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País que vai estrear na Copa só tem 61 m³ de água por pessoa ao ano, sofre com a escassez e aposta em megaprojeto para puxar água do Mar Vermelho até a capital

Publicado em 16/06/2026 às 19:04
Atualizado em 16/06/2026 às 19:07
Assista o vídeoPaís que vai estrear na Copa vive racionamento pesado, tem só 61 m³ de água por pessoa ao ano e quer dessalinizar água do Mar Vermelho até 2030
Imagem: Ilustração artística
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Com apenas 61 metros cúbicos de água por pessoa ao ano, a Jordânia investe em megaprojeto de dessalinização para abastecer Amã e reduzir a pressão sobre famílias afetadas pelo racionamento

A dessalinização na Jordânia é tratada como uma das principais respostas à escassez extrema de água no país, que tem apenas 61 metros cúbicos disponíveis por pessoa ao ano. A obra deve captar água do Mar Vermelho, tratar o recurso e bombeá-lo por mais de 400 quilômetros até Amã, com previsão de conclusão em 2030.

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Jordânia vive escassez absoluta de água

A Jordânia está entre os países mais áridos do mundo e aparece como o segundo em escassez de água em algumas classificações. Segundo o Unicef, cada habitante tem acesso a 61 metros cúbicos de água por ano.

Esse volume representa cerca de 12% dos 500 metros cúbicos mínimos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para caracterizar uma condição fora da escassez absoluta. Na prática, a falta de água não é um problema distante, mas parte da rotina da população.

O desafio hídrico se soma a outro marco do país: em 2026, a seleção jordaniana disputará pela primeira vez a Copa do Mundo, após nove tentativas frustradas.

Mas, fora dos campos, a pressão sobre o abastecimento segue como uma das questões mais urgentes.

Clima, geografia e evaporação agravam o problema

De acordo com Luis Antonio Bittar, professor titular do Departamento de Geografia da USP e especialista em recursos naturais, as causas principais da escassez são climáticas e geográficas.

Mais de 90% da chuva que cai no país evapora antes de infiltrar no solo e recarregar os aquíferos. O aumento das temperaturas intensifica esse processo, afetando tanto a água da chuva quanto os reservatórios superficiais.

A geografia também pesa. Cerca de 80% do território jordaniano é formado por áreas áridas e desérticas, o que amplia a evaporação e reduz a capacidade natural de armazenamento e renovação de água doce.

Segundo Bittar, autor do livro “Água no Oriente Médio: o fluxo da paz”, a situação ainda é agravada por disputas geopolíticas envolvendo fontes compartilhadas.

A Jordânia divide o rio Jordão e o rio Yarmouk com Síria e Israel, em um contexto de controle militar e político dessas águas.

Escassez de água na Jordânia
Foto de Mohammad Abu Ghosh/Xinhua

Racionamento atinge casas e pesa no orçamento

Os efeitos para a população aparecem no abastecimento diário. Bittar, que esteve na Jordânia em três ocasiões, relata que o racionamento é frequente em Amã e em outras regiões do país.

Na maior parte das áreas urbanas, as casas recebem água canalizada uma vez por semana. Em algumas regiões rurais, o intervalo pode chegar a duas ou três semanas.

Por isso, muitas residências contam com cisternas para armazenar água no dia do abastecimento. Quando o volume acaba antes da nova entrega, famílias precisam recorrer a caminhões-pipa privados, o que aumenta o peso no orçamento doméstico.

Outro fator de pressão é o crescimento populacional associado à chegada de refugiados. A Jordânia recebeu, nas últimas décadas, pessoas vindas principalmente da Palestina ocupada, do Iraque e, mais recentemente, da Síria.

Escassez de água na Jordânia
Reprodução / Video do Youtube

Dessalinização deve levar água do Mar Vermelho até Amã

O grande projeto de dessalinização é visto como uma alternativa para reduzir a dependência de fontes naturais de água doce, como rios, aquíferos e lençóis, que já estão abaixo da demanda.

A estrutura prevista vai coletar água do Mar Vermelho em Aqba, no sudoeste do país. Depois da dessalinização, a água tratada será bombeada por mais de 400 quilômetros até Amã, capital jordaniana.

A expectativa é que o projeto, quando concluído, supra cerca de 40% da necessidade de abastecimento do país. A previsão é que as obras sejam finalizadas até 2030.

Segundo Bittar, a vantagem da dessalinização é não depender das chuvas nem de disputas por rios transfronteiriços.

Mesmo com custos menores de operação em comparação a anos anteriores e menor necessidade de energia elétrica, a usina ainda exige tempo para ficar totalmente operacional.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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