Anúncio mencionava Monsenhor Horta, distrito de Mariana onde fica a Igreja de São Caetano, e ajudou a relacionar a peça ao patrimônio religioso desaparecido. Após a denúncia, recomendação do Ministério Público interrompeu a negociação e levou a escultura para análise especializada.
Uma imagem sacra de Santa Efigênia que estava desaparecida havia cerca de duas décadas voltou ao acervo da Igreja de São Caetano, em Mariana, depois que uma pessoa reconheceu a peça enquanto ela era oferecida em um site de leilões.
O anúncio apresentava a escultura como Santa Ifigênia — grafia também usada para Efigênia — e mencionava Monsenhor Horta, distrito onde está localizada a igreja. Essas informações permitiram relacionar o objeto ao patrimônio religioso desaparecido da comunidade.
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A identificação ocorreu em novembro de 2025 e foi comunicada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Após receber a denúncia, o órgão recomendou que a empresa responsável retirasse a imagem do leilão e a encaminhasse para análise antes de qualquer definição sobre seu destino.
O Ministério Público de Minas Gerais informou que a perícia confirmou a procedência da escultura e sua vinculação ao acervo da Igreja de São Caetano. Com a identificação técnica concluída, a peça pôde ser restituída à comunidade religiosa.
Anúncio trouxe pistas sobre a procedência

A recuperação não começou com uma apreensão policial nem com a localização da peça em uma coleção particular. O ponto de partida foi sua exposição pública em uma plataforma de leilões, onde informações do próprio anúncio despertaram a atenção de quem reconheceu sua possível origem.
A referência a Monsenhor Horta teve papel importante porque o distrito abriga a igreja à qual a imagem estava vinculada. O local indicado no anúncio, o nome da santa e as características visuais forneceram elementos para que a procedência fosse investigada.
Produzida no século XVIII e de autoria desconhecida, a escultura é feita de madeira e mede 50 centímetros de altura, 24 centímetros de largura e 19 centímetros de profundidade, dimensões registradas entre as características físicas do objeto recuperado.
A imagem representa uma mulher jovem de pele negra, vestida com capa e túnica pretas e detalhes dourados. Na mão esquerda, Santa Efigênia segura uma pequena igreja em chamas, elemento associado à iconografia da santa e ainda reconhecível apesar das intervenções feitas na peça.
Informações reunidas pela ACI Digital indicam que a escultura recebeu pinturas e aplicações de verniz ao longo do tempo, alterações que afetaram sua superfície e reduziram a intensidade de parte dos detalhes dourados e de outras cores.
Apesar dessas intervenções, não foram identificadas trincas ou rachaduras capazes de comprometer a estrutura da imagem. O estado de conservação indicava necessidade de cuidados posteriores de restauração, mas não impediu a confirmação técnica de sua origem.
Memórias da comunidade ajudaram na identificação
A análise não se apoiou apenas nas características físicas da escultura. Duas moradoras de Monsenhor Horta contribuíram com lembranças relacionadas à imagem, acrescentando elementos ao trabalho de identificação realizado após a retirada da peça do circuito de venda.
A historiadora Paula Carolina Novais Miranda, servidora do MPMG que participou do processo de recuperação, relatou durante a devolução que essas memórias contribuíram para confirmar aspectos considerados no parecer técnico.
A escultura foi devolvida em 7 de agosto de 2026, na própria Igreja de São Caetano. Participaram do recebimento representantes religiosos ligados à paróquia e à Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra de Mariana, restabelecendo a presença da imagem no acervo ao qual pertencia.
Construída em 1742, a Igreja de São Caetano fica em Monsenhor Horta, distrito de Mariana, em Minas Gerais. O templo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e preserva um interior marcado por elementos do barroco joanino e detalhes dourados.
A devolução também evidenciou outras perdas registradas naquele conjunto religioso. Durante a cerimônia, o pároco Fabrício Lopes Fernandes informou que imagens de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário também haviam desaparecido do altar da Igreja de São Caetano.
O sacerdote destacou a importância de a própria comunidade conhecer os bens que integram o patrimônio local, porque esse reconhecimento pode contribuir para identificar peças caso elas voltem a aparecer em leilões, antiquários ou outros ambientes de comercialização.
No caso de Santa Efigênia, a exposição pública acabou tornando possível o reconhecimento da peça. A denúncia levou à retirada do objeto do leilão, à perícia e à confirmação de que a escultura integrava o acervo da igreja de Monsenhor Horta.
Depois de aproximadamente 20 anos com paradeiro desconhecido, a imagem retornou à comunidade ainda preservando características suficientes para sua identificação. As representações de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário mencionadas pelo pároco permanecem entre as perdas relatadas no mesmo altar.


