Último integrante da série especial Huayra 70 combina tração traseira, sete marchas manuais e acabamento com pó de diamante e folha de platina, em um projeto personalizado que coloca a experiência ao volante no centro da proposta
O Pagani Huayra 70 Anima reúne características cada vez mais raras entre os hipercarros modernos. Em vez de apostar exclusivamente em transmissões automatizadas, o modelo combina um motor V12 biturbo de 6,0 litros, câmbio manual de sete marchas e tração traseira. Além disso, a carroceria incorpora fibra de carbono com acabamento exclusivo, enquanto a estrutura utiliza materiais desenvolvidos para aliar resistência e rigidez. A fabricante apresentou o automóvel como o terceiro e último exemplar da série Huayra 70, conforme matéria publicada pela Folha BV em 4 de novembro de 2026.
O Anima integra o programa Grandi Complicazioni, divisão da Pagani dedicada a projetos especiais sob medida. Por isso, cada detalhe combina engenharia, escolhas estéticas e a participação direta do proprietário. A proposta não depende apenas dos números de desempenho, mas também da experiência mecânica que o carro oferece ao motorista.
V12 biturbo e câmbio manual mantêm o motorista no controle
O coração do Huayra 70 Anima é um V12 de 5.980 cm³, desenvolvido pela Mercedes-AMG conforme as especificações da Pagani. Os dados divulgados para a configuração indicam potência de até 864 cv a 6.000 rpm e torque de 1.100 Nm, equivalente a aproximadamente 112 kgfm, entre 2.800 e 5.900 rpm.
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Essa faixa de torque ajuda a explicar a proposta do motor. Em vez de concentrar toda a força em uma única rotação, o conjunto mantém elevado torque disponível durante boa parte do funcionamento. Ainda assim, a capacidade de aproveitar essa força depende da marcha escolhida, da aderência dos pneus e da maneira como o motorista controla o acelerador.
A transmissão manual transversal de sete velocidades, fornecida pela Xtrac, é outro destaque. Com ela, o condutor escolhe as marchas diretamente, enquanto um diferencial autoblocante eletromecânico distribui a força entre as rodas traseiras para ajudar a aproveitar a aderência disponível.
A velocidade máxima declarada chega a 350 km/h, com limitação eletrônica. Esse número representa a especificação informada, não um resultado independente de teste. Além disso, a fabricante não deve ser confundida com uma equipe que tenha divulgado tempos de aceleração específicos para esta unidade.
A configuração também mostra que o conceito de hipercarro à moda antiga não significa abandonar a tecnologia. O Anima combina três pedais e seleção manual de marchas com amortecedores ajustáveis eletronicamente e sistemas modernos de controle do comportamento dinâmico.
Carbono, titânio e detalhes com pó de diamante diferenciam o exemplar
A estrutura do Huayra 70 Anima utiliza o monocoque Carbon-Titanium HP62 G2 e o material Carbo-Triax HP62. Já os subchassis dianteiro e traseiro recorrem ao aço cromo-molibdênio. Essa combinação distingue as funções de cada componente e evita a impressão equivocada de que todo o carro foi construído em titânio.
Na carroceria, a fibra de carbono aparente recebe tons de azul e uma pintura metálica especial com pó de diamante, responsável pelo efeito visual brilhante. Além disso, detalhes em folha de platina aplicados manualmente destacam áreas da carroceria e da estrutura aerodinâmica. O conjunto inclui ainda um sistema de escape exclusivo com seis saídas revestidas de cerâmica branca.
O visual também incorpora uma entrada de ar sobre o teto, saias laterais pronunciadas, difusor traseiro e uma asa de grandes dimensões. Esses elementos ajudam a construir a identidade do exemplar, embora não seja possível atribuir ganhos específicos de desempenho aerodinâmico sem dados comparativos da fabricante.
Por dentro, o acabamento combina couro em tons claros, tecido Loro Piana e componentes de alumínio usinado. O câmbio manual permanece em evidência, acompanhado pela ligação mecânica exposta. Assim, o interior reforça a intenção de aproximar o motorista dos comandos e da mecânica do veículo.
Segundo Lorenzo Kerkoc, designer da Pagani, a equipe trabalhou com o proprietário durante mais de um ano para transformar suas preferências em uma configuração própria. Esse processo ajuda a explicar por que o Anima se diferencia de um modelo de produção convencional.
Terceiro Huayra 70 fecha uma série de três carros exclusivos
O Anima completa a série Huayra 70, que também inclui os exemplares Trionfo e Derecho. Os três projetos fazem parte das celebrações ligadas ao aniversário de 70 anos de Horacio Pagani e demonstram como a divisão Grandi Complicazioni trabalha em veículos personalizados para clientes específicos.
A proposta acompanha uma tendência do mercado de luxo, no qual fabricantes desenvolvem carros com configurações individuais e materiais incomuns. Entretanto, o Anima se destaca por preservar o câmbio manual em um segmento que utiliza cada vez mais transmissões automatizadas para administrar motores de alta potência.
A escolha também tem precedentes dentro da própria marca. Em 2024, a Pagani apresentou o Huayra Epitome, primeiro exemplar da família Huayra equipado com transmissão manual. O Anima segue essa linha de valorização da interação mecânica, mas acrescenta sua própria identidade visual e uma configuração criada em colaboração com o proprietário.
A Pagani não divulgou um preço público definitivo para o Huayra 70 Anima nas informações consultadas. Como se trata de um exemplar único, não há uma tabela convencional de versões para comparar. Seu principal diferencial está na combinação de mecânica, personalização artesanal e produção extremamente limitada.
