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De mães que deixaram os filhos a uma estudante que interrompeu a faculdade, 15 mulheres venceram uma seleção com 723 interessadas para aprender a trabalhar em torres com eletricidade levando até 13,5 kg no cinto

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 16/08/2026 às 17:23 Atualizado em 16/08/2026 às 18:46
A primeira formação feminina de eletricistas de linha da Colômbia reuniu mulheres dispostas a enfrentar o trabalho em altura
A primeira formação feminina de eletricistas de linha da Colômbia reuniu mulheres dispostas a enfrentar o trabalho em altura
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A primeira formação feminina de eletricistas de linha da Colômbia reuniu mulheres dispostas a enfrentar o trabalho em altura. Das 723 interessadas, 30 começaram o treinamento e 15 permaneceram na etapa registrada.

No alto de uma torre de treinamento, cada detalhe pesava. Cinto de segurança, mosquetões, cordas e ferramentas mantinham as alunas presas à estrutura enquanto elas enfrentavam a altura com até 13,5 kg de equipamentos junto ao corpo.

Entre as participantes estavam mães que precisaram deixar os filhos sob os cuidados de parentes e uma estudante que interrompeu a faculdade. Elas faziam parte da primeira formação colombiana de eletricistas de linha criada apenas para mulheres, em uma profissão ocupada principalmente por homens.

A informação foi publicada pelo The Guardian, veículo jornalístico britânico de notícias e reportagens internacionais, em 30 de dezembro de 2022. Naquele momento, as 15 participantes ainda estavam no treinamento e tinham um mês pela frente antes do encerramento da primeira etapa.

A seleção começou com 723 mulheres e reduziu o grupo pela metade

A abertura do programa despertou interesse imediato. Em apenas uma semana, 723 mulheres manifestaram vontade de participar. Após a seleção, 30 iniciaram a preparação em La Ceja, cidade localizada a cerca de 40 quilômetros de Medellín.

Quando a formação chegou ao período registrado em dezembro de 2022, somente 15 das 30 alunas permaneciam. Algumas candidatas não passaram pela avaliação médica. Outras saíram por dificuldades familiares, cuidado com os filhos, distância de casa, problemas de deslocamento e insegurança diante da nova profissão.

Cinto de segurança, mosquetões, cordas e ferramentas mantinham as alunas presas à estrutura enquanto elas enfrentavam a altura com até 13,5 kg de equipamentos junto ao corpo.
Cinto de segurança, mosquetões, cordas e ferramentas mantinham as alunas presas à estrutura enquanto elas enfrentavam a altura com até 13,5 kg de equipamentos junto ao corpo.

As participantes tinham entre 17 e 31 anos. O programa oferecia alojamento e uma bolsa, o que permitia a permanência no centro de treinamento. Ainda assim, receber esse apoio não eliminava o impacto de passar longos períodos longe da família.

Chegar àquela fase não significava estar formada. As 15 mulheres haviam vencido a seleção inicial e superado parte do treinamento, mas ainda precisavam concluir o curso antes de entrar na atividade profissional.

Mães precisaram escolher quem cuidaria dos filhos

Grande parte das alunas era formada por mães. Para participar, elas precisaram decidir quem ficaria com as crianças durante os períodos de treinamento. Esse obstáculo não aparecia na torre, mas podia ser tão decisivo quanto o medo da altura.

Diana Lizeth Lizarazo Moreno tinha 31 anos, era mãe de duas crianças e começou o programa quando sua filha mais nova estava com 18 meses. A distância prolongada fez a criança criar uma forte ligação com a irmã de Diana, responsável pelos cuidados durante sua ausência.

Marianela Hernández Valencia, de 28 anos, também precisou enfrentar mudanças pessoais para continuar. Ela havia trabalhado como auxiliar de eletricista e conhecia a falta de energia desde a infância, quando fazia as tarefas escolares à luz de vela.

As trajetórias mostram que a permanência exigia organização familiar, resistência emocional e confiança na equipe. A força necessária não estava apenas nos braços, mas também na decisão de continuar quando a rotina fora do curso se tornava difícil.

Estudante interrompeu a faculdade para aprender a trabalhar nas torres

Jessica Osorio tinha 23 anos e estava a um ano de concluir a graduação em engenharia de biotecnologia. Ela interrompeu os estudos para participar da formação e conhecer uma profissão totalmente diferente de sua área universitária.

A mudança a colocou diante de cordas, cintos, cabos e torres. Depois de controlar o medo da altura, ainda era necessário aprender a se movimentar sobre um cabo, tarefa que exigia equilíbrio, atenção e controle do próprio corpo.

A experiência de Jessica também revela o alcance da seleção. O grupo não reunia apenas mulheres com passagem pelo setor elétrico. Havia participantes dispostas a abandonar temporariamente caminhos já iniciados para tentar uma nova profissão.

Essa escolha oferecia uma possibilidade de entrada no mercado de energia, mas não funcionava como atalho. A participante precisava cumprir toda a formação, demonstrar preparo para o trabalho em altura e aprender os procedimentos de segurança.

Até 13,5 kg acompanhavam cada subida

Uma eletricista de linha costuma carregar entre 9 e 13,5 kg apenas no cinto. O conjunto reúne ferramentas e itens de proteção que permanecem presos ao corpo durante a subida e a execução do serviço.

Até 13,5 kg acompanhavam cada subida
Até 13,5 kg acompanhavam cada subida

O peso altera cada movimento. A trabalhadora precisa subir, manter o equilíbrio, alcançar os pontos corretos e usar as mãos com precisão. Também precisa impedir a queda de ferramentas, pois qualquer objeto solto pode colocar em risco quem estiver no chão.

As alunas aprendiam a instalar isoladores de porcelana. Essas peças evitam que fios energizados encostem entre si ou na estrutura de sustentação. O exercício mostrava como um componente relativamente pequeno pode ser essencial para o funcionamento seguro da rede.

Na profissão, eletricistas de linha instalam e reparam cabos de energia em torres e redes elevadas. Elas também podem ser chamadas após tempestades ou desastres, quando estruturas são danificadas e o fornecimento precisa ser recuperado.

Segurança começava com nós, cordas e controle emocional

Antes de chegar aos pontos mais altos, as participantes treinavam amarrações, tipos de nós, uso de cordas e içamento. Içar significa elevar ferramentas e materiais com sistemas de apoio, reduzindo o peso levado diretamente nas mãos durante a escalada.

O The Guardian, veículo jornalístico britânico de notícias e reportagens internacionais, registrou exercícios com cintas, cordas e sistemas de roldanas. O treinamento também exigia deslocamento sobre cabos e uso correto dos equipamentos de proteção.

A altitude de La Ceja aumentava a dificuldade. O esforço de subir dezenas de metros com equipamentos pesados podia provocar tontura. Por isso, manter a calma diante de um problema inesperado era uma habilidade indispensável.

No Brasil, uma capacitação para atividade semelhante precisa considerar a NR 10, relacionada à segurança em serviços com eletricidade, e a NR 35, voltada ao trabalho em altura. Essa comparação ajuda a compreender os riscos, mas não estabelece equivalência automática entre o curso colombiano e as exigências brasileiras.

A expansão da rede dependia de novos profissionais

O trabalho dessas profissionais vai além da subida nas torres. Eletricistas de linha ajudam a manter cabos em funcionamento, reparar danos e estender a transmissão para regiões que ainda não possuem atendimento adequado.

Segurança começava com nós, cordas e controle emocional
Segurança começava com nós, cordas e controle emocional

Em 2020, aproximadamente 1,9 milhão de colombianos ainda viviam sem acesso à eletricidade. O país já havia ultrapassado 95% de cobertura mais de dez anos antes, mas alcançar comunidades afastadas continuava sendo uma tarefa complexa.

Na época do treinamento, cerca de 2.500 eletricistas de linha trabalhavam na Colômbia. A estimativa indicava a necessidade de outras 500 pessoas para acompanhar a expansão da eletrificação.

Em dezembro de 2022, o planejamento do setor previa a construção de 1.200 a 2.500 quilômetros de novas linhas até 2025. Esses números representavam uma projeção daquele período e não devem ser interpretados como balanço de obras concluídas.

O projeto piloto tinha duração de um ano e era conduzido pela empresa de transmissão ISA com a Corporação Tener Futuro. As alunas recebiam alojamento e bolsa, enquanto a conclusão abria uma perspectiva de trabalho com as empresas contratadas Instelec e Salomón Durán.

As 15 mulheres que permaneciam na formação haviam superado uma seleção numerosa, a distância da família, o peso dos equipamentos e o medo da altura. O resultado registrado ainda não era uma turma diplomada, mas mostrava que mulheres estavam ocupando um espaço antes quase fechado para elas.

A formação também revelou quanto trabalho humano existe por trás da energia que chega às casas. Manter as luzes acesas depende de profissionais capazes de enfrentar altura, peso, risco elétrico e situações inesperadas com preparo técnico e responsabilidade.

Se manter a energia exige tanto preparo, por que esse trabalho ainda oferece tão pouco espaço às mulheres? Deixe sua opinião nos comentários.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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