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Cientistas da Universidade Rice criam material que turbina a interação entre eletricidade e magnetismo em até 100 vezes e pode abrir caminho para computadores muito mais rápidos e econômicos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/04/2026 às 23:42
Atualizado em 29/04/2026 às 23:46
Material da Rice amplia acoplamento magnetoelétrico e pode abrir caminho para computadores mais eficientes.
Material da Rice amplia acoplamento magnetoelétrico e pode abrir caminho para computadores mais eficientes.
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O novo material multiferroico baseado em ferrita de bismuto combina alteração química e deformação estrutural para operar em temperatura ambiente, com magnetização 10 vezes maior e acoplamento magnetoelétrico até 100 vezes superior ao de versões anteriores.

Pesquisadores da Universidade Rice desenvolveram um material multiferroico capaz de melhorar em até 100 vezes a interação entre eletricidade e magnetismo, avanço que pode contribuir para computadores mais eficientes no consumo de energia. A nova versão do material opera em temperatura ambiente e também alcança magnetização 10 vezes maior.

O avanço tem como base uma modificação da ferrita de bismuto, material já estudado por suas propriedades elétricas e magnéticas. A equipe combinou a adição de titanato de bário com uma deformação estrutural provocada durante o crescimento do material em forma de filme fino.

Material multiferroico combina eletricidade e magnetismo

O material multiferroico reúne propriedades ferroelétricas e magnéticas em uma mesma estrutura. Isso permite que um campo elétrico controle o magnetismo, ou que o magnetismo interfira no comportamento elétrico, fenômeno conhecido como magnetoeletricidade.

Na prática, essa conexão pode abrir caminho para memórias e processadores que manipulam informações sem depender de grandes correntes elétricas. A busca por esse tipo de solução ganhou importância diante do crescimento do consumo energético ligado à computação.

A informática atual funciona principalmente pelo movimento de elétrons em circuitos de silício. Esse modelo foi eficaz por décadas, mas começa a enfrentar limites em consumo de energia, especialmente com inteligência artificial, centros de dados e armazenamento em nuvem.

Descubra como o material multiferroico melhora a interação entre eletricidade e magnetismo para computadores mais eficientes.

Computação pode consumir até 30% da eletricidade global

A estimativa citada no material aponta que, em menos de uma década, a computação pode chegar a consumir entre 25% e 30% de toda a eletricidade gerada no mundo. Esse cenário amplia a pressão por tecnologias capazes de processar e armazenar dados com menor gasto energético.

Os materiais multiferroicos entram nesse contexto por aproveitarem o spin eletrônico, propriedade ligada ao magnetismo. Com isso, tornam possível desenvolver dispositivos eletrônicos que não dependam apenas do fluxo tradicional de elétrons para funcionar.

O obstáculo histórico estava na falta de um material que fosse fortemente magnético e ferroelétrico ao mesmo tempo, além de funcionar em temperatura ambiente. A ferrita de bismuto era uma das candidatas mais promissoras, mas apresentava magnetismo considerado fraco.

Titanato de bário muda comportamento do material

A inovação ocorreu com a adição de titanato de bário, um material não magnético, à ferrita de bismuto. O resultado foi um comportamento mais magnético, efeito considerado inesperado dentro da lógica convencional de combinação de propriedades.

A deformação estrutural em filmes finos também teve papel central no resultado. O processo de crescimento controlado com tensões específicas permitiu criar interações internas capazes de gerar um comportamento novo no material multiferroico.

Esse tipo de engenharia em escala atômica está ligado a uma área de materiais avançados que busca funcionalidades híbridas. Laboratórios nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia exploram caminhos semelhantes, enquanto memórias magnéticas de baixa energia e computação neuromórfica tentam aproveitar princípios parecidos.

Aplicações miram chips, memórias e dispositivos menores

O material multiferroico pode ser aplicado em novas gerações de memórias não voláteis de baixo consumo. Também pode contribuir para sistemas de computação híbrida, combinando lógica e armazenamento em estruturas mais eficientes.

Outra possibilidade envolve eletrônicos menores, mais eficientes e com menor geração de calor. Esse ponto é relevante em ambientes nos quais espaço e dissipação térmica são fatores críticos para o funcionamento dos dispositivos.

A tecnologia também pode alcançar dispositivos de internet das coisas com autonomia energética ampliada. Em médio prazo, o material multiferroico pode ajudar a tornar o crescimento digital mais compatível com os limites energéticos enfrentados pela computação.

Clique aqui para acessar o estudo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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