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O “terceiro polo” do planeta está derretendo: o Himalaia perde bilhões de toneladas de gelo e ameaça rios que abastecem mais de 2 bilhões de pessoas

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/01/2026 às 18:04
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Satélites confirmam derretimento acelerado das geleiras do Himalaia, colocando em risco rios vitais como Indo, Ganges e Mekong e a segurança hídrica de bilhões.

Muito além do Ártico e da Antártica, existe uma terceira região do planeta que concentra uma quantidade colossal de gelo e exerce influência direta sobre o clima, a água doce e a vida humana em escala continental. Trata-se do Himalaia e do Planalto Tibetano, frequentemente chamados por cientistas de “terceiro polo da Terra”. Essa denominação não é simbólica: depois das calotas polares, é ali que se encontra a maior reserva de gelo permanente do planeta. E ela está derretendo em ritmo alarmante.

Dados recentes de satélites e estudos publicados em revistas científicas de alto impacto confirmam que as geleiras do Himalaia estão perdendo bilhões de toneladas de gelo por ano, em uma velocidade sem precedentes na história moderna.

O problema vai muito além do derretimento em si: essas geleiras alimentam alguns dos rios mais importantes do mundo, responsáveis pelo abastecimento direto ou indireto de mais de 2 bilhões de pessoas na Ásia.

Por que o Himalaia é chamado de “terceiro polo” do planeta

A região do Himalaia e do Planalto Tibetano abriga mais de 100 mil km² de geleiras espalhadas por oito países, incluindo China, Índia, Nepal, Paquistão e Butão. Essa imensa massa de gelo funciona como uma verdadeira caixa d’água continental, liberando água de forma gradual ao longo do ano.

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É dessa reserva que nascem ou são alimentados rios como Indo, Ganges, Brahmaputra, Mekong, Yangtzé e Amarelo. Juntos, esses sistemas fluviais sustentam algumas das regiões mais populosas e agrícolas do planeta, incluindo grandes centros urbanos, cinturões de arroz, trigo e áreas industriais estratégicas.

Por décadas, acreditou-se que essas geleiras seriam relativamente estáveis. As medições mais recentes mostram que essa suposição estava errada.

O que os satélites estão mostrando sobre o degelo

Missões como NASA GRACE, GRACE-FO, além de dados do ICIMOD (International Centre for Integrated Mountain Development) e análises publicadas em periódicos como Nature Climate Change e Nature Geoscience, revelam um cenário preocupante.

Entre o início dos anos 2000 e a década atual, as geleiras do Himalaia passaram a perder gelo a uma taxa duas vezes maior do que a observada no final do século XX.

Em algumas sub-regiões, a aceleração é ainda mais intensa, impulsionada pelo aumento da temperatura média, alterações no regime de monções e deposição de partículas escuras (fuligem) sobre o gelo, que aumenta a absorção de calor solar.

Os números impressionam: estudos indicam perdas anuais da ordem de dezenas de bilhões de toneladas de gelo, valor comparável ao degelo observado em regiões críticas da Groenlândia.

Rios gigantes em risco direto

O impacto mais grave não é imediato, mas progressivo. No curto prazo, o aumento do derretimento pode até elevar temporariamente o volume de água em alguns rios, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e rompimento de lagos glaciais.

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No médio e longo prazo, o cenário se inverte. Com a redução drástica das geleiras, o fluxo de água tende a cair, especialmente nos períodos secos. Isso ameaça diretamente:

– o Rio Indo, vital para o Paquistão
– o Ganges e o Brahmaputra, base da segurança hídrica e alimentar do norte da Índia e Bangladesh
– o Mekong, que sustenta agricultura, pesca e energia no Sudeste Asiático

Em regiões que dependem da água glacial como regulador natural, a perda dessa “reserva fria” pode provocar crises hídricas sazonais severas.

Um risco silencioso para a segurança alimentar global

O derretimento do “terceiro polo” não afeta apenas o consumo humano direto. Ele atinge o coração da produção agrícola asiática. Grandes áreas irrigadas de arroz e trigo dependem do equilíbrio entre monções e água de degelo.

Com geleiras menores, esse equilíbrio se rompe. A consequência pode ser uma combinação perigosa de cheias destrutivas em alguns anos e escassez extrema em outros, prejudicando colheitas, elevando preços de alimentos e aumentando a instabilidade social em países já densamente povoados.

Organismos internacionais alertam que a perda acelerada de gelo no Himalaia representa um dos maiores riscos climáticos sistêmicos do século XXI, justamente por afetar simultaneamente água, energia, alimentos e geopolítica.

O papel do aquecimento global e da poluição local

Embora o aquecimento global seja o principal motor do degelo, fatores regionais intensificam o problema. A queima de carvão, biomassa e diesel em grandes centros urbanos e zonas industriais da Ásia libera partículas que se depositam sobre as geleiras, escurecendo sua superfície.

Esse efeito reduz a capacidade do gelo de refletir a radiação solar, acelerando ainda mais o derretimento. Em altitudes elevadas, onde antes o gelo se mantinha estável, as temperaturas médias já ultrapassam limites críticos em determinadas épocas do ano.

Um alerta que vai além da Ásia

O colapso gradual do “terceiro polo” não é um problema local. Ele serve como indicador global da velocidade das mudanças climáticas. O que está acontecendo no Himalaia mostra que nem mesmo regiões tradicionalmente consideradas estáveis estão imunes.

Cientistas alertam que, mesmo em cenários otimistas de redução de emissões, uma parcela significativa das geleiras do Himalaia pode desaparecer até o fim do século. Em cenários mais pessimistas, a perda pode ultrapassar 50% do volume atual.

Um reservatório natural que está desaparecendo

O derretimento acelerado do Himalaia redefine a forma como o mundo precisa enxergar a água doce. Não se trata apenas de gelo distante nas montanhas, mas de um sistema que sustenta bilhões de pessoas, economias inteiras e a estabilidade de regiões estratégicas.

O “terceiro polo” está dando sinais claros de colapso progressivo. E, diferentemente de outros fenômenos climáticos, seus efeitos não são teóricos ou futuros: já estão sendo medidos, mapeados por satélites e sentidos no fluxo dos rios que mantêm viva uma parte essencial da humanidade.

A pergunta que fica não é se isso terá impacto global, mas quão preparado o mundo está para lidar com ele.

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Lufe Bittencourt
Lufe Bittencourt
02/01/2026 06:01

E dizem que o aquecimento global é coisa fis “****”. Quando as guerras começarem vão entender.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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