Província aproveita mão de obra treinada em reforma nuclear de C$ 12,8 bilhões, mais de 100 fornecedores locais e infraestrutura já existente em Darlington para reduzir riscos de uma tecnologia que o Canadá quer replicar em outras regiões.
Ontário colocou em construção uma das apostas nucleares mais ambiciosas do Ocidente: quatro pequenos reatores modulares BWRX-300, com cerca de 300 MW cada, no complexo de Darlington, no Canadá. A primeira unidade começou a avançar fisicamente em 2025 e deverá entrar em operação em 2030, enquanto o custo estimado para o conjunto completo chega a C$ 20,9 bilhões, segundo reportagem da Reuters publicada em 27 de agosto de 2026.
O projeto pretende fazer mais do que adicionar nova geração.
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A província quer usar uma cadeia de fornecedores já ativa, trabalhadores experientes e infraestrutura nuclear existente para diminuir riscos de prazo e custo.
Além disso, o Canadá planeja ampliar fortemente a geração elétrica nas próximas décadas.
Por isso, Darlington funciona como uma espécie de teste em escala comercial para uma tecnologia que outras províncias já observam de perto.
Primeiro BWRX-300 começou a ser construído em Darlington
A Ontario Power Generation (OPG) iniciou em maio de 2025 a construção da primeira das quatro unidades previstas para o Darlington New Nuclear Project.
O reator escolhido é o BWRX-300, desenvolvido pela GE Hitachi Nuclear Energy.
Cada unidade terá capacidade de aproximadamente 300 MW.
Assim, quando as quatro entrarem em operação, o complexo deverá somar cerca de 1.200 MW de nova capacidade nuclear.
A OPG afirma que essa potência será suficiente para fornecer eletricidade equivalente ao consumo de aproximadamente 1,2 milhão de residências.
Portanto, o projeto não representa apenas uma instalação experimental.
Ele foi planejado para operar diretamente na rede elétrica.
Primeira unidade deve entrar em operação até o fim de 2030
O cronograma coloca a primeira unidade em serviço até o final de 2030.
Caso isso aconteça, o reator poderá se tornar um dos primeiros SMRs comerciais de grande escala a gerar eletricidade no mundo ocidental.
Entretanto, a data ainda depende da execução da obra, do licenciamento e do comissionamento.
Por isso, 2030 representa a previsão atual, não uma data garantida.
As três unidades seguintes deverão avançar posteriormente.
A OPG trabalha com a expectativa de colocá-las em operação na metade da década de 2030, sujeitas às aprovações necessárias.
Quatro reatores custarão cerca de C$ 20,9 bilhões
O custo é um dos pontos mais observados do projeto.
A OPG estima em C$ 20,9 bilhões o orçamento total para as quatro unidades.
A primeira deverá concentrar a maior parcela de risco.
Segundo a operadora, o primeiro SMR possui custo estimado de C$ 6,1 bilhões, enquanto sistemas e serviços compartilhados pelas quatro unidades acrescentam aproximadamente C$ 1,6 bilhão.
Assim, o orçamento associado à primeira fase chega a C$ 7,7 bilhões.
Depois, a empresa espera reduzir custos nas unidades seguintes.
A lógica depende de repetir o mesmo projeto várias vezes.
Quanto mais a cadeia produtiva aprende, menor tende a ser a necessidade de alterações, retrabalho e mobilização adicional.
Primeira unidade concentra o maior risco do programa
Essa estratégia também cria uma vulnerabilidade.
A analista Zoé Sumont, da Wood Mackenzie, alertou à Reuters que a primeira unidade concentra o risco de um projeto pioneiro.
Além disso, a economia do programa depende de uma queda de custos nas unidades seguintes.
Segundo ela, nenhum SMR ainda demonstrou plenamente essa redução em uma sequência comercial comparável.
Portanto, o programa aposta no chamado efeito de repetição.
A primeira unidade custa mais.
Depois, a equipe repete o mesmo desenho.
Com isso, engenheiros e fornecedores aprendem onde ganhar tempo e reduzir despesas.
Entretanto, se a primeira obra sofrer grandes atrasos ou mudanças de projeto, parte dessa vantagem pode desaparecer.
Ontário usa reforma de C$ 12,8 bilhões como treinamento para os SMRs
A província acredita que chega mais preparada do que outros mercados porque acabou de concluir uma reforma nuclear gigantesca.
Durante quase uma década, a OPG modernizou os quatro reatores CANDU existentes em Darlington.
O projeto possuía orçamento de C$ 12,8 bilhões.
Além disso, prolongou a vida operacional da instalação por aproximadamente 30 anos.
A obra terminou no primeiro trimestre de 2026.
E existe um detalhe particularmente importante: a reforma terminou quatro meses antes do cronograma original e cerca de C$ 150 milhões abaixo do orçamento.
Esse histórico agora serve de argumento para o novo programa.
Trabalhadores da reforma foram mantidos para construir os novos reatores
Grandes projetos nucleares dependem de profissionais especializados.
Durante a reforma de Darlington, Ontário manteve durante anos uma força de trabalho treinada em atividades nucleares complexas.
Agora, parte desses trabalhadores migra para o novo projeto.
Segundo informações fornecidas pela OPG à Reuters, muitos profissionais que atuaram na modernização dos CANDU permaneceram disponíveis para o BWRX-300.
Isso reduz a necessidade de formar uma equipe completamente nova.
Além disso, trabalhadores já conhecem procedimentos de segurança, documentação e qualidade exigidos pelo setor nuclear.
Portanto, a reforma anterior funciona também como uma espécie de escola industrial para a próxima geração de reatores.
Mais de 100 empresas de Ontário deverão fornecer componentes e serviços
A cadeia local também ganhou escala.
A Reuters informa que mais de 100 empresas de Ontário deverão fornecer equipamentos e serviços para o projeto.
A OPG afirma ainda que uma grande parcela dos gastos ficará dentro do Canadá.
Em planejamento divulgado anteriormente, mais de 80% dos contratos do Darlington New Nuclear Project seriam adquiridos domesticamente, enquanto parte adicional viria da Europa e do Japão.
Assim, o programa nuclear deixa de ser apenas uma compra de equipamentos.
Ele cria demanda para fabricantes, empresas de engenharia, construção, manutenção e serviços especializados.
Essa lógica aparece também em outras grandes infraestruturas energéticas. A recente construção do Baltica 2 exigiu 111 fundações de até 100 metros e cerca de 1.900 toneladas, mostrando como projetos de geração dependem de uma cadeia industrial inteira antes de produzir o primeiro megawatt.
Reator ganha vaso de pressão fabricado dentro de Ontário
A fabricação já começou dentro da própria província.
A BWXT produz o vaso de pressão do reator em sua instalação industrial de Ontário.
Esse componente está entre as partes mais críticas da usina nuclear.
Ele abriga equipamentos essenciais do reator e precisa cumprir padrões rigorosos de segurança e qualidade.
Além disso, em abril de 2026, trabalhadores instalaram no local uma enorme base estrutural.
A peça pesava aproximadamente 2,1 milhões de libras, ou cerca de 950 toneladas.
A escala desse componente mostra que o termo “small modular reactor” pode enganar visualmente.
Pequeno, nesse caso, significa menor em comparação com grandes reatores convencionais.
A infraestrutura continua sendo industrial e pesada.
Base modular de quase 950 toneladas foi instalada de uma só vez
A OPG destaca que a fundação do edifício do reator trouxe uma novidade.
A equipe fabricou e montou uma grande estrutura modular de aço e concreto antes de baixá-la inteira até o local definitivo.
Foi a primeira vez no Canadá que uma fundação desse tipo para um edifício de reator passou por montagem modular dessa maneira.
Assim, a obra tenta levar o conceito de modularidade para além do equipamento nuclear.
Em vez de construir cada elemento lentamente no local, equipes produzem partes maiores de forma padronizada.
Depois, transportam e instalam esses módulos.
Se essa estratégia funcionar, poderá reduzir cronogramas em futuras unidades.
Construir dentro de um complexo nuclear existente reduz riscos
Darlington oferece outra vantagem importante: boa parte da infraestrutura já existe.
O local possui estradas.
Além disso, já conta com instalações portuárias, conexão elétrica, sistemas de segurança e acesso à água para resfriamento.
Também existe uma comunidade acostumada à operação nuclear.
Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, usar um local nuclear ativo pode reduzir vários anos do cronograma de implantação em comparação com construir em uma área completamente nova.
Portanto, a escolha de Darlington não depende apenas da proximidade com Toronto.
Ela reduz a quantidade de infraestrutura que precisa surgir do zero.
Rede elétrica já está preparada para receber geração nuclear
Outro benefício está na conexão com o sistema elétrico.
Uma nova usina precisa escoar centenas de megawatts.
Isso exige linhas, subestações e integração com a rede.
Como Darlington já produz energia nuclear, boa parte dessa estrutura está disponível.
Assim, os novos SMRs aproveitam um local que já possui conexões de alta capacidade.
Essa vantagem reduz parte das obras externas.
Além disso, evita criar um novo corredor de transmissão completamente independente.
A necessidade de reforçar redes acompanha praticamente todas as fontes de geração. Em outro contexto, a PowerChina ampliou sua estratégia em renováveis e transmissão após 20 anos no Brasil, mostrando como gerar eletricidade e transportá-la permanecem partes inseparáveis do mesmo desafio.
Repetir quatro unidades iguais é a aposta para baixar custos
O plano de Ontário depende fortemente de padronização.
A GE Vernova Hitachi pretende utilizar as lições da Unidade 1 na construção das três seguintes.
Segundo a empresa, a repetição de unidades idênticas com um projeto de referência comum representa uma das chaves para reduzir custos.
Isso ocorre porque projetos únicos exigem adaptações repetidas.
Já um modelo padronizado permite reutilizar engenharia, treinamento, ferramentas e procedimentos.
Além disso, fornecedores podem fabricar componentes semelhantes várias vezes.
Portanto, a lógica lembra uma linha de produção industrial.
O desafio consiste em aplicar essa repetição a uma infraestrutura nuclear altamente regulada.
OPG já pediu licença operacional para primeira unidade
A construção avança paralelamente ao licenciamento.
Em março de 2026, a OPG solicitou a licença de operação da primeira unidade.
O processo entrou em consulta pública.
Enquanto isso, a empresa planeja solicitar licenças de construção para as três unidades adicionais.
Essa sequência mostra como um projeto nuclear avança em várias frentes ao mesmo tempo.
Engenheiros trabalham na obra.
Fabricantes produzem componentes.
Ao mesmo tempo, equipes regulatórias analisam documentação e segurança.
Portanto, concluir fisicamente a estrutura não basta.
O reator só poderá gerar comercialmente depois de receber todas as autorizações necessárias.
Canadá possui 19 reatores comerciais em operação
Ontário parte de uma base nuclear já consolidada.
O Canadá possui 19 reatores comerciais, segundo a Reuters.
Desses, 18 ficam em Ontário e apenas um opera em New Brunswick.
Juntos, eles representam aproximadamente 13,6 GW de capacidade instalada.
A província, portanto, concentra praticamente toda a indústria nuclear canadense.
Essa experiência cria uma vantagem para novas construções.
Há operadores.
Existem fornecedores.
Além disso, universidades e programas técnicos já formam profissionais para o setor.
Por isso, a Reuters descreve Ontário como a ponta de lança do renascimento nuclear canadense.
OPG controla 5,4 GW de geração nuclear
A Ontario Power Generation está entre as maiores peças desse sistema.
A companhia possui aproximadamente 5,4 GW de geração nuclear.
Ela opera Darlington e Pickering.
Além disso, é proprietária do complexo Bruce, embora a Bruce Power opere o local por meio de arrendamento.
Essa experiência reduz a distância entre construir e operar os novos SMRs.
A mesma empresa que executa o projeto possui décadas de conhecimento sobre geração nuclear.
Assim, Darlington funciona como uma extensão de uma operação já existente, e não como entrada de uma empresa completamente nova no setor.
Governo canadense quer dobrar capacidade elétrica até 2050
O projeto ganha relevância ainda maior quando visto dentro da estratégia nacional.
Em junho de 2026, o governo canadense anunciou uma National Electricity Strategy com objetivo de dobrar a capacidade de geração elétrica até 2050.
Grande parte desse aumento deverá vir de fontes consideradas limpas.
Atualmente, cerca de 80% da geração canadense já vem dessas fontes, segundo a Reuters.
Porém, eletrificação de transportes, indústria, aquecimento e novos centros de dados tende a ampliar a demanda.
Portanto, manter o mesmo parque gerador não será suficiente.
O governo precisa adicionar capacidade.
Canadá quer 10 novos grandes reatores até 2040
A estratégia também vai além dos SMRs.
O governo estabeleceu como meta ter 10 novos grandes reatores nucleares planejados, em construção ou concluídos até 2040.
Além disso, pelo menos um novo projeto fora de Ontário deverá estar em construção até 2035.
Essa meta tenta espalhar a indústria nuclear para outras províncias.
Hoje, a concentração em Ontário representa ao mesmo tempo uma vantagem industrial e uma limitação geográfica.
Se Saskatchewan, Alberta ou outras regiões avançarem, a cadeia produtiva poderá ganhar escala nacional.
Saskatchewan e Alberta avaliam novos projetos nucleares
A Reuters informa que novos projetos estão em discussão em Saskatchewan e Alberta.
Além disso, territórios do norte estudam até microreatores para comunidades remotas.
Cada região possui necessidades diferentes.
Saskatchewan tem um sistema elétrico menor.
Alberta possui forte demanda industrial.
Já Yukon, Nunavut e Northwest Territories enfrentam distâncias enormes e comunidades isoladas.
Assim, a tecnologia nuclear pode assumir formatos diferentes.
Grandes reatores podem atender sistemas provinciais.
SMRs podem entrar em redes menores.
Microreatores, por sua vez, aparecem como possibilidade para locais remotos.
Wesleyville pode receber complexo nuclear de 10 GW
A OPG já estuda um projeto ainda maior.
A companhia iniciou o processo federal de avaliação de impacto para desenvolver até 10 GW de capacidade nuclear em Wesleyville, perto de Darlington.
O local possui uma curiosidade histórica.
Ali, uma usina a óleo começou a ser construída na década de 1970, mas nunca entrou plenamente em operação como originalmente planejado.
Agora, a área pode ganhar uma nova função energética.
A OPG espera solicitar uma licença de construção no início da década de 2030.
Os primeiros reatores poderiam entrar em operação na metade dos anos 2040.
Portanto, o projeto ainda está em fase muito anterior ao dos SMRs de Darlington.
Ontário aposta em energia nuclear para atender indústria e eletrificação
A província prevê aumento significativo da demanda elétrica.
Carros elétricos exigem mais energia.
Além disso, novas fábricas e processos industriais podem migrar de combustíveis fósseis para eletricidade.
Centros de dados também aumentam consumo.
Por isso, Ontário busca fontes capazes de fornecer grandes volumes de energia durante longos períodos.
A energia nuclear oferece geração firme e de baixo carbono durante a operação.
Entretanto, novas usinas exigem altos investimentos iniciais e longos processos regulatórios.
Essa troca entre custo de construção e geração contínua aparece no centro da estratégia.
Enquanto algumas regiões apostam em renováveis associadas a baterias — como a usina africana que combina 233 MWp de solar com 526 MWh de armazenamento para entregar energia continuamente a um grande complexo de cobre — Ontário procura combinar seu sistema renovável com uma expansão nuclear de longa duração.
Quatro SMRs podem sustentar cerca de 1,2 milhão de residências
A capacidade final facilita a compreensão da escala.
Quatro unidades de 300 MW representam aproximadamente 1.200 MW.
Segundo a OPG, o conjunto produzirá eletricidade equivalente ao consumo de cerca de 1,2 milhão de casas.
A primeira unidade, sozinha, corresponde a aproximadamente 300 mil residências, pela mesma referência da empresa.
Essas equivalências servem apenas para dimensionar a produção.
Isso não significa que os reatores alimentarão exclusivamente um grupo fixo de residências.
A energia entrará na rede provincial.
Depois, o sistema distribuirá eletricidade entre consumidores residenciais, comerciais e industriais.
Programa pode gerar dezenas de bilhões em atividade econômica
A OPG também apresenta projeções econômicas.
Segundo estudo citado pela companhia, a construção e operação das quatro unidades poderia acrescentar aproximadamente C$ 38,5 bilhões ao PIB canadense ao longo de 65 anos.
Além disso, o projeto poderia sustentar em média cerca de 3.700 empregos anuais nesse período.
Durante a fase de construção, o impacto seria muito maior.
A estimativa citada chega a 18 mil empregos por ano durante cinco anos, considerando efeitos diretos e indiretos.
Entretanto, esses números são projeções econômicas, não postos permanentes já criados.
Portanto, precisam permanecer tratados como estimativas.
Ministro projeta C$ 800 bilhões com conjunto de projetos nucleares
A Reuters cita ainda uma projeção muito maior do governo provincial.
O ministro de Energia e Minas de Ontário, Stephen Lecce, afirmou que os projetos nucleares planejados poderão adicionar C$ 800 bilhões à economia canadense ao longo de suas vidas úteis.
Esse valor não corresponde ao orçamento dos quatro SMRs.
Também não representa receita já gerada.
Trata-se de uma estimativa de impacto econômico do conjunto de investimentos nucleares planejados.
A distinção é fundamental.
O orçamento do projeto de quatro SMRs permanece em aproximadamente C$ 20,9 bilhões.
Reforma de Darlington virou argumento central para a nova aposta
O projeto anterior explica boa parte da confiança da província.
A reforma dos quatro CANDU exigiu milhões de horas de trabalho.
Além disso, equipes substituíram aproximadamente 1.920 canais de combustível, segundo dados da OPG.
Mesmo com a pandemia no meio da execução, a companhia terminou o programa abaixo do orçamento original.
Assim, o governo usa esse desempenho como prova de que a cadeia local consegue executar grandes obras nucleares.
Entretanto, renovar reatores existentes e construir um modelo completamente novo são desafios diferentes.
Por isso, a primeira unidade BWRX-300 continuará funcionando como teste crucial.
Novo reator ainda precisa provar custo em escala comercial
Esse é o ponto central da cautela econômica.
O BWRX-300 promete padronização.
Além disso, utiliza um projeto menor e mais simplificado que grandes reatores convencionais.
Entretanto, o mercado ainda precisa verificar quanto custa efetivamente construir uma frota inteira.
Se a primeira unidade consumir muito mais capital do que o previsto, a economia das unidades seguintes pode mudar.
Da mesma forma, atrasos podem aumentar custos financeiros.
Por isso, analistas acompanham cada etapa de Darlington.
O projeto não precisa apenas funcionar tecnicamente.
Ele também precisa demonstrar que a repetição consegue reduzir custo e prazo.
Ontário tenta transformar uma obra pioneira em linha de produção nuclear
A estratégia pode ser resumida em uma sequência.
Primeiro, Ontário reformou quatro grandes reatores CANDU por C$ 12,8 bilhões.
Nesse processo, manteve trabalhadores e fornecedores ativos.
Depois, iniciou a construção do primeiro BWRX-300 de 300 MW.
Agora, pretende repetir o mesmo projeto outras três vezes.
Se tudo avançar conforme o planejamento, o conjunto chegará a 1,2 GW e custará aproximadamente C$ 20,9 bilhões.
A primeira unidade deverá começar a gerar eletricidade em 2030.
Enquanto isso, o Canadá prepara uma estratégia muito maior, com objetivo de dobrar a capacidade elétrica até 2050 e colocar 10 novos grandes reatores em planejamento, construção ou operação até 2040.
Assim, Darlington deixou de ser apenas mais um projeto de geração.
Ele se tornou uma espécie de laboratório industrial.
Se a primeira unidade cumprir custos e cronograma, Ontário poderá mostrar que uma cadeia nuclear madura, um local já licenciado e a repetição de módulos iguais conseguem transformar pequenos reatores em uma infraestrutura fabricada quase em série.
Se ocorrerem atrasos e estouros de orçamento, porém, a experiência também mostrará por que construir o primeiro exemplar de uma nova tecnologia continua sendo a etapa mais arriscada.
Você acredita que pequenos reatores modulares de 300 MW podem tornar a construção nuclear mais previsível e barata, ou o custo de C$ 20,9 bilhões para quatro unidades ainda deixa a tecnologia distante de uma produção em massa?
