As ondas azuis fluorescentes foram registradas na praia do Ervino, em São Francisco do Sul, no Norte catarinense, durante três noites seguidas. A bioluminescência aparece quando uma floração eleva a concentração de organismos no mar e o atrito provocado pelas ondas desencadeia flashes de luz azul visíveis na escuridão noturna.
As ondas azuis fluorescentes voltaram a aparecer no litoral de Santa Catarina em agosto de 2026 e transformaram o mar da praia do Ervino, em São Francisco do Sul, em uma sequência de flashes visíveis durante a noite. O fenômeno natural está relacionado à bioluminescência produzida por organismos presentes na água e foi observado durante três noites consecutivas no Norte catarinense.
Segundo o NSC Total, em publicação de 14 de agosto de 2026, o registro foi feito durante a madrugada na praia do Ervino. A explicação apresentada pelo portal relaciona o brilho ao organismo Noctiluca scintillans, cuja concentração pode aumentar rapidamente quando encontra condições favoráveis no ambiente marinho, deixando o fenômeno muito mais perceptível próximo à costa.
Ondas azuis fluorescentes reaparecem no mar de São Francisco do Sul

O fenômeno chamou atenção porque o brilho não ficou restrito a um pequeno ponto da água. Com o movimento do mar, as ondas passaram a produzir clarões azulados, enquanto o contato com a areia também podia provocar pequenos pontos luminosos. O efeito se torna especialmente evidente durante a madrugada, quando a ausência de luz facilita a visualização da bioluminescência.
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As ondas azuis fluorescentes foram vistas por três noites seguidas na praia do Ervino. O fotógrafo Lucas Bogo, que estava no local, registrou o fenômeno e relatou que até os passos sobre a areia provocavam luminosidade. A permanência por várias noites indica que havia concentração suficiente dos organismos na água para manter o efeito visível por mais de algumas horas.
Noctiluca scintillans está normalmente presente no oceano
O organismo associado ao fenômeno é o Noctiluca scintillans. Segundo a explicação do oceanógrafo Thiago Alves reproduzida pelo NSC Total, ele já faz parte do ambiente oceânico e não surge repentinamente apenas quando as águas começam a brilhar. A diferença está principalmente na quantidade encontrada em determinado momento.
Quando as condições ambientais favorecem seu desenvolvimento, a concentração de organismos pode aumentar rapidamente. Essa floração torna sua presença visível de diferentes maneiras, dependendo da iluminação e do horário, e cria as condições necessárias para que o movimento da água produza o espetáculo luminoso observado durante a noite.
Atrito das ondas desencadeia os flashes de luz azul
A bioluminescência acontece quando uma substância presente nesses organismos reage diante de estímulos mecânicos. O movimento das ondas, a agitação da água ou mesmo o contato com a areia podem funcionar como gatilho para essa reação. É nesse momento que surge o brilho azulado que acompanha o deslocamento da água.
Por isso, as ondas azuis fluorescentes parecem acender justamente no instante em que quebram próximo à praia. O fenômeno não significa que toda a água permaneça iluminada continuamente. São os movimentos e impactos que desencadeiam os flashes, criando faixas de luz que aparecem e desaparecem em poucos segundos ao longo da orla.
Durante o dia, o mesmo fenômeno pode mudar a aparência do mar

A concentração elevada desses organismos também pode ser percebida antes de anoitecer. Segundo a fonte, durante o dia a água pode apresentar uma mancha de tonalidade alaranjada, fenômeno conhecido popularmente como maré vermelha. Quando chega a escuridão, a percepção muda e a bioluminescência passa a dominar a paisagem.
Essa diferença entre dia e noite ajuda a explicar por que um mesmo evento pode apresentar aspectos completamente distintos ao longo de poucas horas. Durante o período claro, a concentração dos organismos interfere na coloração aparente da água; à noite, o movimento transforma essa mesma presença em flashes luminosos.
Inverno favorece registros no litoral catarinense
A ocorrência das ondas azuis fluorescentes não está restrita a uma estação específica do ano. Ainda assim, de acordo com a explicação apresentada pelo NSC Total, registros costumam ser observados em Santa Catarina durante o inverno, quando as águas oceânicas do Sul do continente americano apresentam maior disponibilidade de nutrientes.
Essas condições podem favorecer o desenvolvimento dos organismos responsáveis pela floração. Isso ajuda a explicar por que o fenômeno volta a ser observado justamente em determinados períodos, embora sua ocorrência dependa de uma combinação de fatores ambientais e não possa ser associada exclusivamente às temperaturas mais baixas.
Fenômeno pode permanecer de poucas horas a vários dias
Não existe uma duração fixa para a bioluminescência. O brilho pode permanecer perceptível por algumas horas ou continuar durante vários dias, dependendo principalmente da quantidade de organismos concentrados na água e da manutenção das condições que favoreceram a floração.
Em São Francisco do Sul, a observação por três noites consecutivas mostrou que o evento não se limitou a um episódio isolado. Ainda assim, isso não permite determinar previamente por quanto tempo as ondas azuis fluorescentes continuarão aparecendo, porque a concentração pode se dispersar conforme as condições do mar mudam.
Organismo pode incorporar toxinas presentes em outros seres
A presença do Noctiluca scintillans exige uma distinção importante. Conforme a explicação divulgada pelo NSC Total, o organismo por si só não é apontado como causador de problemas, mas ele se alimenta de organismos menores que eventualmente podem conter toxinas.
Nesse cenário, o Noctiluca scintillans pode se tornar temporariamente tóxico ao incorporar essas substâncias. O aspecto luminoso, portanto, é apenas a parte mais visível de um processo biológico mais amplo que envolve concentração de organismos, disponibilidade de alimento e alterações nas condições do ambiente marinho.
Um espetáculo natural que começa com organismos microscópicos
O que parece uma iluminação artificial sobre o mar nasce, na verdade, de organismos presentes naturalmente no oceano. A combinação entre alta concentração, escuridão e movimento transforma cada quebra de onda em um novo clarão, enquanto a duração do espetáculo depende da intensidade e da permanência da floração.
O reaparecimento das ondas azuis fluorescentes em Santa Catarina mostra como processos microscópicos podem modificar completamente a paisagem costeira durante algumas noites. Você teria coragem de caminhar pela praia com a areia e as ondas brilhando em azul diante dos seus pés? Conte nos comentários o que acharia de presenciar esse fenômeno pessoalmente.
