Entenda como Theia colidiu com a Terra primitiva em um impacto gigante que deu origem à Lua e mudou a história do planeta.
Há cerca de 4,5 bilhões de anos, um evento catastrófico pode ter redefinido completamente o destino do nosso planeta.
Cientistas investigam o quê: a colisão entre a Terra primitiva e um planeta chamado Theia;
Quem: pesquisadores internacionais da área de planetologia;
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Quando: durante os primórdios do Sistema Solar;
Onde: na órbita terrestre em formação;
Como: por meio de um impacto gigante que lançou detritos ao espaço;
Por quê: para explicar a origem da Lua e sua influência decisiva na vida terrestre.
A hipótese sustenta que, sem esse choque colossal, nosso satélite natural talvez nem existisse — e, consequentemente, as condições que permitiram o desenvolvimento da vida seriam muito diferentes.
Impacto gigante: a teoria que domina a ciência planetária
A chamada hipótese do impacto gigante é hoje o modelo mais aceito para explicar a formação da Lua.
Segundo essa proposta, Theia — um corpo do tamanho aproximado de Marte — colidiu com a Terra jovem, ejetando uma enorme quantidade de material para o espaço.
Com o tempo, esses fragmentos se aglutinaram por gravidade, dando origem ao satélite.
Além disso, o evento teria alterado profundamente a dinâmica do planeta.
A Lua passou a exercer um papel gravitacional crucial.
Esse “cabo de guerra” cósmico ajudou a estabilizar o eixo de rotação terrestre, contribuindo para a manutenção de um clima relativamente estável ao longo de bilhões de anos.
“Sem a estabilidade climática, teríamos condições climáticas e meteorológicas muito mais extremas, o que não seria bom para o desenvolvimento da vida”, explica Thorsten Kleine, planetólogo do Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha.
Evidências químicas reforçam a origem comum
Pesquisas recentes ampliaram a compreensão sobre a relação entre Theia e a Terra primitiva.
Em estudo publicado na revista Science, cientistas analisaram amostras lunares e terrestres para investigar sua composição.
Os resultados indicam que ambos os corpos eram extremamente semelhantes do ponto de vista químico, sugerindo que se formaram na mesma região do Sistema Solar.
Essa proximidade explicaria por que é tão difícil distinguir vestígios diretos de Theia hoje.
Antes de Theia: outras teorias sobre a formação da Lua
Nem sempre o impacto gigante foi a principal explicação para a origem da Lua.
Antes das missões espaciais, três hipóteses dominavam o debate científico:
A Teoria da fissão: a Lua teria se desprendido da Terra em rápida rotação.
Teoria da captura: o satélite teria sido capturado pela gravidade terrestre.
Teoria da coformação: Terra e Lua teriam surgido juntas.
No entanto, evidências coletadas nas missões Apollo mudaram esse cenário.
Rochas lunares revelaram pistas decisivas
As amostras trazidas pelos astronautas foram fundamentais para validar o modelo do impacto gigante.
“Os astronautas da Apollo trouxeram amostras de rochas lunares e, quando os cientistas as analisaram, descobriram que as rochas da Lua apresentavam notáveis semelhanças químicas com a Terra”, diz Raman Prinja, astrônomo do Universe College London e autor do livro infantil de ciências Maravilhas da Lua.
As rochas indicavam formação sob calor extremo e perda de elementos voláteis — sinais típicos de uma colisão massiva.
Sarah Valencia, geóloga lunar da Nasa, destaca que a modelagem computacional moderna fortaleceu ainda mais essa conclusão.
“A teoria do impacto gigante continua sendo o melhor modelo para explicar a química e a relação entre a Terra e a Lua”, diz Valencia.
Afinal, o que aconteceu com Theia?
O destino de Theia permanece um dos maiores enigmas da ciência planetária.
Diferente do asteroide que extinguiu os dinossauros, não há uma cratera clara associada ao evento.
Segundo Kleine, isso ocorre porque Theia possuía cerca de 10% da massa terrestre — o que teria levado à sua fragmentação e absorção quase total pelo planeta.
“Este seria o resultado natural de uma colisão desse tipo.
Mas esperaríamos encontrar uma assinatura composicional de Theia na Lua, o que ainda não encontramos”, diz o cientista.
Ele acrescenta que a semelhança química entre os dois corpos pode mascarar essas evidências.
Vestígios escondidos no interior da Terra?
Pesquisas recentes levantam novas possibilidades.
Um estudo de 2023 sugeriu que duas gigantescas estruturas nas profundezas do manto terrestre podem ser remanescentes de Theia.
Se confirmado, isso significaria que parte do planeta ainda existe — literalmente — dentro da Terra primitiva transformada.
“Mas, assim como a origem de Theia não é conhecida conclusivamente, seu destino também não é”, alerta Valencia.
Missões Artemis podem trazer respostas
O retorno humano à Lua reacendeu o entusiasmo científico.
As missões Artemis devem coletar novas amostras, especialmente no Polo Sul lunar — região ainda inexplorada.
Assim, as rochas trazidas pela Apollo vieram de uma área limitada do equador lunar, o que restringe conclusões mais amplas.
“Se fôssemos apenas a seis lugares na Terra, poderíamos dizer que exploramos toda a Terra e entendemos sua evolução? Claro que não! A Lua tem um potencial científico infinito”, diz Valencia.
O legado cósmico de Theia
Embora envolta em mistério, a história de Theia ajuda a explicar não apenas a formação da Lua, mas também a própria habitabilidade do nosso planeta.
Portanto sem o impacto gigante, a rotação terrestre, o clima e até os ciclos naturais poderiam ser drasticamente diferentes.
Por isso, ao observar a Lua cheia no céu, vale lembrar: ela pode ser, em parte, o último vestígio de um planeta que a Terra primitiva literalmente engoliu — e cujo sacrifício moldou a vida como conhecemos.
Veja mais em: Theia: o planeta que a Terra pode ter ‘engolido’, ajudando a formar a Lua – BBC News Brasil

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