O sedã japonês Suzuki Kizashi virou raridade: motor 2.4 de 185 cv, tração AWD, suspensão multilink e dirigibilidade premium fazem dele um achado entre usados.
O mercado brasileiro já viu carros que chegaram tímidos, desapareceram rápido e, anos depois, ressurgiram como “achados proibidos” entre apaixonados por máquinas bem construídas. O Suzuki Kizashi é exatamente esse caso: um sedã japonês sofisticado, robusto e extremamente competente que passou quase despercebido durante sua breve passagem pelo país, entre 2011 e 2013, mas hoje virou um dos modelos mais cobiçados por quem conhece engenharia, conforto e dirigibilidade de verdade.
Se existisse justiça no mercado automotivo nacional, o Kizashi teria sido um concorrente direto de Honda Accord, Toyota Camry e até de alemães médios, como Audi A4 e BMW Série 3. Só que ele desembarcou no Brasil na época errada, com pouquíssima divulgação, preço alto demais para a marca e rede de concessionárias limitada. Resultado: poucas unidades vendidas e um desaparecimento silencioso. Mas esse mesmo desaparecimento o transformou em algo ainda mais valioso — uma raridade com pedigree japonês.
Motor 2.4 de 185 cv: suave, forte e com pegada de carro premium
O coração do Kizashi é um dos pontos que mais chamam atenção. O motor 2.4 aspirado de 185 cv (J24B), conhecido por rodar alto, entregar torque linear e durar centenas de milhares de quilômetros sem fadiga, dá ao sedã uma sensação de força contínua e refinada, muito diferente dos 2.0 aspirados da época.
-
Fim de uma era no Brasil: sedã querido pelos brasileiros sai de linha mesmo com motor 2.0 de 151 cv, câmbio CVT, porta-malas de 466 litros e até 650 km de autonomia.
-
Adeus gasolina: a moto elétrica Watts W125 roda até 160 km com duas baterias, chega a 90 km/h, recarrega na tomada comum e custa a partir de R$ 15.992
-
Após demitir mais de mil trabalhadores, General Motors instala 50 cobôs na fábrica de elétricos e sindicato UAW reage acusando a montadora de trocar gente por robôs em plena corrida da indústria pela automação
-
Sem molde, sem fundição e sem montar várias partes, Bosch e Nikon imprimem em 3D um bloco V8 inteiro de alumínio e abrem nova disputa na indústria automotiva
É um motor que gira solto, responde com rapidez e não exige manutenção complexa. Proprietários relatam quilometragens elevadas sem vazamentos crônicos, falhas eletrônicas ou desgaste prematuro — algo raro em sedãs que tentaram competir nesse segmento.
Tração integral AWD: o diferencial que nenhum rival oferecia
Enquanto a maior parte dos sedãs médios e grandes vendidos no Brasil utiliza tração dianteira, o Suzuki Kizashi veio com AWD real, com repartição inteligente de torque e comportamento esportivo em curvas. É um sistema voltado para estabilidade, segurança e diversão ao volante.
Em dias de chuva, estradas sinuosas ou velocidades mais altas, o carro demonstra um nível de controle e firmeza que lembra modelos alemães muito mais caros. A combinação do AWD com o motor 2.4 transformou o Kizashi em um carro extremamente equilibrado — um sedã que inspira confiança e entrega muito mais do que promete no papel.
Suspensão multilink: conforto premium com comportamento esportivo
Outro ponto que faz do Kizashi uma joia escondida é sua suspensão traseira multilink, algo que poucos carros médios ofereciam na época. O sistema absorve irregularidades sem solavancos, mantém o carro plantado no chão e trabalha em harmonia com a tração integral.
O resultado é um sedã com rodar macio em trechos urbanos, mas firme e preciso em curvas, exatamente o tipo de comportamento que entusiastas procuram e que dificilmente aparece em carros da mesma faixa de preço.
Interior digno de categoria superior e equipamentos raros
Por dentro, o Kizashi entrega o que poucos lembram: acabamento premium, bancos em couro de qualidade, painel bem montado, ergonomia exemplar e equipamentos que à época eram considerados luxuosos como chave presencial, ar digital dual zone, comandos no volante e sistema de som acima da média.
Muitos proprietários afirmam que o carro envelheceu melhor do que concorrentes mais famosos. A cabine permanece silenciosa, os materiais não ressecam facilmente e o carro mantém a sensação de “sedã sério”, feito para durar.
Por que ele virou raridade e por que tanta gente quer um hoje
Poucas unidades foram vendidas no Brasil. Muito poucas. Isso transformou o Suzuki Kizashi em um carro que quase nunca aparece nos classificados, e quando aparece, some rápido.
Os motivos para essa popularidade tardia são claros:
• é extremamente robusto
• tem engenharia japonesa pura
• oferece AWD real
• tem comportamento dinâmico melhor que muitos sedãs modernos
• entrega sensação premium por preço de carro comum
• não sofre com vícios crônicos
• peças mecânicas são compatíveis com outros Suzuki e fáceis de importar
Hoje, ele é um carro para quem entende. Para quem quer uma máquina rara, bem construída e que entrega mais do que qualquer ficha técnica ousaria antecipar.
O Kizashi “morreu cedo demais” no mercado brasileiro, mas renasceu como um dos usados mais interessantes para quem quer exclusividade, estabilidade, confiabilidade e uma experiência ao volante que poucos sedãs conseguem igualar.

