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Pesquisadores chineses criam ‘balancim’ solar que produz água potável do mar enquanto concentra lítio em concentração 15,5 vezes maior e rende 69% mais lítio que sistemas submersos tradicionais em testes de laboratório

Escrito por Carla Teles
Publicado em 16/02/2026 às 16:23
Atualizado em 16/02/2026 às 16:26
Pesquisadores chineses criam ‘balancim’ solar que produz água potável do mar enquanto concentra lítio em concentração 15,5 vezes maior e rende 69% mais lítio que sistemas (1)
Balancim solar com extrator tipo balancim gera água potável do mar, concentra lítio da água do mar e alivia impactos da mineração de lítio. Imagem: IA
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Novo extrator tipo balancim, movido a energia solar em formato de balancim solar, transforma água do oceano em água potável do mar enquanto concentra lítio da água do mar e se apresenta como alternativa complementar à mineração de lítio em terra firme.

A proposta está alinhada a dois desafios globais que costumam caminhar separados: reduzir o impacto ambiental da mineração de lítio e ampliar o acesso à água em regiões costeiras com escassez hídrica. Em vez de perfurações em terra e grandes reservatórios de evaporação, o conceito usa luz solar, superfícies inteligentes e um movimento de inclinação controlado para extrair lítio diretamente da água do mar enquanto gera água potável do mar como subproduto aproveitável.

Um oceano cheio de lítio, mas difícil de aproveitar

Na teoria, o oceano funciona como o maior depósito de lítio do planeta. Estimativas indicam algo em torno de 230 bilhões de toneladas de lítio dissolvido na água do mar. Na prática, esse potencial esbarra em um obstáculo físico e químico importante: o lítio está extremamente diluído.

Em média, a concentração fica em torno de 0,2 miligrama de lítio por litro, enquanto o sódio ultrapassa 12.000 miligramas por litro. Em termos simples, cada íon de lítio está perdido em um ambiente dominado por sais muito mais abundantes, o que transforma a separação seletiva em um exercício de alta precisão.

Tecnologias de separação já usadas em outras frentes, como intercalação eletroquímica, nanofiltração e extração líquido líquido, sofrem nesse contexto.

Elas tendem a consumir muita energia, perder seletividade quando outros íons estão presentes ou acumular sais concorrentes nas superfícies ativas.

Peneiras de lítio baseadas em óxidos metálicos têm afinidade com o íon Li⁺, mas a lentidão e o acúmulo de sais competidores limitam o ganho prático.

O inimigo recorrente: incrustações de sal que travam o sistema

Sempre que se tenta concentrar lítio por evaporação solar, o mesmo problema reaparece. Antes que o lítio se torne relevante, outros sais se precipitam, formam incrustações e bloqueiam os canais de transporte. O sistema começa a funcionar e, logo em seguida, perde eficiência.

A formação de crostas de sal na superfície ativa obriga a interromper a operação para limpeza mecânica ou aplicação de produtos químicos. Isso aumenta custos, gera resíduos e encurta a vida útil dos materiais.

A consequência é clara: processos que parecem eficientes em laboratório, com poucos ciclos controlados, se tornam frágeis quando se imagina operação contínua no ambiente marinho real.

Conforme apurado pelo portal Ecoinventos, era esse gargalo que os pesquisadores buscavam contornar ao propor um extrator solar com movimento de inclinação inteligente, capaz de dissolver as incrustações sem intervenção externa.

Como funciona o extrator tipo balancim movido a energia solar

O dispositivo é descrito como um extrator solar inclinável, com aparência de pequeno balancim flutuante. O núcleo do sistema é uma camada adsorvente de lítio hidrofílica, posicionada entre duas camadas hidrofóbicas com propriedades fototérmicas.

A camada superior absorve luz e aquece a superfície, o que provoca evaporação localizada da água. Esse aquecimento gera um gradiente de concentração e um fluxo capilar contínuo que leva água e íons até a região adsorvente.

Ali, o lítio é capturado preferencialmente, enquanto os demais sais permanecem em solução e começam a se concentrar na interface.

O diferencial está no modo como o sistema lida com os sais que se acumulam. O conjunto inicia o ciclo inclinado em aproximadamente 30 graus.

À medida que a incrustação de sal cresce em um dos lados, o peso se desloca. Com o tempo, o balancim gira lentamente, submerge a área incrustada e permite que os sais cristalizados se dissolvam de volta na água do mar. A superfície ativa é liberada e o processo recomeça.

Esse movimento cíclico de inclinação, guiado apenas por gravidade e distribuição de massa, atua como um mecanismo automático de limpeza. Não há necessidade de parar o sistema, nem de usar reagentes adicionais para remover as incrustações, o que reduz complexidade e resíduos.

As camadas hidrofóbicas cumprem duas funções estratégicas. Elas direcionam a cristalização do sal para as bordas, reduzindo o bloqueio direto da área de captura, e ajudam o conjunto a flutuar de maneira estável, com menor resistência ao movimento.

Lítio 15,5 vezes mais concentrado e água potável do mar como resultado paralelo

Balancim solar com extrator tipo balancim gera água potável do mar, concentra lítio da água do mar e alivia impactos da mineração de lítio.
Imagem: Cell

Nos testes de laboratório, o balancim solar alcançou concentrações locais de lítio 15,5 vezes maiores do que as da água de entrada. Essa intensificação do teor de lítio acelera o processo de adsorção na camada ativa e melhora o aproveitamento da área disponível.

A seletividade na separação entre lítio e sódio também chama atenção. Os experimentos indicam um fator de separação superior a 370.000, valor raro em sistemas passivos movidos apenas a energia solar.

Quando o extrator inclinável foi comparado a um sistema equivalente totalmente submerso, o ganho de captura de lítio foi de 69% após 120 horas de operação, resultado diretamente associado à estratégia de inclinação e dissolução periódica das incrustações.

Outro ponto importante é o destino da água residual. Após otimização do processo, essa água atende a padrões de qualidade de água potável, ou seja, deixa de ser apenas um resíduo da extração e passa a ser um recurso adicional.

Em cenários de aplicação real, isso abre espaço para uso integrado em regiões costeiras que enfrentam escassez hídrica, onde a possibilidade de gerar água potável do mar enquanto se recupera lítio pode representar uma combinação valiosa.

Limitações, desgaste de materiais e próximos passos

Apesar dos resultados promissores, o extrator tipo balancim ainda está em fase experimental. Depois de 30 ciclos, os pesquisadores observaram uma perda de desempenho de 21,6%, associada à degradação das peneiras de lítio baseadas em manganês. Esse desgaste limita a operação contínua e aponta para a necessidade de materiais mais estáveis.

Outra questão crítica está ligada ao pH. Muitos materiais de peneira de lítio usados hoje exigem condições alcalinas para funcionar adequadamente. Isso significa ajustar o pH da água do mar, adicionando uma etapa extra que aumenta a complexidade do sistema e pode gerar impactos locais.

A meta declarada é desenvolver materiais capazes de capturar lítio em pH natural, dispensando correções químicas.

A equipe sugere o uso de peneiras mais estáveis à base de titânio como uma alternativa de médio prazo. Também será preciso testar o desempenho do balancim solar em condições reais de oceano, com bioincrustação, ondas, variação de temperatura e presença de matéria orgânica.

O mar é muito mais imprevisível do que um tanque de laboratório e pode expor fragilidades que ainda não apareceram.

Mesmo assim, o fato de o conceito ter funcionado em ambiente controlado, com produção de água potável do mar e concentração relevante de lítio, já indica que a lógica de projeto é sólida o bastante para justificar novos ciclos de desenvolvimento.

Da mineração intensiva à captura ambiental controlada

O extrator tipo balancim ilustra uma mudança de foco na forma de pensar recursos críticos. Em vez de grandes minas em terra firme, com consumo elevado de água e impacto direto sobre ecossistemas, surge a possibilidade de captura ambiental controlada em plataformas costeiras, usinas de dessalinização ou estruturas portuárias, alimentada por energia solar e ajustável por módulos.

Em um cenário realista, soluções como essa não substituem totalmente a mineração tradicional, mas podem aliviar a pressão sobre novos depósitos em terra, complementar cadeias de reciclagem e favorecer modelos de economia mais circulares para o lítio.

A mesma infraestrutura que produz água potável do mar pode, ao mesmo tempo, abastecer cadeias de baterias estacionárias, armazenamento de energia renovável ou processos industriais que dependem desse metal.

Em um mundo em que demanda por lítio só cresce e água de boa qualidade continua escassa em várias regiões, você vê esse tipo de balancim solar mais como um candidato real a competir com a mineração tradicional ou como uma solução complementar para nichos específicos onde a produção conjunta de lítio e água potável do mar faz mais sentido?

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Carla Teles

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