A marca de 3 milhões de barris conta só petróleo e só a parte da Petrobras nos campos com sócias; a estatal roda agora um pouco abaixo dos 2,92 milhões por causa de paradas programadas, disse a presidente no congresso ROG.e, no Rio de Janeiro.
A Petrobras está perto de produzir 3 milhões de barris de petróleo por dia, disse a presidente Magda Chambriard em 24 de setembro de 2026. A estatal brasileira já chegou a 2,92 milhões.
Ela falou numa mesa do congresso ROG.e, no Rio de Janeiro, segundo a Reuters. “A gente já chegou a produzir na ProRata Petrobras 2,92 milhões de barris por dia”, disse. De abril a junho, a média de petróleo da empresa foi de 2,69 milhões, mostra o relatório de produção do segundo trimestre.
Os 3 milhões de barris contam só petróleo e só a fatia da Petrobras
Pro rata quer dizer proporcional. Quando a Petrobras divide um campo com sócias, só a fatia dela entra na marca de 3 milhões de barris. É essa régua que a empresa registra como produção própria nos relatórios trimestrais.
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A outra régua é a produção operada: tudo o que sai das plataformas da Petrobras, inclusive a parte das sócias. No segundo trimestre de 2026, a operada chegou a 4,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia, informa a empresa. A própria, com gás, ficou em 3,34 milhões.
O gás é o que mais confunde. Convertido em barris de óleo equivalente e somado ao petróleo, ele põe a produção própria acima de 3 milhões de barris em todos os trimestres desde o terceiro de 2025, quando a soma chegou a 3,14 milhões, conforme a Petrobras.
A marca citada por Magda é outra: só o petróleo, que no relatório aparece como óleo e LGN, o líquido separado do gás natural.
Os 2,92 milhões ficam a 80 mil dos 3 milhões de barris
Magda falou dos 2,92 milhões como marca já alcançada, não como o ritmo atual. Hoje, disse, a Petrobras opera um pouco abaixo por causa de paradas programadas, as manutenções planejadas em que uma plataforma reduz ou interrompe a produção.
A distância para a média do segundo trimestre, que a Petrobras registrou em 2,689 milhões, é de 231 mil barris por dia. Em porcentagem, a marca fica 8,6% acima da média de abril a junho.
Da marca até os 3 milhões de barris, faltam 80 mil por dia. É menos da metade da capacidade da P-79, de 180 mil barris. A plataforma entrou em produção em Búzios em 1º de maio, informa a Petrobras.
De 2,22 milhões para 2,69 milhões em cinco trimestres
O relatório trimestral da Petrobras mostra a subida degrau a degrau. A produção própria de petróleo no Brasil foi de 2,22 milhões de barris por dia no primeiro trimestre de 2025. No segundo, subiu para 2,33 milhões.
No terceiro trimestre de 2025 veio o salto, para 2,52 milhões. O quarto recuou 16 mil barris, para 2,50 milhões, e o ano fechou com média de 2,40 milhões, registra a empresa.
Em 2026, a média subiu para 2,58 milhões de janeiro a março e 2,69 milhões de abril a junho. A alta em 12 meses foi de 15,2%, conforme o relatório do segundo trimestre, e o primeiro semestre ficou em 2,64 milhões.
Búzios passou de 1 milhão de barris por dia com a P-78 e a P-79
O maior empurrão veio de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A P-78 começou a produzir no campo em 31 de dezembro de 2025. A P-79 veio em 1º de maio de 2026, com três meses de antecedência sobre o plano de negócios, segundo a Petrobras.
Cada uma tem capacidade para 180 mil barris por dia. A P-78 levou a capacidade instalada do campo a cerca de 1,15 milhão, e a P-79 a leva a cerca de 1,33 milhão, conforme os relatórios da empresa.
Em 26 de junho, as plataformas do campo produziram em média 1,2 milhão de barris. Junho foi o primeiro mês com média acima de 1 milhão, registra o relatório. Esses números são do campo inteiro, com a parte das sócias.
Outras unidades também subiam a produção de abril a junho, como a Maria Quitéria, em Jubarte, e a Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, do pré-sal. Esta última começou a produzir em maio de 2025, com capacidade de 180 mil barris por dia, informa a Petrobras.
Almirante Tamandaré mostrou que dava para passar da capacidade nominal
Parte do ganho não veio de plataforma nova. Veio de unidades que já estavam no mar e passaram a produzir acima da capacidade nominal. Segundo a Petrobras, isso usa uma margem prevista no projeto e depende do aval dos órgãos reguladores.
A Petrobras cita o FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, no pré-sal, projetado para 225 mil barris por dia. Em 9 de outubro de 2025, ele passou de 250 mil num dia pela primeira vez. Em 25 de outubro, a vazão instantânea bateu o equivalente a 270 mil, 20% acima do nominal, informou a empresa.
Em junho de 2026, a Tamandaré fez média mensal recorde de 253 mil barris por dia, registra o relatório. No campo de Mero, o FPSO Marechal Duque de Caxias chegou a 200 mil barris em setembro de 2025, 20 mil acima do nominal.
Magda disse no ROG.e que melhorias desse tipo em plataformas que já existiam somaram 260 mil barris por dia de capacidade. Dá quase uma P-79 e meia: 260 mil divididos por 180 mil resultam em 1,44.
Petrobras quer repetir o ganho nas plataformas que vêm aí
Para os próximos projetos, a Petrobras pretende repetir o modelo de ganho de eficiência, afirmou Magda no congresso.

No batismo da P-80 e da P-82, em Singapura, Magda listou as que vêm depois. São a P-83, para Búzios, a P-84, para Atapu, e a P-85, para Sépia. “Esperamos alcançar em todas essas unidades produção superior a 225 mil barris por dia”, disse.
A meta de 2026 é 2,5 milhões, e o semestre ficou acima do teto
A meta da Petrobras para 2026 é uma média de 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a Reuters. A margem é de 4% para mais ou para menos, e os 3 milhões de barris ficariam 20% acima do centro.
A faixa vai de 2,4 milhões a 2,6 milhões. A produção própria do primeiro semestre fechou em 2,636 milhões, 36 mil barris acima do teto. Questionada se a Petrobras vai superar a meta, Magda respondeu “espero que sim”, mas disse que não iria prometer.
Em 2025 houve algo parecido. A meta era 2,3 milhões, com a mesma margem, e o teto ficava em 2,392 milhões. A produção fechou em 2,396 milhões, registra o relatório do quarto trimestre.
O plano de negócios previa o pico de 2,7 milhões só em 2028
O plano de negócios 2026-2030 foi aprovado em novembro de 2025. Nele, a Petrobras informou que o pico da produção de petróleo viria em 2028, com 2,7 milhões de barris por dia. Com gás, o pico previsto é de 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia, em 2028 e 2029.
A média de abril a junho de 2026 ficou em 2,69 milhões, mostra o relatório. Já encostou nesse número, que no plano é a média de um ano inteiro.
O que segura a produção enquanto as novas não chegam
Além das paradas programadas citadas por Magda, os campos maduros perdem produção com o tempo. No segundo trimestre, esse declínio natural compensou parte dos ganhos, informa a Petrobras.
As paradas de manutenção pesaram na Bacia de Campos. Principalmente por causa delas, a produção do pós-sal em águas profundas caiu 1,4% sobre o primeiro trimestre, para 356 mil barris por dia, registra o relatório.
No pré-sal, as perdas com manutenção foram menores, e a produção subiu 5% no trimestre, para 2,299 milhões de barris por dia, segundo a empresa.
A manutenção também explica parte da alta. O ganho de eficiência somou 70 mil barris por dia sobre o segundo trimestre de 2025, a capacidade do FPSO Anna Nery, afirma a Petrobras. A empresa credita o resultado ao esforço operacional e aos gastos com manutenção e integridade.
Exportação chegou perto de 1 milhão de barris por dia
Parte do petróleo a mais foi vendida lá fora. De abril a junho de 2026, as exportações chegaram perto de 1 milhão de barris por dia, segundo a Petrobras. A importação de óleo caiu para 89 mil barris por dia, o menor volume desde a pandemia.
P-80 e P-82, de 225 mil barris cada, são as próximas a chegar
As duas plataformas foram batizadas em 27 de agosto de 2026 no estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Singapura, e vão operar em Búzios, no pré-sal. Cada uma tem capacidade para 225 mil barris de petróleo por dia, informou a Petrobras.

Na época, a empresa disse que as duas seguiriam para o Brasil nas semanas seguintes, com a P-80 na frente. O início de produção de ambas está previsto para 2027.
