Zachary Bodish, de 46 anos, comprou por US$ 14,14 em um brechó de Ohio uma peça que imaginava ser reprodução de cartaz de Picasso. Sem avaliação oficial por escrito, especialistas consideraram provável que fosse uma linogravura, e um comprador acabou adquirindo a obra por US$ 7 mil depois da descoberta.
Zachary Bodish, de 46 anos e morador de Columbus, Ohio, pagou US$ 14,14 em uma peça que acreditava ser apenas uma reprodução de um pôster relacionado a uma exposição de Pablo Picasso. Depois de investigar o objeto e procurar especialistas e possíveis compradores, ele acabou vendendo a obra por US$ 7 mil a um interessado particular, embora nunca tenha obtido uma avaliação oficial por escrito que confirmasse sua autenticidade.
Segundo reportagem da ABC News, publicada em 11 de maio de 2012 e assinada por Susanna Kim, Bodish havia perdido cerca de dois anos antes o emprego de gerente de instalações no Wexner Center for the Arts. Na época da descoberta, mantinha um trabalho de meio período, buscava uma colocação mais permanente no setor artístico e revendia móveis e objetos encontrados como forma de complementar a renda.
Compra de US$ 14,14 aconteceu em 1º de março

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Ele havia ido ao estabelecimento procurando móveis de meados do século XX e objetos de “arte kitsch” que pudessem ser revendidos posteriormente.
Foi nesse contexto que decidiu pagar US$ 14,14 pelo trabalho associado a Picasso.
Peça parecia apenas reprodução de cartaz de exposição

No momento da compra, Bodish não acreditava estar diante de uma obra de maior valor.
Ele pensava ter encontrado uma reprodução de um pôster produzido para divulgar uma exposição de Pablo Picasso.
A investigação posterior levantou a possibilidade de que o objeto fosse uma impressão mais relevante do que ele havia imaginado inicialmente.
Bodish estava subempregado e precisava complementar renda
O comprador havia trabalhado como gerente de instalações do Wexner Center for the Arts, mas perdera o emprego aproximadamente dois anos antes.
Quando encontrou a peça, Bodish disse estar “meio subempregado”, trabalhando em período parcial e procurando uma função mais permanente na área de artes.
A compra e revenda de objetos funcionava como uma maneira de complementar sua renda.
Homem diz que gostaria de ter ficado com a obra

foto: NBC4
Bodish afirmou que não pretendia necessariamente se desfazer da peça caso o valor fosse menor.
“Eu gostaria de ter ficado com ele, mas estou meio subempregado no momento”, declarou.
Segundo ele, a necessidade financeira influenciou diretamente a decisão de vender.
Valor de US$ 2 mil talvez não fosse suficiente para fazê-lo vender
Bodish chegou a estabelecer um limite informal para a decisão.
“Se não valesse muito, apenas US$ 2.000, provavelmente eu o teria guardado”, afirmou.
As ofertas que surgiram posteriormente superaram esse patamar.
Representante da Christie’s avaliou possível venda em cerca de US$ 4 mil
Durante a procura por informações, Bodish chegou a se encontrar com um representante da Christie’s, em Nova York.
Segundo seu relato, o profissional estimou verbalmente que a casa de leilões poderia incluir a peça em catálogo por algo entre US$ 2.500 e US$ 3.000.
A expectativa mencionada era de que uma eventual venda pudesse alcançar aproximadamente US$ 4 mil.
Comprador particular ofereceu US$ 7 mil

foto: NBC4
Nenhuma das propostas anteriores chegou ao valor apresentado pelo comprador que fechou a negociação.
O interessado entrou em contato com Bodish por meio da lista telefônica e ofereceu US$ 7 mil pela peça.
Bodish disse que os dois se entenderam bem durante a negociação.
Obra nunca recebeu autenticação oficial por escrito
A venda ocorreu sem que a peça tivesse sido formalmente autenticada por meio de uma avaliação escrita.
Segundo a reportagem, o comprador decidiu assumir o risco por acreditar que o trabalho poderia ser legítimo.
Bodish disse que o interessado demonstrava bastante confiança na autenticidade.
Comprador ainda concedeu “direitos de visita” a Bodish
A relação entre vendedor e comprador continuou de maneira pouco convencional depois da transação.
Bodish afirmou que recebeu do novo proprietário uma espécie de “direito de visita” à peça.
“Acho que todas as partes ficaram muito satisfeitas com isso”, declarou sobre o negócio.
Antigo dono havia recebido peça de presente nos anos 1960
O objeto chegou ao brechó depois de ser doado por Ed Zettler, professor aposentado de Columbus.
Zettler contou que havia recebido a gravura de um amigo durante a década de 1960.
Ao doar a peça, reconheceu que havia aberto mão de seus direitos sobre ela.
Doador disse ter ficado contente com descoberta
Depois que a história ganhou repercussão, Zettler comentou a venda ao Columbus Dispatch.
“Fico feliz que o cara que a encontrou tenha reconhecido algo nela”, afirmou.
O professor aposentado também disse estar contente com o resultado.
Especialistas consideraram provável que fosse uma linogravura
Apesar da ausência de autenticação formal, especialistas consultados avaliaram que a peça provavelmente seria uma linogravura.
Nesse processo, Picasso teria produzido o desenho em linóleo, que depois seria impresso sobre papel com tinta por um impressor.
A possibilidade de a obra pertencer a esse tipo de produção ajudou a sustentar o interesse no objeto.
Swann estimou valor entre US$ 4 mil e US$ 6 mil se obra fosse autêntica
Todd Weyman, vice-presidente da Swann Auction Galleries, em Nova York, estimou uma faixa de mercado para a peça caso sua autenticidade fosse confirmada.
Segundo ele, o valor justo em leilão poderia ficar entre US$ 4 mil e US$ 6 mil.
A estimativa foi baseada em vendas de trabalhos semelhantes realizadas ao longo dos 10 a 15 anos anteriores.
Outra obra de Picasso foi vendida por US$ 7.500 em abril
A reportagem apresentou negociações de trabalhos semelhantes como referência.
Em 25 de abril, a Swann Auction Galleries vendeu uma xilogravura de Picasso em três cores por US$ 7.500.
A estimativa prévia para aquele trabalho havia ficado entre US$ 10 mil e US$ 15 mil.
Christie’s vendeu peça semelhante por US$ 4.700 em 2007
Weyman também citou uma transação realizada pela Christie’s em Londres.
Uma linogravura semelhante foi vendida em março de 2007 por US$ 4.700.
Outro exemplar comparável havia alcançado US$ 4.600 na Sotheby’s de Londres em março de 2006.
Imagem teria sido criada para exposição de cerâmica em Vallauris
Lisa Florman, professora de arte da Universidade Estadual de Ohio, explicou a provável origem da composição.
Segundo ela, Picasso criou o “pôster” para uma exposição anual de cerâmica em Vallauris, na França, em 1958.
Florman afirmou ainda que o artista possivelmente produziu trabalhos para essas exposições anuais durante vários anos a partir de 1954.
Existiam 100 exemplares originais numerados e assinados
A professora explicou que teriam existido 100 impressões originais numeradas e assinadas pelo artista.
Ela também observou que podem ter sido feitas reproduções fotolitográficas da mesma imagem.
Por isso, a existência do desenho associado a Picasso não bastava, por si só, para determinar que o exemplar encontrado por Bodish pertencia à tiragem original assinada.
Cartazes eram espalhados por Vallauris e cidades vizinhas
Florman explicou que aquelas imagens eram utilizadas na divulgação das exposições.
Segundo ela, exemplares eram colocados em paredes de Vallauris e de várias cidades próximas na França.
Naquele período, Picasso já era um dos artistas mais famosos do mundo e uma celebridade reconhecida no país.
Medidas levantaram dúvida sobre autenticidade
Bodish estimou que a área impressa da peça media aproximadamente 17 1/2 por 11 3/4 polegadas.
Kobi Ledor, proprietário da Ledor Fine Art, na Califórnia, afirmou que as dimensões precisariam ser cerca de 1/4 de polegada maiores em comprimento e largura para corresponder ao que ele consideraria um exemplar autêntico.
Essa diferença manteve aberta a incerteza sobre a classificação definitiva da peça.
Venda por US$ 7 mil ocorreu mesmo sem laudo definitivo
Zachary Bodish saiu do brechó acreditando ter comprado por US$ 14,14 uma reprodução comum relacionada a Picasso e terminou negociando o objeto por US$ 7 mil com um comprador particular.
A transação foi concluída apesar de não existir avaliação oficial por escrito, enquanto especialistas apontaram características compatíveis com uma possível linogravura e também elementos, como as dimensões, que mantinham dúvidas sobre a autenticidade definitiva.
Na sua opinião, você venderia uma peça como essa por US$ 7 mil sem uma autenticação definitiva ou preferiria continuar investigando antes de negociar? Deixe sua opinião nos comentários.
