De inspeções em áreas isoladas a operações durante enchentes, profissionais utilizam novas ferramentas para localizar falhas e manter serviços essenciais funcionando.
O trabalho dos eletricistas brasileiros passou por mudanças importantes nos últimos anos. Atividades que antes dependiam principalmente de esforço físico agora contam com drones, equipamentos automatizados e sistemas digitais capazes de acompanhar as condições das redes elétricas. No Dia do Eletricista, celebrado em 17 de outubro, o Grupo Equatorial destaca essa transformação, que envolve aproximadamente 21 mil profissionais em sete distribuidoras de energia elétrica.
A modernização também trouxe novas exigências para a profissão. Além de reparar cabos e restabelecer o fornecimento de energia, os eletricistas precisam interpretar informações digitais e atuar em situações de emergência. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul mostraram a complexidade dessas operações. Em 2026, a companhia mobilizou 165 profissionais de outras concessões para reforçar os atendimentos no estado.
Tecnologia transformou atividades braçais e mudou a rotina dos eletricistas nas distribuidoras
Durante muitos anos, a manutenção das redes elétricas exigiu grande esforço físico dos profissionais. Com a modernização, caminhões com cestos aéreos hidráulicos, alicates hidráulicos e ferramentas elétricas portáteis passaram a facilitar determinadas atividades. Esses equipamentos ajudam a reduzir o esforço necessário durante intervenções e tornam parte dos serviços mais ágil.
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Douglas Misael Moreira da Silva, de 38 anos, trabalha na CEEE Equatorial, no Rio Grande do Sul. Ele ingressou na profissão em 2008 e acompanhou a chegada dessas tecnologias. Segundo o eletricista, o sistema SIGA permite localizar ocorrências com maior precisão, enquanto o Centro de Operações orienta os deslocamentos e informa as condições encontradas na rede.
Drones e sistema ADMS ajudam a identificar falhas e monitorar a distribuição de energia elétrica
A digitalização também modificou a maneira como as distribuidoras acompanham suas redes. O ADMS (Advanced Distribution Management System) reúne informações operacionais e permite monitorar ocorrências em tempo real. Dessa forma, os centros de operações conseguem orientar as equipes e identificar pontos que precisam de atendimento.
Os drones representam outro avanço importante. Esses equipamentos permitem inspecionar componentes da rede em áreas de mata, regiões alagadas e locais de difícil acesso. Segundo Joe Louis Tavares Morra, superintendente de Operações do Grupo Equatorial, os profissionais também precisam dominar tablets, mapas digitais e ferramentas de compartilhamento de informações. Apesar da automação, a avaliação técnica e os reparos continuam dependendo dos eletricistas.
Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul exigiram travessias com cordas e apoio dos bombeiros
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 colocaram os eletricistas diante de condições especialmente difíceis. Durante os atendimentos, Douglas precisou atravessar ruas inundadas com água na altura dos joelhos. Em algumas situações, as equipes utilizaram cordas e receberam apoio do Corpo de Bombeiros.
O profissional também participou de uma operação que exigiu a travessia de um rio para alcançar uma comunidade. Essas experiências demonstram como os eventos climáticos extremos ampliam os desafios da manutenção elétrica, especialmente quando estradas e áreas de acesso ficam comprometidas.
Grupo Equatorial enviou 165 profissionais para reforçar atendimentos emergenciais em 2026
O monitoramento meteorológico passou a integrar a preparação das distribuidoras para tempestades e chuvas intensas. Quando há previsão de eventos severos, o Grupo Equatorial reorganiza escalas e reforça seus centros de operações. Em situações mais graves, a companhia também pode deslocar equipes de outras concessões.
Em 2026, esse modelo permitiu mobilizar 165 profissionais para o Rio Grande do Sul. Desse total, 86 foram destinados à manutenção pesada e 79 ao atendimento de emergências. Segundo Joe Louis Tavares Morra, o objetivo dessas medidas é ampliar a capacidade de resposta e acelerar o restabelecimento do fornecimento de energia.
Segurança dos eletricistas exige cinco procedimentos antes de qualquer intervenção na rede
A evolução dos equipamentos não eliminou os riscos associados ao trabalho com eletricidade. Por isso, o Grupo Equatorial estabelece cinco procedimentos de segurança: análise preliminar de riscos, desenergização do circuito, bloqueio e sinalização dos equipamentos, verificação da ausência de tensão e aterramento temporário.
Essas medidas são acompanhadas pelo uso de equipamentos de proteção e pela capacitação contínua dos profissionais. Durante tempestades e enchentes, os cuidados ganham ainda mais importância, pois as condições de trabalho podem apresentar dificuldades adicionais.
Distribuidoras do Grupo Equatorial atendem mais de 14 milhões de clientes em sete estados
O Grupo Equatorial mantém operações de distribuição de energia no Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul, Amapá e Goiás. Segundo informações institucionais da companhia, suas concessionárias atendem mais de 14 milhões de clientes e abrangem aproximadamente 28% do território brasileiro.
A empresa também informa que representa cerca de 13% do mercado nacional de distribuição elétrica. Além desse segmento, atua em telecomunicações, comercialização de energia, geração distribuída e saneamento.
A trajetória dos eletricistas mostra como a profissão passou a combinar conhecimento técnico, ferramentas digitais e capacidade de resposta a emergências. Embora os sistemas inteligentes facilitem a identificação de falhas, o trabalho humano permanece indispensável para recuperar redes danificadas e garantir o funcionamento de serviços essenciais à população.
