Meridian Mining identifica segunda camada mineralizada no projeto Santa Helena, em Mato Grosso. Sondagem encontra ouro visível e amplia as possibilidades de exploração de metais preciosos e industriais.
Uma nova descoberta mineral chamou a atenção para o potencial do subsolo brasileiro. A Meridian Mining identificou uma segunda camada de mineralização com ouro, prata, cobre, zinco e chumbo no projeto Santa Helena, em Mato Grosso. Segundo reportagem do Mining Weekly, publicada em junho de 2026, a empresa encontrou a estrutura durante uma campanha de sondagem. Além disso, os pesquisadores observaram ouro visível em parte do material analisado, ocorrência que a companhia destacou como incomum na área investigada.
Nova descoberta mineral amplia potencial do projeto Santa Helena
O projeto Santa Helena integra a estratégia de exploração da Meridian Mining no cinturão mineral de Cabaçal, em Mato Grosso.
-
Região da Bahia conhecida pelo cobre também esconde níquel: tecnologia revela como pesquisadores identificaram um sistema mineral no subsolo
-
Jaguar Mining inicia 20 perfurações em mina de ouro de Minas Gerais para investigar novas áreas no subsolo
-
Chile prepara mina de cobre de US$ 870 milhões com energia solar, água do mar e capacidade para produzir 46 mil toneladas por ano
-
Mina centenária de cobre e níquel será reativada no Canadá após décadas de exploração e prevê produção de 16,7 mil toneladas anuais de metal equivalente
A região apresenta ocorrências de cobre, ouro e outros metais associados a sistemas geológicos conhecidos como sulfetos maciços vulcanogênicos, ou VMS.
Esses depósitos se formam a partir de processos hidrotermais relacionados à atividade vulcânica antiga. Por isso, podem concentrar diferentes metais em uma mesma estrutura.
Durante a campanha de exploração, a Meridian encontrou uma nova camada abaixo e a leste da área de recursos minerais conhecida como Santa Helena Central.
Além disso, os resultados indicaram uma composição com maior presença de ouro, prata, zinco e chumbo.
A descoberta representa um avanço para a investigação geológica da propriedade. Entretanto, a empresa ainda precisa realizar novas sondagens para compreender a extensão da mineralização.
Perfuração encontra ouro, prata, cobre, zinco e chumbo a 177 metros
O principal resultado veio do furo de sondagem CD-869.
Segundo a Meridian, a perfuração interceptou uma faixa mineralizada de 7,2 metros de espessura, a partir de 177,6 metros de profundidade.
As análises laboratoriais identificaram os seguintes teores médios nesse intervalo:
- Ouro: 1,4 grama por tonelada;
- Prata: 24,3 gramas por tonelada;
- Cobre: 0,1%;
- Zinco: 2,3%;
- Chumbo: 0,9%.
Além desses resultados, os geólogos observaram uma ocorrência de ouro visível no material retirado da perfuração.
Segundo a companhia, essa foi a primeira identificação desse tipo na mineralização da área de Santa Helena.
Entretanto, a presença de ouro visível não significa que toda a estrutura apresente concentrações elevadas do metal.
Para determinar o potencial econômico do depósito, a empresa precisa analisar a continuidade das camadas, os teores médios e o volume total de material mineralizado.
Resultados semelhantes também movimentam outros projetos de mineração na América do Sul.
Embora os depósitos apresentem características próprias, ambos mostram a importância das campanhas de sondagem para identificar novas zonas mineralizadas.
O que significa encontrar uma segunda camada de mineralização VMS?
A identificação de uma segunda camada representa um resultado importante para os estudos geológicos.
Isso ocorre porque depósitos VMS podem apresentar diferentes horizontes mineralizados, formados durante episódios distintos de circulação de fluidos hidrotermais.
Assim, uma única região pode reunir várias camadas com concentrações diferentes de metais.
No caso de Santa Helena, a Meridian interpreta a nova descoberta como uma possível extensão em profundidade de uma anomalia geofísica conhecida como Santa Helena North.
Os levantamentos anteriores identificaram alterações na capacidade de polarização elétrica das rochas, característica que pode ajudar a localizar minerais sulfetados.
Agora, os resultados da perfuração oferecem informações adicionais para testar essa interpretação.
Entretanto, os pesquisadores ainda precisam confirmar a continuidade da estrutura por meio de novos furos.
Por isso, a empresa mantém a campanha de exploração em andamento.
Meridian Mining vê possibilidade de ampliar recursos minerais em Mato Grosso
Segundo Gilbert Clark, presidente-executivo da Meridian Mining, a descoberta aumenta as possibilidades de crescimento dos recursos minerais de Santa Helena.
Além disso, o executivo considera que os resultados podem contribuir para a estratégia de desenvolver um segundo polo de exploração no cinturão de Cabaçal.
Entretanto, essa possibilidade ainda depende de estudos adicionais.
A companhia também pretende investigar se as estruturas mineralizadas poderão sustentar futuras operações a céu aberto ou subterrâneas.
Por enquanto, a descoberta não representa uma decisão de construir uma nova mina.
O interesse por depósitos com vários metais também aparece em outras regiões brasileiras.
Em Mato Grosso, por exemplo, o CPG apresentou um investimento de R$ 1,5 bilhão associado ao projeto de mineração de Aripuanã, voltado ao aproveitamento de zinco, cobre e chumbo.
Embora os empreendimentos sejam independentes, ambos evidenciam a diversidade mineral do estado.
Novas perfurações encontraram mais camadas mineralizadas em agosto
Após o anúncio de junho, a Meridian continuou investigando o sistema Santa Helena.
Em agosto de 2026, a empresa divulgou novos resultados que reforçaram a possibilidade de existirem várias camadas mineralizadas na região.
O furo CD-878 encontrou um intervalo de 11,3 metros com 0,8 grama de ouro por tonelada, 0,2% de cobre, 17,6 gramas de prata por tonelada, 3,4% de zinco e 0,6% de chumbo.
Além disso, a perfuração identificou uma camada inferior com maior presença de cobre.
Segundo a companhia, o novo resultado apareceu aproximadamente 90 metros adiante, na direção de aprofundamento da estrutura identificada pelo furo CD-869.
Dessa forma, os dados ampliaram o conhecimento sobre a continuidade do sistema mineral.
Entretanto, a Meridian ainda precisa integrar os resultados das diferentes campanhas antes de definir o potencial total dessas novas camadas.
Metais encontrados possuem aplicações na indústria e na infraestrutura
Os cinco metais identificados na sondagem possuem aplicações industriais importantes.
O cobre, por exemplo, participa da fabricação de cabos elétricos, motores e equipamentos de transmissão de energia.
Já o zinco ajuda a proteger estruturas de aço contra corrosão, principalmente por meio da galvanização.
Enquanto isso, fabricantes utilizam o chumbo em baterias e outras aplicações industriais específicas.
O ouro e a prata também possuem aplicações em componentes eletrônicos, além de seu uso tradicional em joalheria e investimentos.
Por isso, depósitos que reúnem diferentes metais podem despertar interesse de empresas que buscam diversificar suas operações.
Entretanto, a viabilidade de cada projeto depende de fatores como custos de extração, recuperação metalúrgica, infraestrutura e preços de mercado.
Em outra reportagem do CPG, Roberta Souza analisou mudanças nas regras de mineração da Colômbia, país que busca ampliar investimentos em projetos de cobre, ouro, carvão e níquel.
Assim, diferentes países da América do Sul continuam avaliando oportunidades relacionadas à exploração de metais industriais e preciosos.
Descoberta ainda exige estudos antes de qualquer decisão de exploração comercial
A identificação da segunda camada em Santa Helena representa um avanço na pesquisa mineral da Meridian Mining.
Além disso, os resultados posteriores de agosto reforçaram a possibilidade de existirem outras estruturas mineralizadas em profundidade.

Entretanto, os intervalos encontrados nas sondagens não representam, por si só, reservas minerais comercialmente comprovadas.
Antes de iniciar uma eventual operação, a empresa precisará avançar nas avaliações geológicas, técnicas, econômicas e ambientais.
Também será necessário determinar o tamanho dos depósitos e analisar os custos de uma possível extração.
Por enquanto, a Meridian mantém o foco na expansão do conhecimento geológico do sistema Santa Helena.
Assim, a descoberta de junho e os resultados posteriores mostram que o subsolo de Mato Grosso ainda pode revelar novas camadas de ouro, prata, cobre, zinco e chumbo, ampliando as perspectivas de pesquisa mineral na região.
