1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Pesquisadores mantêm 32 gambás com coleiras de rádio para rastrear pítons invasoras escondidas na vegetação, pretendem chegar a pelo menos 40 animais monitorados no verão e já conseguiram retirar 18 cobras grandes, todas com mais de 2,4 metros de comprimento
Faça um comentário 8 min de leitura

Pesquisadores mantêm 32 gambás com coleiras de rádio para rastrear pítons invasoras escondidas na vegetação, pretendem chegar a pelo menos 40 animais monitorados no verão e já conseguiram retirar 18 cobras grandes, todas com mais de 2,4 metros de comprimento

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/09/2026 às 09:58 Atualizado em 08/09/2026 às 10:17
Pesquisadores mantêm 32 gambás com coleiras de rádio em Key Largo, querem chegar a pelo menos 40 no verão e já usaram a técnica para retirar 18 grandes pítons invasoras, todas com mais de 2,4 metros.
Pesquisadores mantêm 32 gambás com coleiras de rádio em Key Largo, querem chegar a pelo menos 40 no verão e já usaram a técnica para retirar 18 grandes pítons invasoras, todas com mais de 2,4 metros.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Em Key Largo, pesquisadores usam gambás com coleiras de rádio para localizar pítons-birmanesas invasoras escondidas na vegetação. Atualmente, 32 animais estão monitorados e a meta é chegar a pelo menos 40 no verão. Em dois verões e alguns meses adicionais, a técnica levou à retirada de 18 pítons grandes invasoras.

Pesquisadores em Key Largo, na Flórida, estão transformando gambás em aliados para localizar pítons-birmanesas invasoras que dificilmente seriam encontradas diretamente na vegetação. Atualmente, 32 marsupiais carregam coleiras de rádio, e a equipe pretende aumentar esse número para pelo menos 40 animais monitorados até o auge do verão.

Segundo reportagem de Bill Kearney, do South Florida Sun Sentinel, publicada em 19 de abril de 2026 e atualizada no dia 20, o método aproveita um comportamento já observado na natureza: algumas pítons devoram gambás monitorados, e o sinal da coleira permanece com a cobra, permitindo que os pesquisadores localizem e retirem o predador do ecossistema.

Gambás recebem coleiras depois de atingir pelo menos 1,4 kg

Agentes da vida selvagem imobilizam um gambá antes de colocarem nele uma coleira VHF na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Agentes da vida selvagem imobilizam um gambá antes de colocarem nele uma coleira VHF na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Os pesquisadores capturam os animais em armadilhas instaladas no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo.

Para receber a coleira, o gambá precisa pesar pelo menos 1,4 quilo.

Depois do procedimento, o animal é devolvido exatamente à área onde foi capturado.

Coleira avisa quando o animal para de se mover

Na quarta-feira, 15 de abril de 2026, são vistos os colares de rádio que serão colocados nos gambás no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Na quarta-feira, 15 de abril de 2026, são vistos os colares de rádio que serão colocados nos gambás no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

O sistema atual não precisa mostrar continuamente onde cada gambá está.

As coleiras possuem um interruptor de mortalidade que emite um sinal quando o animal permanece sem movimento por seis horas.

AJ Sanjar percorre o refúgio diariamente para verificar se algum desses alertas foi acionado.

Píton que engole gambá acaba carregando o transmissor

A lógica do método aparece quando um gambá monitorado é predado.

Se uma grande píton-birmanesa engolir o marsupial, a coleira também fica dentro do corpo da cobra.

O sinal então permite que a equipe rastreie a serpente, localize o animal invasor e o retire do ambiente.

Descoberta surgiu por acaso durante pesquisa em 2022

A estratégia começou a tomar forma em 2022.

Jeremy Dixon e Michael Cove estudavam os deslocamentos de gambás e guaxinins quando perceberam que vários dos mamíferos monitorados estavam sendo devorados por pítons-birmanesas.

Ao procurar as antigas coleiras de GPS, encontraram-nas dentro das cobras e perceberam que os próprios transmissores estavam conduzindo a equipe até grandes serpentes.

Cobras localizadas eram grandes e reprodutivamente viáveis

Jeremy Dixon, do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, juntamente com os técnicos de pesquisa do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, Brandon McDonald, Isaac Lord e Joe Redinger, seguram uma píton-birmanesa fêmea invasora de 3,6 metros de comprimento e 30 quilos, que descobriram depois que ela matou e devorou um gambá que estavam rastreando. (Katie Hanson/cortesia)

Jeremy Dixon, do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, juntamente com os técnicos de pesquisa do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, Brandon McDonald, Isaac Lord e Joe Redinger, seguram uma píton-birmanesa fêmea invasora de 3,6 metros de comprimento e 30 quilos, que descobriram depois que ela matou e devorou um gambá que estavam rastreando. (Katie Hanson/cortesia)

A descoberta mostrou um benefício adicional.

Segundo Dixon, todas as pítons capturadas com ajuda das coleiras colocadas em mamíferos tinham mais de 2,4 metros de comprimento.

A maior chegava perto de 4 metros, e todas eram consideradas reprodutivamente viáveis.

Uma píton carregava dois gambás com coleira no estômago

AJ Sanjar se prepara para soltar um gambá com coleira na mata onde foi capturado na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

AJ Sanjar se prepara para soltar um gambá com coleira na mata onde foi capturado na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Em um dos casos, a equipe encontrou uma serpente de quase 4 metros que havia devorado dois gambás monitorados.

As duas coleiras permaneciam dentro da cobra.

Dixon relatou que os pesquisadores precisaram desenterrar a píton para retirá-la do local.

Técnica já levou à retirada de 18 grandes pítons

Nos dois verões e em alguns meses adicionais desde a chegada de AJ Sanjar ao projeto, os gambás monitorados ajudaram a localizar e retirar 18 pítons grandes.

O patrulhamento de estradas também encontra serpentes, mas muitas dessas capturas envolvem indivíduos jovens.

As cobras encontradas com auxílio dos gambás são frequentemente fêmeas adultas.

Fêmeas poderiam colocar entre 30 e 60 ovos

A retirada de grandes serpentes também interfere diretamente na reprodução da população invasora.

Segundo a fonte, as pítons localizadas dessa forma, geralmente fêmeas, poderiam colocar de 30 a 60 ovos na primavera caso permanecessem no ecossistema.

Por isso, os pesquisadores consideram especialmente importante localizar indivíduos adultos.

Custo das coleiras caiu de US$ 1.500 para US$ 190

O alto preço dos transmissores era inicialmente uma das principais barreiras para ampliar o projeto.

As antigas coleiras custavam aproximadamente US$ 1.500 cada.

Com a mudança para rastreadores VHF mais simples, o custo caiu para cerca de US$ 190, e a duração no campo chega a quase dois anos.

GPS deixou de ser necessário no novo modelo

Os pesquisadores perceberam que não precisavam acompanhar a posição dos gambás em tempo real.

O objetivo principal é saber quando e onde um animal morreu.

Por isso, o sistema VHF é suficiente e permite que os gambás continuem suas atividades normalmente enquanto a equipe monitora eventuais sinais de mortalidade.

Verão é considerado período mais eficiente

Isaac Lord, à esquerda, e Mike Cove inspecionam um bunker de mísseis Nike abandonado da época da Guerra Fria na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. Os bunkers atraem pítons invasoras e os pequenos mamíferos que elas predam. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Isaac Lord, à esquerda, e Mike Cove inspecionam um bunker de mísseis Nike abandonado da época da Guerra Fria na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Crocodile Lake, em Key Largo. Os bunkers atraem pítons invasoras e os pequenos mamíferos que elas predam. (Joe Cavaretta/South Florida Sun Sentinel)

Sanjar identificou o verão como a melhor época para ampliar o número de animais monitorados.

Nesse período, segundo a reportagem, as pítons estão ganhando peso para a temporada reprodutiva do fim do outono.

A equipe pretende aproveitar essa janela para manter pelo menos 40 gambás com coleira em campo.

Gambás substituíram guaxinins no projeto

Os pesquisadores também testaram o uso de guaxinins.

A equipe acabou abandonando essa opção porque esses animais são mais difíceis de manejar, podem pesar entre 4,5 e 7 quilos e precisam ser sedados quimicamente por um veterinário para receber as coleiras.

Os gambás, em comparação, oferecem uma operação mais simples.

Território menor facilita acompanhamento dos gambás

Os gambás também possuem características que favorecem o projeto.

Há mais indivíduos disponíveis para captura, o território de cada animal é menor e eles tendem a permanecer afastados dos manguezais.

Essa diferença é importante porque raízes, galhos baixos e lama profunda tornam algumas áreas de mangue extremamente difíceis para os pesquisadores alcançarem.

Pítons chegaram à Flórida pelo comércio de animais exóticos

As pítons-birmanesas não pertencem originalmente ao ecossistema da Flórida.

Elas foram levadas ao estado pelo comércio de animais exóticos durante as décadas de 1970, 1980 e 1990.

Depois de escaparem ou serem soltas, passaram a se reproduzir primeiro nos Everglades e avançaram para outras áreas.

Invasão avançou cerca de 240 km pela península

Nos últimos 40 anos, a área ocupada pelas serpentes se expandiu aproximadamente 240 quilômetros pela península da Flórida.

A expansão chegou às regiões do Lago Okeechobee e Fort Myers, segundo a reportagem.

Em Key Largo, os predadores foram detectados pela primeira vez em 2007.

Avistamentos de mamíferos caíram até 99% em áreas dominadas

O impacto sobre a fauna nativa é um dos principais motivos para o combate às serpentes.

Um estudo citado pela reportagem apontou que, em áreas dos Everglades onde as pítons predominam, os avistamentos de mamíferos caíram entre 87% e 99%.

As serpentes podem atingir até 6 metros de comprimento na Flórida.

Duas espécies ameaçadas estão entre as presas

Em Key Largo, os pesquisadores acompanham especialmente duas espécies ameaçadas de extinção: o rato-da-madeira-de-Key-Largo e o rato-do-algodão-de-Key-Largo.

Armadilhas fotográficas já registraram pítons predando esses animais.

A presença das serpentes acrescenta pressão a populações que possuem taxas reprodutivas menores do que espécies invasoras de roedores.

Rato nativo produz de dois a seis filhotes por ano

O rato-da-madeira-de-Key-Largo produz entre dois e seis filhotes por ano.

Em comparação, o rato-preto asiático invasor pode produzir entre 30 e 60.

Essa diferença aumenta a preocupação com a perda de indivíduos das espécies nativas para as pítons.

Método recebeu críticas por usar animais monitorados

A técnica também provocou questionamentos públicos.

Algumas pessoas interpretaram o uso dos gambás como se os mamíferos estivessem sendo colocados deliberadamente como isca.

Jeremy Dixon rejeitou essa interpretação.

Pesquisadores dizem que não colocam gambás em perigo

“Não estamos colocando esses animais em perigo”, afirmou Dixon.

Segundo ele, o risco de predação já existe independentemente das coleiras.

“O perigo existe. Estamos apenas documentando o que está acontecendo”, declarou.

Alguns gambás foram devorados em apenas duas semanas

O tempo de sobrevivência dos animais monitorados varia.

Dixon relatou que alguns foram predados por pítons duas semanas depois de receber a coleira.

A maioria, porém, segue vivendo normalmente durante vários meses.

Gambás normalmente vivem pouco mais de dois anos

Mesmo sem a presença das serpentes invasoras, os gambás possuem expectativa de vida relativamente curta.

Segundo a reportagem, eles não vivem muito mais de dois anos.

As coleiras atuais, portanto, conseguem funcionar durante praticamente todo esse período.

Pesquisadores gostariam de monitorar até 200 animais

Jeremy Dixon afirmou que, se dinheiro não fosse uma limitação, manteria 200 gambás com coleiras no ambiente.

Uma operação desse tamanho, porém, exigiria mais equipamentos e mais funcionários.

O projeto atual trabalha com 32 animais e pretende chegar a pelo menos 40 no verão.

Técnica pode ser levada para outras áreas da Flórida

AJ Sanjar espera que gestores ambientais de outras regiões do estado adotem a estratégia como complemento a outros métodos de controle.

O Distrito de Gerenciamento de Água do Sul da Flórida aparece entre as instituições que poderão considerar a técnica.

Cove avalia que regiões na frente norte da invasão seriam especialmente adequadas porque ainda possuem muitos gambás.

Gambás funcionam como “espiões” dentro da vegetação

A maior vantagem do método aparece justamente nos lugares onde pesquisadores humanos têm dificuldade de entrar.

Os marsupiais circulam naturalmente por áreas remotas e densamente vegetadas, alcançando pontos onde as pítons permanecem escondidas.

“Os gambás estão nos mostrando onde as cobras estão”, resumiu Dixon.

Equipe tenta chegar a 40 gambás monitorados no auge do verão

Com 32 animais atualmente usando coleiras, os pesquisadores seguem capturando, equipando e devolvendo gambás às mesmas áreas onde foram encontrados.

A meta é manter pelo menos 40 indivíduos monitorados até o auge do verão, ampliando uma técnica que já ajudou a retirar 18 grandes pítons e que tem direcionado a equipe justamente para serpentes adultas com mais de 2,4 metros.

Na sua opinião, o uso de gambás já presentes no ecossistema é uma estratégia eficiente para localizar grandes pítons invasoras difíceis de encontrar na vegetação? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x