abóbadas que chegam a quase seis metros de altura e ocupa aproximadamente um terço de acre, área equivalente a cerca de 1.350 metros quadrados.

Quando estava em funcionamento, a água atingia profundidade próxima de 3,6 metros e o reservatório podia armazenar até 1 milhão de galões imperiais, o equivalente a aproximadamente 4,5 milhões de litros.

Engenharia vitoriana escondida sob o parque Happy Valley

Conhecido como Fach Reservoir, o reservatório foi construído na segunda metade do século 19, período em que Llandudno passava por expansão urbana e precisava ampliar o fornecimento de água.

A instalação subterrânea ajudava a enfrentar a escassez que atingia a cidade litorânea e outras áreas próximas.

Em vez de um salão único sustentado por poucas colunas, os engenheiros adotaram uma rede de arcos e pilares de tijolos.

Essa configuração distribuía o peso do teto e permitia manter um grande volume de água abaixo do terreno usado pela população.

A altura das abóbadas e a repetição das estruturas internas deram origem às comparações com uma catedral subterrânea.

O apelido “palácio afundado”, porém, não é a denominação histórica oficial do reservatório.

A expressão passou a ser usada para destacar o aspecto arquitetônico do espaço e sua localização abaixo do nível do parque.

Durante mais de um século, visitantes circularam pelos jardins, terraços e caminhos de Happy Valley sem acesso ao reservatório.

O parque fica próximo ao Great Orme, formação calcária que marca a paisagem de Llandudno, cidade conhecida por sua orla e por construções associadas ao período vitoriano.

Um reservatório sob um parque no País de Gales poderá em breve ser transformado em uma atração. - Imagem: The Sun
Um reservatório sob um parque no País de Gales poderá em breve ser transformado em uma atração. – Imagem: The Sun

Por que o Fach Reservoir deixou de ser usado

O Fach Reservoir perdeu sua função original em meados do século 20.

Com o crescimento da demanda, sua capacidade deixou de atender às necessidades do sistema de abastecimento, e outras estruturas passaram a fornecer água à região.

Depois da desativação, o interior permaneceu isolado.

Sem uma entrada convencional, a circulação ficou restrita a acessos técnicos, incluindo uma passagem semelhante a um bueiro.

Essa limitação também ajudou a conservar parte da configuração interna, embora qualquer abertura ao público dependa de avaliações estruturais, obras de segurança e aprovação das autoridades locais.

A proposta atual não prevê devolver ao local sua função de armazenamento.

O objetivo é adaptar o espaço para receber visitantes sem eliminar os elementos que identificam a obra de engenharia vitoriana, como os arcos, as colunas e os tetos abobadados.

Segundo o diretor administrativo do Llandudno Vaults, Andy White, milhares de pessoas atravessaram Happy Valley ao longo das décadas sem perceber o que existia sob o terreno.

Ele afirmou que a intenção é revelar o reservatório de maneira compatível com sua história e, ao mesmo tempo, criar uma nova experiência para o público.

Como deverá funcionar a atração Llandudno Vaults

O plano apresentado pelos responsáveis transforma o reservatório em um espaço de experiências imersivas.

Em termos simples, isso significa usar iluminação, som, projeções e sistemas interativos para que o visitante acompanhe histórias enquanto percorre o ambiente.

A primeira fase deverá explorar mitos, criaturas e tradições do País de Gales por meio de música, narrativa e tecnologia digital.

O site oficial menciona recursos como hologramas, realidade aumentada e ambientes responsivos, nos quais imagens ou sons podem mudar de acordo com os movimentos e as ações do público.

Essas ferramentas ainda fazem parte da concepção do projeto e não representam equipamentos já instalados.

A iniciativa permanece em estágio inicial, com estudos de viabilidade, desenvolvimento de projeto e busca por parceiros para as etapas seguintes.

A proposta também pretende estabelecer uma ligação entre duas épocas de inovação.

No século 19, o reservatório representava uma solução de engenharia destinada ao abastecimento urbano.

No projeto atual, a mesma estrutura poderá receber tecnologias voltadas à apresentação de histórias e manifestações culturais.

O material institucional descreve o futuro espaço como uma atração cultural permanente, com funcionamento ao longo do ano.

A transformação, no entanto, dependerá da obtenção das licenças, da definição das intervenções arquitetônicas e da captação dos recursos necessários para executar as obras.

A equipe responsável pelo projeto deve solicitar a autorização de planejamento ainda este ano. Crédito: Llandudno Vaults PR
Crédito: Llandudno Vaults PR

Nova entrada na encosta de Happy Valley

Uma das principais mudanças será a abertura de um acesso na encosta de Happy Valley.

Atualmente, a passagem disponível não oferece condições para o fluxo de visitantes, nem atende às exigências normalmente aplicadas a espaços turísticos.

A entrada planejada terá de considerar rotas de evacuação, ventilação, acessibilidade, iluminação e controle do número de pessoas.

Como se trata de uma construção subterrânea antiga, as intervenções também precisarão limitar impactos sobre os tijolos, os arcos e os demais componentes históricos.

Até julho de 2026, os organizadores haviam obtido 20 mil libras para avançar nos primeiros trabalhos relacionados ao empreendimento.

O site oficial informa que a iniciativa entrou em uma nova fase após estudos de viabilidade, elaboração do conceito e contato com representantes locais.

Ainda não foram divulgados o custo completo das obras, a data de inauguração, o preço dos ingressos ou a capacidade diária prevista para o espaço.

Enquanto o processo avança, o reservatório permanece fechado ao público.

A abertura dependerá do resultado do licenciamento e da execução das adaptações necessárias para transformar uma antiga infraestrutura de abastecimento em um local seguro para visitação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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