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Pai e filho começaram a cultivar baunilha em uma pequena área na Bahia, esperaram quatro anos pela primeira colheita e hoje comandam negócio de R$ 8,1 milhões que já prepara expansão para os Estados Unidos

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 26/08/2026 às 16:18 Atualizado em 26/08/2026 às 16:19
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos. Fonte: Divulgação.
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Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.

Uma plantação iniciada em pequena escala no interior da Bahia se transformou em uma empresa que faturou R$ 8,1 milhões em 2025 e pretende chegar a R$ 16 milhões até o fim de 2026. À frente da Vanilla Brasil, em Itapetinga, estão o agrônomo Aderbal Castro e o filho Tarcísio Machado, dupla que dividiu as responsabilidades entre produção agrícola e área comercial para ampliar um negócio baseado em uma especiaria ainda pouco explorada no país.

O crescimento atual ocorre depois de um período em que a empresa precisou atravessar anos sem receita proveniente da própria lavoura. Hoje, a operação combina cultivo, desenvolvimento de derivados, vendas para empresas e consumidores finais e expansão internacional. Segundo reportagem da Revista PEGN, de agosto de 2026, a companhia também prepara sua entrada direta no mercado norte-americano.

Pai e filho apostam em aumento da produção para sustentar nova fase

Uma das bases da expansão está dentro da própria fazenda. A Vanilla Brasil colheu 700 quilos de baunilha dois anos antes e elevou esse volume para 1,5 tonelada no ano passado, enquanto as plantações mais antigas avançam para uma fase de maior produtividade.

A empresa trabalha com a expectativa de fechar 2026 com 45 mil plantas e dobrar a produção atual. Parte desse avanço deverá vir de novas mudas de uma variedade desenvolvida em parceria com uma universidade francesa, incorporada ao planejamento agrícola da companhia.

A maturidade das plantas também pesa no resultado. Segundo a Revista PEGN, a produtividade da vanilla aumenta a partir do sétimo ano de cultivo, o que favorece áreas implantadas nas fases iniciais do projeto.

Esse crescimento agrícola é decisivo porque o produto depende de um ciclo longo. Diferentemente de negócios que conseguem ampliar estoques rapidamente, a Vanilla Brasil precisa planejar a expansão levando em consideração o ritmo biológico da própria planta.

Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos. Fonte: Divulgação.

Flor fica aberta por apenas quatro horas e exige trabalho manual

Produzir baunilha envolve uma operação concentrada em uma janela extremamente curta. As flores da orquídea Vanilla permanecem abertas por aproximadamente quatro horas por dia, período em que precisam ser polinizadas manualmente para que as futuras favas se desenvolvam.

Durante a maior floração, os sete funcionários fixos da fazenda deixam de ser suficientes. Familiares desses trabalhadores reforçam a equipe, fazendo o número de pessoas envolvidas chegar a aproximadamente 30 durante cerca de um mês.

Depois da polinização, ainda é preciso esperar nove meses até a colheita das favas. A empresa também optou por não retirar um cacho inteiro de uma única vez, acompanhando individualmente o momento correspondente à polinização de cada flor.

Esse cuidado prolonga o processo, mas faz parte da estratégia produtiva de pai e filho. Cada fava é retirada de acordo com seu estágio, em vez de simplesmente acompanhar uma data geral para todo o conjunto.

Aroma aparece somente depois de mais cinco meses de processamento

Sair da plantação também não significa que a baunilha está pronta para comercialização. Depois da colheita, as favas passam por um ciclo de cura e secagem de aproximadamente cinco meses em estufas com temperatura controlada.

Esse processo foi desenvolvido com participação do Senai Cimatec e representa uma etapa essencial para o resultado final. Segundo Tarcísio Machado, a planta fresca ainda não apresenta o aroma característico associado comercialmente à baunilha.

Assim, o tempo entre polinização e produto acabado ultrapassa amplamente o período de crescimento da fava. A operação precisa administrar simultaneamente flores, frutos em desenvolvimento e lotes que permanecem em processamento depois da colheita.

A característica ajuda a explicar por que o capital de giro ganhou importância desde o começo do projeto. A Vanilla Brasil precisa financiar a operação muito antes de transformar cada nova safra em produto disponível para venda.

Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos. Fonte: Divulgação.

Aderbal cuida da fazenda enquanto Tarcísio concentra área comercial

A divisão de funções se tornou um dos pilares da administração. Aderbal Castro permanece concentrado na fazenda e no desenvolvimento dos produtos, enquanto Tarcísio Machado responde principalmente pela frente comercial e pela operação mantida em São Paulo.

Essa separação também influencia os lançamentos. Tarcísio utiliza viagens e feiras internacionais para observar produtos e referências de mercado, enquanto o pai trabalha na transformação dessas ideias em novas formulações.

Um exemplo recente foi o xarope de baunilha, apresentado na Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Food Service (Fipan), em São Paulo. O produto entrou em uma linha que já vai muito além da venda da fava natural.

A estratégia permite que pai e filho atuem em áreas diferentes sem concentrar todas as decisões em uma única pessoa. Produção e mercado avançam de maneira paralela dentro da estrutura da empresa.

Vanilla Brasil vende de favas a açúcar aromatizado

O portfólio inclui fava, extrato, pasta, pó, caviar de baunilha e açúcar aromatizado. A companhia também realiza parcerias sazonais com marcas ligadas a café, chá e suplementos, ampliando as formas de utilização da matéria-prima.

Entre os produtos próprios, o extrato lidera as vendas, seguido pela pasta. A empresa atende desde compradores individuais até estabelecimentos e redes que adquirem quantidades maiores para uso ou revenda.

Os valores médios de cada transação mudam significativamente conforme o canal. Na revenda destinada a supermercados e lojas, o tíquete fica em torno de R$ 2,8 mil, enquanto food service registra aproximadamente R$ 700.

No varejo direto ao consumidor, principalmente por marketplaces, o valor médio cai para cerca de R$ 50. Essa diferença permite à Vanilla Brasil trabalhar simultaneamente com compradores de perfis bastante distintos.

Venda direta nos marketplaces já representa 12% do faturamento

Uma mudança recente ocorreu na estratégia digital. Aproximadamente um mês antes da reportagem, a companhia passou a manter estoque próprio nos centros de distribuição de Amazon, Mercado Livre e Shopee, utilizando o modelo fulfillment.

Antes disso, comerciantes independentes compravam os produtos e criavam os próprios anúncios. A prática fazia diferentes vendedores da mesma marca disputarem consumidores por preço, reduzindo o controle da empresa sobre sua apresentação no ambiente digital.

Com estoque próprio nos marketplaces, a Vanilla Brasil passou a vender diretamente e oferecer, em determinadas situações, entrega no mesmo dia. Segundo Machado, essa frente já responde por 12% do faturamento.

A operação digital se soma a uma carteira formada por gelaterias, indústrias de chocolate e granola e redes varejistas. Casa Santa Luzia, St. Marche, Oba Hortifruti, Angeloni e Bistek aparecem entre os clientes.

Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos. Fonte: Divulgação.

Panetones aumentam procura no segundo semestre

O ritmo de vendas não permanece igual durante todo o ano. O segundo semestre concentra uma parcela importante da demanda porque indústrias e panificadoras aumentam as compras de baunilha para a produção de panetones destinada ao período de fim de ano.

Essa sazonalidade exige que a empresa combine os diferentes calendários da operação. Enquanto o cultivo segue ciclos definidos pela planta, a área comercial precisa estar preparada para entregar maior quantidade justamente quando determinados clientes ampliam os pedidos.

A diversidade de produtos também reduz a dependência de uma única forma de comercialização. Em vez de vender apenas favas, a empresa transforma a mesma matéria-prima em diferentes itens direcionados a consumidores e negócios.

Para a Vanilla Brasil, agregar valor depois da colheita passou a ser tão relevante quanto ampliar a quantidade produzida na fazenda baiana.

Estados Unidos entram no próximo estágio da expansão

A empresa já abriu a Vanilla Brasil LLC nos Estados Unidos e prepara a entrada de seus produtos na Amazon norte-americana.

A estratégia inclui um embaixador da marca em Miami e acordos com gelaterias locais. Tarcísio enxerga diferença expressiva de escala entre os dois mercados e citou como referência um anúncio do setor capaz de vender cerca de 18 mil unidades mensais nos Estados Unidos, contra mil no Brasil.

A internacionalização não deverá ficar restrita ao mercado americano. Amostras também foram enviadas ao Japão, depois do interesse demonstrado por uma importadora de saquês.

Negócio surgiu quando aposentadoria colocou uma pequena terra no centro dos planos

A origem da empresa aconteceu em um cenário bem menor do que a operação atual. Aderbal Castro se aproximava da aposentadoria como professor universitário e possuía uma pequena área remanescente de uma antiga sociedade entre docentes.

O terreno precisava gerar alguma fonte de renda. Pai e filho chegaram a pesquisar alternativas como cacau e camarão antes de se interessarem pela baunilha, cultura que exigia pouca área e investimento inicial compatível com aquilo que pretendiam construir.

O interesse ganhou força depois que assistiram a uma reportagem do Globo Rural, em 2016. Tarcísio havia acabado de concluir Administração e trabalhava no setor financeiro de uma empresa, enquanto o pai preparava sua transição para a aposentadoria.

A combinação entre alto valor da especiaria e pouca exploração no Brasil fez a dupla escolher um produto sobre o qual ainda teria muito a aprender.

Primeiras mudas morreram e colheita comercial levou quatro anos

O início mostrou rapidamente que baixo investimento inicial não significava retorno rápido. As primeiras mudas, compradas pela internet em 2016, chegaram frágeis e boa parte morreu antes de produzir flores.

A estrutura também precisou ser modificada. As estufas foram transferidas para outro lugar, provocando novas despesas e alongando ainda mais o período necessário até que a lavoura começasse a entregar resultados.

A primeira colheita comercial aconteceu somente em 2020, quatro anos depois do início do projeto. Até lá, a empresa precisava encontrar uma forma de sustentar despesas sem depender de uma produção própria que ainda não existia.

Tarcísio permaneceu no emprego do mercado financeiro durante parte dessa fase. Ele só deixou a função aproximadamente dois anos depois da criação do negócio para se dedicar integralmente à Vanilla Brasil.

Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos.
Pai e filho criaram a Vanilla Brasil no interior da Bahia, faturaram R$ 8,1 milhões em 2025 e agora projetam expansão nos Estados Unidos. Fonte: Divulgação.

Importação de Madagascar manteve empresa funcionando antes da própria safra

Sem favas suficientes produzidas na Bahia, Machado encontrou uma saída comercial para criar receita. Passou a importar baunilha de Madagascar e revender o produto no mercado brasileiro enquanto aguardava a maturação das próprias plantas.

Essa estratégia permitiu desenvolver clientes e canais de venda antes que a fazenda estivesse pronta para fornecer volume comercial. Ao mesmo tempo, mostrou que o custo real de uma cultura de ciclo longo não termina na compra das mudas e na montagem das estufas.

O negócio precisava financiar anos de manutenção até alcançar a primeira colheita. Essa experiência inicial ajudou a moldar o modelo atual, no qual produção agrícola, transformação de produtos e comercialização caminham simultaneamente.

O que começou como uma solução para complementar a renda de aposentadoria ganhou escala muito maior depois que a lavoura amadureceu e as vendas passaram a incluir diferentes formatos da baunilha.

A próxima etapa pode exigir mudanças também na própria gestão. Tarcísio reconhece que o crescimento projetado poderá demandar executivos com experiência ou até recursos provenientes de fundos de investimento.

Ele afirma não considerar indispensável permanecer para sempre no cargo de CEO. O objetivo declarado é transformar a Vanilla Brasil em uma referência mundial no segmento de baunilha natural, mesmo que isso exija mudanças na estrutura de comando.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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