O “Pai do Pix”, Carlos Eduardo Brandt, deixou o Banco Central para liderar no FMI o desenvolvimento de um sistema internacional de pagamentos capaz de reduzir tarifas e acelerar remessas entre países
O engenheiro Carlos Eduardo Brandt, conhecido nacionalmente como o “Pai do Pix”, deixou o Banco Central do Brasil para assumir uma função estratégica no Fundo Monetário Internacional (FMI). A informação foi divulgada pela BBC na última semana. A partir de agora, ele passa a comandar, em Washington, a área dedicada a sistemas de pagamentos e infraestruturas de mercado do organismo.
Brandt, que fez carreira de 23 anos no BC, se tornou uma das figuras mais influentes do setor financeiro mundial depois da criação do Pix. Em 2021, apareceu como o único brasileiro na lista das 50 pessoas mais importantes para o futuro dos negócios globais, organizada pela Bloomberg. O reconhecimento veio apenas um ano após o lançamento do sistema de transferências instantâneas, que rapidamente se tornou um fenômeno de adesão entre os brasileiros.
A possibilidade de um Pix internacional
No FMI, Brandt passa a aplicar sua experiência no desenvolvimento de soluções que simplifiquem transações entre países. O interesse global por um modelo semelhante ao Pix cresceu conforme a tecnologia brasileira superou o cartão de crédito como método de pagamento mais utilizado no país. A ideia central é encontrar mecanismos que permitam transferências internacionais rápidas, baratas e acessíveis.
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Desde agosto, o especialista tem acompanhado iniciativas como a da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), formada por 16 países, que trabalha em um sistema de integração regional para pagamentos. Outro projeto observado de perto é o Nexus, criado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Ele conecta sistemas de pagamentos de diferentes nações e já foi testado na Índia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Malásia. Por essa proposta, o Nexus começou a ser comparado ao “Pix internacional”.
Segundo Brandt, trabalhar em uma instituição multilateral abre espaço para contribuir em escala global. “A minha percepção foi de que eu poderia ajudar outros países e fazer isso numa dimensão muito maior”, declarou à BBC.
Desafios e oportunidades nas transferências internacionais
As transferências internacionais continuam caras e lentas se comparadas ao Pix. Tarifas elevadas, etapas intermediárias e diferenças regulatórias entre países dificultam a adoção de um sistema mais eficiente. No FMI, Brandt também acompanha a evolução das Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs), ativos digitais de funcionamento semelhante ao das criptomoedas, mas emitidos e regulados diretamente pelas autoridades monetárias de cada país.
Com base no Pix, o especialista busca modelos capazes de reduzir custos, simplificar operações e aumentar a segurança. A proposta segue um caminho diferente do adotado por alguns países, como a Índia, onde empresas privadas são responsáveis tanto pelo desenvolvimento quanto pela operação de sistemas de pagamento.
Redução de tarifas e impacto global
Um sistema internacional inspirado no Pix pode replicar efeitos observados no Brasil, como a queda nas tarifas bancárias e a desburocratização de serviços. O tema ganhou força após declarações de Tobias Adrian, chefe do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI. Ele criticou os valores cobrados por empresas especializadas em remessas internacionais, que chegam a movimentar US$ 45 bilhões por ano (cerca de R$ 242 bilhões na cotação atual).
Para o FMI, a adoção de uma infraestrutura moderna e pública – semelhante ao modelo brasileiro – poderia reduzir drasticamente esses custos. Porém, isso exige padronização regulatória, integração tecnológica e um alto nível de coordenação entre bancos centrais.
Com a experiência acumulada no Brasil, Brandt agora se torna um dos principais nomes por trás da tentativa de transformar não só o Pix em um padrão global, mas também todo o sistema de pagamentos internacionais.

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