A Aguila Energia arrematou dois blocos na Bacia do Tacutu, em Roraima, por bônus de R$ 77 mil cada. Antes de perfurar, quer investir em sísmica 3D e só cogita avançar para a Guiana se encontrar hidrocarbonetos no Brasil.
Dois blocos de exploração de petróleo em Roraima, arrematados por bônus de R$ 77 mil cada, podem abrir uma nova frente de investigação geológica para a Aguila Energia. A companhia anunciou que pretende começar pela aquisição de dados sísmicos na Bacia do Tacutu, perto da fronteira com a Guiana, antes de pensar em perfurar.
Em entrevista publicada em 15 de outubro pela Agência iNFRA, o representante da Aguila Capital Blener Mayhew afirmou que a empresa não descarta negócios no país vizinho, mas somente se a exploração brasileira trouxer sinais promissores. Não existe descoberta comercial anunciada nem entrada confirmada na Guiana.

Blocos na fronteira somam 856 km² e foram arrematados sem disputa
Os blocos TCT-T-01 e TCT-T-02 possuem, respectivamente, 202 km² e 654 km². Segundo a empresa, ambos foram adquiridos integralmente na rodada de oferta permanente de concessão da ANP, com bônus de assinatura de R$ 77 mil por bloco.
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O executivo explicou que a proximidade da Bacia do Tacutu com a Guiana foi um dos fatores decisivos. Mas também apontou limitações ao tamanho das áreas ofertadas, em razão de recortes territoriais que consideram áreas indígenas.
Empresa não quer perfurar no escuro: o próximo passo é mapear o subsolo
Em uma fronteira exploratória com poucos dados disponíveis, a prioridade será investir em sísmica 3D, técnica usada para estudar estruturas geológicas do subsolo. Com essas imagens, geólogos tentam identificar formações em que hidrocarbonetos poderiam ter se acumulado.
A etapa não produz petróleo e tampouco prova que ele existe. Ela serve para decidir se uma campanha de perfuração poderá ser tecnicamente justificável. Mayhew reconheceu à Agência iNFRA o risco da aposta, associado à escassez de informações sobre a região.
Guiana aparece como opção futura, não como investimento contratado
A Guiana ganhou visibilidade internacional por descobertas expressivas de petróleo offshore. A Aguila, porém, condiciona qualquer aproximação aos resultados que vier a obter do lado brasileiro da Bacia do Tacutu.
Sem um achado no Tacutu, a expansão transfronteiriça não seria prioridade de curto prazo. Isso diferencia uma possibilidade estratégica de um anúncio de aquisição efetiva de blocos.

Aguila também ampliou presença nas bacias Potiguar e do Recôncavo
Na mesma rodada da ANP, a empresa arrematou seis blocos na Bacia Potiguar, com bônus de assinatura que somam cerca de R$ 1,6 milhão, e mais quatro no Recôncavo, por R$ 308 mil no total.
O grupo já possui ativos terrestres como Caboclinho Branco, Araçás Leste, Fazenda Sori e Pojuca Norte, em diferentes fases de regularização e desenvolvimento. Essa carteira ajuda a entender por que a aposta em Tacutu é uma frente adicional, e não a única operação brasileira do grupo.
A descoberta ainda não aconteceu: o mercado espera dados geológicos
O roteiro anunciado é claro: adquirir sísmica, interpretar resultados e, apenas caso existam condições favoráveis, decidir sobre poços exploratórios. Até lá, não há volume recuperável, data de primeiro óleo nem promessa verificável de produção comercial em Roraima.
Com um custo inicial de entrada relativamente baixo, a empresa assumiu uma aposta geológica cujo verdadeiro tamanho só começará a aparecer nos levantamentos.
