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O escândalo dos aparelhos auditivos: como um monopólio global explora idosos com falsos tratamentos e preços abusivos no Brasil e no mundo, segundo especialista

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 12/11/2025 às 01:07
Atualizado em 11/11/2025 às 22:52
Assista o vídeoIdosa sendo auxiliada por fonoaudióloga para usar aparelho auditivo moderno, ilustrando reportagem sobre monopólio global e acessibilidade.
Mercado global de aparelhos auditivos é dominado por cinco empresas e enfrenta denúncias de fraudes, altos preços e falhas de fiscalização. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Cinco corporações controlam quase todo o mercado mundial de aparelhos auditivos, influenciando preços e restringindo a concorrência. Em países como Brasil e Portugal, o cenário se agrava com fraudes e desinformação que atingem principalmente idosos.

O setor de aparelhos auditivos é um dos mais concentrados do mundo. Atualmente, apenas cinco grandes corporações são responsáveis por cerca de 98% do mercado mundial, o que limita a concorrência e mantém os preços elevados.

Essas empresas são a Sonova, da Suíça; as dinamarquesas Demant e GN Store Nord; a norte-americana Starkey; e o grupo WS Audiology, resultado da fusão entre Widex e Signia, com bases na Noruega, Dinamarca e Cingapura. Segundo reportagem publicada pela Elementar, esse domínio tem criado um sistema em que o consumidor, na prática, raramente tem opções acessíveis ou transparentes.

Em muitos países, esse controle se reflete em barreiras de entrada elevadas para novas fabricantes, o que impede a ampliação da oferta de modelos mais baratos. Além disso, contratos de exclusividade com profissionais de saúde e distribuidores acabam restringindo o acesso a outras marcas.

Profissionais entre a prática clínica e o modelo de vendas

Usuários de fóruns internacionais, como o Reddit, relatam situações em que audiologistas — profissionais especializados em reabilitação auditiva — atuam também como revendedores de marcas específicas. Nessas situações, o paciente é orientado a adquirir um modelo vinculado àquela marca, o que pode gerar dúvidas sobre a liberdade de escolha e a transparência no atendimento.

De acordo com depoimentos citados pela Elementar, alguns pacientes disseram ter se sentido pressionados a realizar a compra logo após a consulta, sem tempo adequado para comparar preços ou buscar segunda opinião. Esse tipo de prática é mais comum em clínicas franqueadas ou vinculadas a grandes fabricantes, que oferecem comissões e incentivos aos profissionais que indicam determinados produtos.

Nos Estados Unidos, o grupo formado pelas cinco corporações ficou conhecido como “The Big Five”, termo usado para se referir à influência dessas empresas sobre o mercado global de audição.

Lobby e resistência à mudança no mercado norte-americano

O tema ganhou repercussão internacional em 2017, quando o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Over-the-Counter Hearing Aid Act, conhecida como Lei dos Aparelhos Auditivos de Venda Livre. O objetivo era permitir que pessoas com perda auditiva leve a moderada pudessem adquirir aparelhos diretamente em farmácias, sem necessidade de receita médica — medida que poderia reduzir custos e ampliar o acesso.

Conforme destacou o relatório elaborado pelos senadores Elizabeth Warren e Chuck Grassley, publicado no portal da Elementar, empresas do setor teriam aumentado investimentos em lobby e campanhas de comunicação para retardar a implementação da lei. Em 2022, os gastos somaram mais de US$ 1,2 milhão em ações políticas e representativas, o dobro do valor registrado em 2017.

Enquanto isso, o preço médio de um aparelho auditivo permaneceu em torno de US$ 2.300, chegando a US$ 5.000 por par — valor elevado se comparado ao custo de produção. Especialistas apontam que parte desse preço decorre do chamado “bundle pricing”, um modelo no qual o consumidor paga, no mesmo pacote, o aparelho e os serviços profissionais do audiologista, como exames, ajustes e revisões.

Esse formato, comum nos Estados Unidos e na Europa, é defendido pelas empresas como uma forma de garantir a qualidade do atendimento, mas também dificulta a transparência de preços e a comparação entre produtos.

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A nova regulamentação e a tentativa de democratizar o acesso

Em 2022, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora equivalente à Anvisa, aprovou oficialmente os aparelhos auditivos de venda livre (OTC), permitindo que fossem comercializados em farmácias e lojas especializadas por valores inferiores a US$ 300. A decisão foi considerada um marco no setor, abrindo espaço para novas empresas e tecnologias.

Entretanto, de acordo com informações da Elementar, o processo de adaptação do mercado tem sido lento. Fabricantes tradicionais continuam detendo grande parte dos canais de distribuição e investindo em campanhas educativas próprias, o que mantém o domínio das grandes marcas.

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o cenário é ainda mais delicado. A falta de fiscalização adequada e a presença de vendedores não credenciados abriram espaço para fraudes e produtos sem registro sanitário, atingindo diretamente a população idosa — o público mais vulnerável.

Golpes e desinformação: o avanço das fraudes no Brasil e em Portugal

Enquanto nos Estados Unidos as discussões giram em torno da regulamentação e do lobby corporativo, no Brasil e em Portugal o problema assume outra dimensão. Segundo reportagem publicada pela Elementar, a ausência de fiscalização efetiva e a vulnerabilidade de consumidores idosos criaram um ambiente propício para fraudes e desinformação.

No Brasil, muitos dos produtos comercializados como “aparelhos auditivos” não possuem registro na Anvisa. Na prática, tratam-se de amplificadores de som genéricos, frequentemente importados da China, sem qualquer comprovação de segurança ou eficácia médica. Mesmo assim, são vendidos por valores entre R$ 3.500 e R$ 10.000, acompanhados de promessas de “cura” ou “audição perfeita”.

Em Portugal, repete-se o modelo de “produto + serviço” das grandes fabricantes globais. O paciente é induzido a adquirir o aparelho junto a pacotes de consultas, moldes e ajustes, o que eleva o custo total. Em alguns casos, vans equipadas como “clínicas móveis” percorrem bairros populares, oferecendo testes gratuitos e convencendo idosos a financiar equipamentos que não precisam.

Relatos divulgados pela imprensa portuguesa indicam situações em que consumidores foram levados a assinar contratos de crédito de longo prazo, sem compreender que se tratavam de empréstimos bancários. Em um dos casos mencionados pela Elementar, uma idosa comprometeu-se com um financiamento de 4.980 euros (mais de R$ 31 mil) por um aparelho que nunca funcionou adequadamente.

Falhas na fiscalização e o papel do consumidor

No Brasil, a legislação é clara: todo aparelho de amplificação sonora individual deve possuir registro ativo na Anvisa, conforme determina a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 185/2001. Além disso, o Conselho Federal de Fonoaudiologia, por meio da Resolução nº 439/2013, estabelece que apenas empresas com responsável técnico fonoaudiólogo podem comercializar tais produtos.

Apesar disso, a fiscalização é limitada. Sites e anúncios pagos continuam a divulgar produtos sem certificação, usando avaliações falsas e depoimentos fabricados. O Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo reforça que esses equipamentos, quando mal regulados, podem agravar a perda auditiva, comparando o uso indevido a “óculos de camelô que prejudicam a visão”.

A Elementar destaca que denúncias se acumulam, mas as plataformas digitais ainda não possuem mecanismos eficientes para bloquear anúncios irregulares em larga escala. A situação é comparada por especialistas à “lenda da hidra”: cada site removido dá lugar a outros dois, com novos nomes e as mesmas práticas.

O desafio do acesso gratuito pelo SUS

Outro ponto sensível no Brasil é a dificuldade de acesso a aparelhos auditivos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o benefício exista, muitos pacientes desconhecem esse direito ou enfrentam longas filas de espera.

De acordo com dados do Ministério Público de Minas Gerais, uma ação judicial de 2021 revelou que mais de 1.900 pessoas com deficiência auditiva aguardavam há dois anos pela entrega dos dispositivos em Juiz de Fora e região. A Justiça determinou prazo de 180 dias para regularização, sob multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento.

Situação semelhante foi registrada no Tocantins, em 2025, quando um motorista de 58 anos, com perda auditiva grave, esperava há mais de um ano pelo equipamento prescrito. Mesmo após decisão judicial favorável, o fornecimento ainda não havia ocorrido. A Secretaria de Saúde informou, em nota, que “o pedido foi encaminhado à empresa fornecedora, dentro do prazo de entrega”.

Esses casos ilustram o descompasso entre a necessidade e a oferta pública, agravado pela burocracia e pela escassez de profissionais. Em muitos municípios, o processo exige múltiplas avaliações, laudos e revisões técnicas, o que retarda o atendimento e desestimula pacientes.

Quando o direito de ouvir vira privilégio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 477 milhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de perda auditiva, sendo 48 milhões apenas nos Estados Unidos e mais de 10 milhões no Brasil. Projeções indicam que 1 em cada 4 pessoas terá algum tipo de perda auditiva até 2050.

Apesar de 80% dos casos poderem ser tratados com aparelhos auditivos, apenas 1 em cada 4 pessoas que precisam de um utiliza o equipamento. Entre os motivos estão o custo elevado, a falta de informação e, em muitos casos, o receio de fraudes.

A perda auditiva não é apenas um problema físico. Ela está associada a isolamento social, depressão e quadros de demência em idosos. Ainda assim, o tema recebe pouca atenção das políticas públicas. Segundo especialistas ouvidos pela Elementar, a democratização do acesso passa por três pilares fundamentais:

  1. Concorrência real, com marcas diversas e produtos certificados;
  2. Informação clara ao consumidor;
  3. Educação sobre prevenção auditiva, especialmente entre jovens expostos a ruídos e fones de ouvido por longos períodos.

O caminho para uma audição acessível e segura

A ampliação do acesso depende de transparência e educação. Consumidores precisam ser orientados sobre como identificar produtos homologados, verificar registro na Anvisa e desconfiar de promessas milagrosas. Plataformas de comércio eletrônico, por sua vez, têm papel essencial em restringir anúncios de produtos irregulares.

A Elementar ressalta que, quando há concorrência justa e fiscalização efetiva, o mercado tende a se autorregular. Modelos de baixo custo e boa qualidade já estão disponíveis em alguns países, mas enfrentam entraves logísticos e culturais para chegar ao público brasileiro.

Mais do que um problema econômico, trata-se de uma questão de acessibilidade e dignidade. O direito de ouvir e ser ouvido é parte essencial da inclusão social. Com políticas públicas eficazes, informação confiável e responsabilidade das empresas, é possível tornar a audição um direito acessível, e não um privilégio comercializado.

Diante de um mercado cada vez mais concentrado, com relatos de desinformação, preços elevados e falta de fiscalização, como você acredita que o acesso a aparelhos auditivos poderia ser democratizado? Você conhece alguém que já enfrentou dificuldades, golpes ou promessas falsas ao tentar recuperar a audição? Compartilhe sua opinião e experiência nos comentários.

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Alcebiades Bispo dos Santos
Alcebiades Bispo dos Santos
13/11/2025 21:30

Uso o aparelho a mais de 2 anos mas já me tentaram até fazer seguro.Isto e uma máfia.Obrigado pela reportagem,muito boa.

Eliton Vieira Porto
Eliton Vieira Porto
12/11/2025 23:21

Eu moro em Belo Horizonte eu e minha mãe usamos aparelhos Auditivo fomos encaminhados para o programa da prefeitura através do posto de saúde e graças à Deus conseguimos os aparelhos sem custo.
Primeiro passo é pedir no encaminhamento para um Otorrino para avaliação.
Abraço a todos!
Não desista é um direito seu.

Eliza
Eliza
12/11/2025 17:12

Fui diagnosticada com doença de Parkinson há quatro anos. Por mais de dois anos, dependi da levodopa e de vários outros medicamentos, mas, infelizmente, os sintomas continuaram piorando. Os tremores se tornaram mais perceptíveis e meu equilíbrio e mobilidade começaram a declinar rapidamente. No ano passado, por desespero e esperança, decidi experimentar um programa de tratamento à base de ervas da NaturePath Herbal Clinic.
Sinceramente, eu estava cética no início, mas, poucos meses após o início do tratamento, comecei a notar mudanças reais. Meus movimentos ficaram mais suaves, os tremores diminuíram e me senti mais firme ao caminhar. Incrivelmente, também recuperei grande parte da minha energia e confiança. Tem sido uma experiência transformadora. Me sinto mais eu mesma novamente, melhor do que me sentia há anos. Se você ou um ente querido está lutando contra a doença de Parkinson, recomendo muito que você considere a abordagem natural deles. Você pode visitar o site deles em www. naturepathherbalclinic .com

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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