Cientistas do Imperial College London modificaram geneticamente plantas de tabaco e alface para produzirem mioglobina em seus cloroplastos, permitindo gerar cor, sabor e valor nutricional semelhantes aos da carne animal para o mercado de carne vegetal.
A mioglobina é uma molécula abundante nas fibras musculares de vertebrados, rica em ferro e responsável pelo sabor metálico, pelo gosto umami e pela cor vermelha da carne.
Os pesquisadores clonaram genes de mioglobina de porco e boi e usaram uma arma de genes para inseri-los nos cloroplastos de mudas de tabaco e alface em laboratório.
Os testes confirmaram a integração do gene ao genoma dos cloroplastos. As plantas cresceram, floresceram, produziram sementes e transmitiram o transgene para as gerações seguintes.
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Mercado de carne vegetal busca alternativas à engenharia microbiana
Atualmente, o método comum para produzir proteínas animais sem pecuária é a engenharia microbiana em biorreatores. A alteração em plantas surge como uma alternativa promissora demonstrada em prova de conceito.
“Mostramos aqui que as plantas podem ser engenheiradas para produzir a proteína animal mioglobina em seus cloroplastos, as fábricas de energia para a fotossíntese”, afirmou Dra. Alexia Groff, pesquisadora do Imperial College London.
O mercado global de alternativas à carne movimenta entre 6,7 bilhões e 8,1 bilhões de euros por ano, com projeção de crescimento anual entre 8,1% e 12,3% na próxima década.
Eficiência de recursos pode superar a pecuária tradicional
A pecuária tradicional exige grandes extensões de terra para cultivo de ração, consome água doce e emite gases do efeito estufa, como metano e óxido nitroso, além de gerar preocupações sobre o sofrimento animal.
O cultivo das plantas modificadas apresenta maior eficiência no uso de recursos em comparação com a criação de gado.
Os autores destacaram que a mioglobina vegetal pode alcançar rendimentos de proteína por hectare que se equiparam ou superam os da agricultura animal, reduzindo o uso de água e as emissões de gases.
Próximos passos para a extração e uso da proteína de carne vegetal
Para a comercialização, a mioglobina precisa ser extraída das folhas das plantas e purificada por métodos industriais de purificação de proteínas.
Sendo idêntica à proteína animal, a substância poderá ser adicionada como ingrediente em produtos alimentícios para aprimorar cor, sabor e perfil nutricional.
“Esperamos que a alface comestível, modificada para expressar mioglobina, também possa um dia servir como um alimento biofortificado enriquecido com ferro-heme, dependendo de aprovação legislativa”, declarou a Dra. Kyoko Morimoto, cientista-chefe da startup Kyomei.
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