Golpistas aproveitam o movimento do Black Friday para criar páginas que parecem legítimas, usam marcas conhecidas como chamariz e conseguem receber pagamentos antes de sumir da internet
O Black Friday chegou trazendo promoções agressivas, mas também abriu espaço para um tipo de golpe que se espalha com velocidade impressionante: os sites falsos que imitam redes gigantes do varejo brasileiro. Havan e Shopee estão entre as marcas mais clonadas nas últimas semanas, e a quantidade de consumidores enganados por páginas praticamente idênticas às oficiais cresce de forma preocupante.
A combinação de ofertas irresistíveis, pressa típica da data e falta de verificação detalhada do consumidor cria o cenário perfeito para golpistas. Com técnicas cada vez mais sofisticadas, incluindo inteligência artificial, os criminosos constroem páginas que replicam visualmente o ambiente oficial das lojas, mas escondem armadilhas destinadas a captar pagamentos via PIX sem entregar nenhum produto.
Como surgem os sites falsos e por que enganam tanta gente
A estrutura desses sites fraudulentos segue um padrão bem conhecido pelas autoridades e empresas de cibersegurança. Primeiro, os criminosos registram domínios parecidos com os oficiais, alterando apenas um detalhe no endereço, um “.top”, “.shop” ou uma letra trocada já são suficientes para confundir quem navega rápido buscando ofertas.
-
Um homem foi ao supermercado na China com o salário de um único dia de trabalho e o que ele colocou no carrinho vai fazer qualquer brasileiro questionar por que paga tão caro para comer tão pouco
-
Homem cria ilhas flutuantes em lago de mais de 20 mil metros quadrados e solta 10 mil peixes-isca
-
Pai dizia que era impossível, e uma tempestade enterrou a primeira safra em uma noite, mas jovem chinês hoje colhe alfafa até seis vezes por ano em 1.530 hectares do deserto de Taklimakan
-
Mulher começa projeto da casa própria no terreno, monta deck de 8×8 metros, enfrenta solo duro, improvisa acampamento e vê obra parar após madeira acabar no meio do serviço
Depois, os golpistas importam templates, logos e imagens reais das marcas. O resultado final se parece tanto com o site original que, para um usuário comum, a diferença é imperceptível. Para completar o golpe, anúncios pagos nas redes sociais, vídeos falsos com deepfake e mensagens enviadas por WhatsApp reforçam a legitimidade da página fraudulenta.

No caso recente das falsas lojas da Havan e da Shopee, investigadores relatam que os criminosos ofereciam descontos de até 70% e apresentavam contadores regressivos para criar sensação de urgência. O usuário, acreditando estar diante de uma oportunidade rara do Black Friday, realizava o pagamento por PIX. Logo após a transferência, o site sumia, o atendimento desaparecia e o consumidor era bloqueado.
Além disso, as páginas falsas frequentemente apresentam links de redes sociais que não funcionam, seções vazias, erros de português e ausência de políticas de devolução ou termos de uso, detalhes que se tornam evidentes apenas quando o golpe já aconteceu.
Golpe mais sofisticado, vítima mais vulnerável
O uso de inteligência artificial tornou esse tipo de fraude ainda mais perigoso. Algumas páginas falsas usam ferramentas de IA generativa para criar imagens, depoimentos falsos e até vídeos supostamente gravados por influenciadores conhecidos. É uma estratégia que aumenta a credibilidade da farsa, especialmente entre usuários que não têm o hábito de verificar a URL ou confirmar a origem da promoção.
A explosão de golpes também acompanha outro fator determinante: o crescimento do pagamento instantâneo no país. Como os fraudadores recebem via PIX, conseguem transferir o dinheiro para contas laranjas em poucos minutos, dificultando o rastreamento e a recuperação do valor. Com isso, cada hora de atraso ao perceber o golpe diminui drasticamente a chance de reembolso.
Especialistas alertam que, apesar da aparência moderna e da execução mais elaborada, alguns sinais continuam entregando a fraude. A ausência de opções como cartão de crédito ou boleto e a exigência exclusiva de pagamento via PIX são os mais comuns. Outro elemento frequente é a diferença desproporcional entre o preço anunciado e o valor real de mercado.
Consumidores expostos em todas as plataformas
A origem das vítimas é variada: anúncios patrocinados no Instagram, vídeos no TikTok, links enviados por mensagens privadas, mensagens de WhatsApp e até buscas no Google que retornam domínios maliciosos devido à otimização usada pelos criminosos.
Na semana do Black Friday, as páginas falsas da Havan e da Shopee foram acessadas por milhares de consumidores, muitas vezes porque os golpistas investiram dinheiro em anúncios para aparecerem antes dos links legítimos, algo que já preocupou autoridades de defesa do consumidor.
Diante desse cenário, empresas como Havan e Shopee reforçaram avisos oficiais e publicaram comunicados orientando o público a usar apenas os canais verificados. Polícia civil e delegacias especializadas em crimes cibernéticos também recomendam que qualquer fraude seja registrada imediatamente e que todos os arquivos e comprovantes sejam guardados.
Por que o golpe funciona tão bem no Brasil
O Brasil combina três fatores que tornam esse golpe altamente eficaz:
a força do e-commerce, a popularidade do PIX como meio de pagamento e a cultura das grandes promoções sazonais. O consumidor brasileiro está acostumado a correr por ofertas e tomar decisões rápidas. Essa velocidade abre margem para erros de verificação, facilitando o trabalho de criminosos.
Outro ponto é a confiança excessiva em marcas conhecidas. Ao ver o nome Havan ou Shopee, muitos consumidores acreditam que não há risco, e justamente por isso os golpistas exploram essas empresas. O uso indevido da identidade visual ajuda a criar um ambiente de compra aparentemente seguro.
Enquanto o Black Friday continuar sendo um dos períodos mais movimentados do comércio nacional, a tendência é que esses golpes se intensifiquem e se tornem ainda mais sofisticados.

Seja o primeiro a reagir!