O Pix vai ganhar versão para parcelamento padronizado que deve atingir 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito além de operar entre países de forma definitiva e permitir pagamento offline por aproximação enquanto Trump critica o sistema e Lula garante que nada vai mudar
O Pix está prestes a deixar de ser apenas uma ferramenta de transferência para virar uma plataforma financeira completa. Segundo o portal do G1, o Banco Central revelou as novidades que estão em desenvolvimento para os próximos meses e anos, incluindo pix parcelado com regras padronizadas, pix internacional definitivo entre países e pagamento por aproximação que funciona mesmo sem conexão com a internet. E tudo isso acontece num momento em que o sistema brasileiro virou alvo de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que argumenta que o pix prejudica gigantes como Visa e Mastercard.
A dimensão do que está em jogo fica clara quando se olha para os números. Em 2025, o pix registrou R$ 35,36 trilhões em transferências um recorde absoluto. O diretor do Banco Central, Renato Gomes, afirmou que o país está próximo de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. O pix já não é novidade; é infraestrutura. E o que o BC prepara agora é a próxima camada dessa infraestrutura.
O que é o pix parcelado e por que ele pode mudar a vida de 60 milhões de brasileiros
O pix parcelado já existe de forma informal diversas instituições financeiras oferecem linhas de crédito que permitem parcelar pagamentos feitos pelo sistema. Mas cada banco tem suas próprias regras, taxas e condições.
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A escalada de endividamento das famílias brasileiras – de 80,9% para 81,6% do contingente total – de abril a maio, quinta alta consecutiva e o maior nível em 11 anos, deve se manter em trajetória ascendente e sem previsão de retrocesso, atingindo 82% em dezembro próximo.
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O que o Banco Central quer fazer é padronizar esse formato, criando regras únicas que valem para todas as instituições. Quando isso acontecer, a tendência é que a competição entre os bancos aumente e os juros caiam.
O impacto social é enorme. Hoje, cerca de 60 milhões de brasileiros não têm acesso a cartão de crédito.
O pix parcelado padronizado pode se tornar uma alternativa real para essa população, oferecendo a possibilidade de comprar a prazo sem depender de um cartão que o sistema bancário nunca ofereceu a ela. O BC ainda não definiu prazo para a padronização, mas o tema está em discussão ativa e faz parte da agenda evolutiva do pix.
Como vai funcionar o pix internacional de verdade
Quem passou para Argentina, Miami, Orlando ou Lisboa talvez já tenha usado o pix para pagar em alguns estabelecimentos. Mas o Banco Central considera esse modelo atual como “parcial” ele funciona apenas em locais específicos que aderiram ao sistema, sem integração real entre os países.
O pix internacional definitivo, previsto para 2027, pretende interligar sistemas de pagamento instantâneos de diferentes nações , permitindo transferências transfronteiriças com a mesma rapidez que uma transferência entre dois CPFs no Brasil.
Na prática, isso significa que no futuro você poderia enviar dinheiro para alguém em outro país ou pagar por um produto ou serviço lá fora usando o pix diretamente, sem intermediários cambiais caros.
A implementação depende de recursos disponíveis no Banco Central e de acordos bilaterais com outros países , mas a direção está traçada. O pix nasceu como ferramenta doméstica; o plano é torná-lo um sistema com alcance global.
Pix por aproximação sem internet e o modelo offline que está sendo desenvolvido
O pix por aproximação já existe para quem usa Android a experiência é parecida com encostar o cartão na maquininha. Mas a próxima evolução é ainda mais ambiciosa: o Banco Central trabalha num modelo offline que permite pagar por aproximação mesmo sem estar conectado a Wi-Fi ou rede móvel.
É o tipo de funcionalidade que faz diferença em áreas rurais, em eventos lotados onde a rede fica congestionada ou em qualquer situação em que o celular esteja sem sinal.
Os detalhes técnicos de como isso vão funcionar na prática ainda estão sendo planejados. Mas a ideia de um pix que não depende de internet para funcionar representa uma mudança de paradigma para a ferramenta , que desde sua criação em 2020 sempre houve conexão em tempo real para processar transações.
Se implementado, o modelo offline pode expandir ainda mais o alcance do sistema em regiões do Brasil onde a cobertura de internet ainda é precária.
As novidades do pix que chegam ainda em 2026
Antes do pix internacional e do modelo offline, outras mudanças deverão acontecer já neste ano. A cobrança híbrida, por exemplo, se tornará obrigatória a partir de novembro que o código QR do pix também ofereça a opção de pagamento por boleto.
Isso significa que quem recebe uma cobrança terá duas formas de pagar num único documento pix ou boleto, simplificando a vida tanto de quem cobra quanto de quem paga.
Outra novidade é a duplicata via pix. A funcionalidade permitirá o pagamento de duplicatas escriturais títulos de crédito usados em transações comerciais diretamente pelo sistema, com informações atualizadas em tempo real.
Para pequenos e médios empresários, isso facilita a antecipação de recebíveis e reduz custos operacionais. O pix também será adaptado ao novo sistema tributário: a partir de 2027, com a reforma sobre o consumo, o CBS (tributo federal) será pago automaticamente no ato da compra quando o pagamento for eletrônico.
Pix em garantia pode funcionar como consignado para autônomos
Outra previsão para 2027 é o pix em garantia um modelo que pode funcionar como uma espécie de crédito consignado para quem não tem carteira assinada.
A ideia é que trabalhadores autônomos e profissionais do setor privado possam oferecer como garantia de empréstimos bancários os recebíveis futuros do pix , ou seja, as transferências que receberão pelo sistema nos próximos meses.
Na lógica do crédito, quanto melhor a garantia concedida, menor o juro cobrado. Se um prestador de serviço conseguir comprovar o que recebe regularmente via pix, ele poderia usar esse fluxo como garantia para obter crédito com taxas mais baixas.
Para milhões de brasileiros que trabalham por conta própria e hoje pagam juros altíssimos por falta de garantias formais, o pix em garantia pode representar acesso a crédito mais barato pela primeira vez.
Os números que explicam por que o pix virou alvo de Trump
O crescimento do pix nos últimos cinco anos explica tanto a excitação do Banco Central quanto a confiança do governo americano. Em 2021, primeiro ano completo de operação, o sistema movimentou R$ 5,2 trilhões.
Em 2022, saltou para R$ 10,89 trilhões. Em 2023, R$ 17,12 trilhões. Em 2024, R$ 26,46 trilhões. E em 2025, o pix bateu recorde com R$ 35,36 trilhões em transferências um crescimento de quase sete vezes em quatro anos.
Esse avanço aconteceu em cima de território que antes alcançou bandeiras como Visa e Mastercard. Pagamentos que passaram por maquininhas de cartão empresariais gerando taxas para essas migraram para o pix, que é gratuito para pessoas físicas.
Trump criticou o sistema argumentando que ele prejudicou os gigantes americanos de cartões de crédito, e o presidente Lula reagiu dizendo que ninguém vai fazer o governo brasileiro mudar o pix.
A disputa ganhou contexto depois que o USTR incluiu o sistema brasileiro num relatório sobre barreiras comerciais, mas o governo brasileiro trata a questão de soberania tecnológica.
Como o pix evoluiu de transferência simples para ecossistema financeiro
Quando foi lançado em novembro de 2020, o pix fazia uma coisa: transferir dinheiro de uma conta para outra em segundos. Cinco anos depois, a ferramenta acumula uma lista de funcionalidades que transformaram um ecossistema completo.
A Cobrança pix substituiu o boleto em muitas transações comerciais. O pix Saque e o pix Troco transformaram lojas em pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro físico.
O pix Agendado trouxe previsibilidade para pagamentos periódicos. O pix Automático democratizou o subsídio automático, que antes era concentrado em grandes instituições. E a integração com o Open Finance ampliou o alcance das transações digitais, permitindo o início de pagamentos a partir de diferentes plataformas.
O pix também foi responsável por trazer milhões de brasileiros para dentro do sistema financeiro pessoas que antes recebiam salário, sacavam tudo em dinheiro e não usavam mais suas contas bancárias.
Quais dessas novidades do pix você mais espera? O parcelado, o internacional ou o pagamento offline? Conta nos comentários.

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