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Perfuratrizes caçavam petróleo no interior paulista nos anos 1960 e o que jorrou foi água quente do Aquífero Guarani, acidente que fez Olímpia abrigar o segundo parque aquático mais visitado do planeta em 2023

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/07/2026 às 18:21 Atualizado em 30/07/2026 às 18:28
Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani
Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani
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Na década de 1960, sondas em busca de petróleo no noroeste paulista encontraram água quente vinda do Aquífero Guarani. O achado ficou parado por anos até virar parque aquático em 1987, e hoje sustenta uma cidade paulista de pouco mais de 55 mil habitantes que recebe milhões de turistas todo ano.

Olímpia fica a cerca de 430 quilômetros da capital paulista, longe de qualquer praia, e mesmo assim virou destino de piscina o ano inteiro. A explicação começa com uma frustração: nas perfurações feitas no subsolo do município na década de 1960, o que as sondas encontraram não foi petróleo, e sim água quente aquecida naturalmente nas camadas profundas do Aquífero Guarani. Reportagem publicada por O Antagonista em 30 de julho de 2026 retomou essa história.

O achado não virou negócio de imediato. Passaram se cerca de duas décadas até que alguém enxergasse valor turístico ali. O Thermas dos Laranjais foi inaugurado em 7 de novembro de 1987 e, segundo o relatório da Themed Entertainment Association, chegou a ser o segundo parque aquático mais visitado do mundo em 2023, com 1,954 milhão de visitantes. No levantamento seguinte, referente a 2024, o parque aparece em quarto lugar, com cerca de 1,85 milhão.

O que as sondas encontraram no lugar do petróleo

Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani
Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani

A busca por petróleo no noroeste paulista fazia parte de um esforço maior de prospecção no país. Em Olímpia, as perfurações não deram em nada do ponto de vista do combustível. O que jorrou foi água em temperatura elevada, vinda de rochas situadas a mais de mil metros de profundidade.

Vale registrar que a data exata da descoberta varia conforme a publicação. A maioria dos relatos situa as perfurações na década de 1960, e é essa a versão que a reportagem original adota. Há material publicado por empresas locais de turismo que fala em década de 1950 e atribui a perfuração à Petrobras. Nenhum documento público consultado fixa mês, ano ou número do poço, o que é comum em histórias de origem que passaram a ser contadas décadas depois pelo próprio setor beneficiado.

Por que essa água sai quente do chão

O Aquífero Guarani é uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo e se estende por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Não é um lago enterrado, como muita gente imagina, e sim um conjunto de camadas de rocha porosa que armazenam água nos espaços entre os grãos.

O aquecimento vem da profundidade. Quanto mais fundo, maior a temperatura das rochas, e a água que fica retida ali absorve esse calor ao longo do tempo. Quando um poço atravessa essas camadas e a pressão empurra o líquido para cima, ele chega à superfície já morno ou quente, sem qualquer sistema de aquecimento. Nas piscinas de Olímpia, as temperaturas informadas pelos parques variam de 26 a 38 graus, o que explica a operação durante todo o ano, inclusive no inverno.

Do poço esquecido ao primeiro parque

A água ficou anos sem uso comercial. A virada começou na segunda metade da década de 1980, quando o empresário local Benito Benatti passou a estruturar um parque para aproveitar o recurso, conforme relato divulgado pelo próprio setor hoteleiro da cidade. Em 7 de novembro de 1987, o Thermas dos Laranjais abriu as portas na então conhecida terra da laranja.

O nome do parque não é enfeite. Olímpia vivia de laranja e cana antes de virar destino de turismo. A troca de vocação econômica levou décadas e hoje é praticamente completa: o município aparece nos rankings internacionais de parques, concentra grandes complexos hoteleiros e organiza a vida urbana em torno do fluxo de visitantes. Uma cidade de pouco mais de 55 mil moradores passou a receber, em um único ano, mais visitantes do que trinta vezes a própria população.

O que dizem os rankings e por que o número mudou

Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani
Sondas buscavam petróleo em Olímpia nos anos 1960 e acharam água quente do Aquífero Guarani

Aqui é preciso ser exato, porque esse é o dado que mais circula errado. O índice da Themed Entertainment Association, produzido em parceria com a AECOM, é o levantamento anual de referência do setor. Na edição referente a 2023, o Thermas dos Laranjais somou 1,954 milhão de visitantes, alta de 13% sobre o ano anterior, saltou da quarta para a segunda posição mundial e ficou atrás apenas do Chimelong Water Park, em Guangzhou, na China, que registrou 2,807 milhões.

O quadro mudou na edição seguinte. No TEA Global Experience Index referente a 2024, divulgado em 23 de outubro de 2025, o parque de Olímpia caiu para o quarto lugar mundial, com cerca de 1,85 milhão de visitantes, queda de aproximadamente 5,3%. Manteve, ainda assim, a liderança entre os parques aquáticos da América Latina. O Brasil colocou outras duas propriedades no top 20 daquele ano: o Hot Park, em Caldas Novas, em décimo primeiro, com 1,42 milhão, e o Hot Beach Olímpia, em décimo oitavo, com 1,12 milhão. Segundo lugar do mundo é uma marca real, mas é uma marca de 2023, não a posição atual.

O que existe em Olímpia além do Thermas

O Thermas dos Laranjais ocupa cerca de 300 mil metros quadrados e reúne mais de cinquenta atrações, entre praia de ondas, rio lento e toboáguas radicais, funcionando os 365 dias do ano. O Hot Beach Olímpia, inaugurado em 2017, é o segundo grande complexo da cidade, com praia artificial, área infantil e integração direta com resorts.

Fora da água, a cidade tem o Museu de História e Folclore Maria Olímpia, fundado em 1973, com acervo estimado em cerca de três mil peças de cultura popular. Há ainda parques temáticos e espaços de experiências imersivas voltados a famílias, além do centro histórico com a praça, a igreja matriz e o comércio tradicional de interior. Em 2021, Olímpia recebeu o título de primeiro Distrito Turístico do Estado de São Paulo.

O título que veio antes das piscinas

Muita gente descobre Olímpia pela água e desconhece o outro título da cidade. Ela é a Capital Nacional do Folclore, reconhecimento oficializado pela Lei Federal nº 13.566, de 2017, e a tradição que sustenta esse nome é mais antiga que qualquer parque aquático.

Tudo começou em 1965, quando o professor José Sant’Anna organizou a primeira edição do Festival do Folclore. O evento acontece em agosto, reúne grupos de dança e manifestações populares de todas as regiões do país e é realizado no Recinto do Folclore que leva o nome do idealizador. Entre os grupos tradicionais da cidade está o Terno de Congada Chapéu de Fitas. É a rara situação de um município que tem duas identidades fortes e independentes, uma cultural e outra econômica, que só se encontraram muito depois.

Quando ir e como chegar

O clima do noroeste paulista é quente o ano inteiro, o que mantém os parques funcionando sem sazonalidade forte. O verão, de dezembro a fevereiro, concentra o maior movimento e também as chuvas mais intensas, com pancadas frequentes no fim da tarde. O inverno, de junho a agosto, costuma ser a janela mais confortável: tempo seco, temperaturas amenas e coincidência com o Festival do Folclore.

O acesso é rodoviário, com cerca de 430 quilômetros até a capital paulista. Quem vem de avião pode desembarcar em São José do Rio Preto, o aeroporto mais próximo, ou em Bauru, Campinas e na própria São Paulo, todos a algumas horas de carro. A recomendação prática de quem organiza roteiros por lá é reservar pelo menos dois dias, já que um único dia não cobre nem os dois parques principais.

E você, já foi a Olímpia ou tem vontade de conhecer? Conta aqui nos comentários se prefere as águas termais do interior ou o litoral tradicional para viajar com a família, e diga também qual parque brasileiro te surpreendeu de verdade.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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