1. Início
  2. Indústria
  3. Gigante inaugura farmácia de R$ 70 milhões que terá 2.000 m², 100 funcionários, estreia em 15 de outubro e mira faturamento anual de R$ 500 milhões em Brasília
Faça um comentário 5 min de leitura

Gigante inaugura farmácia de R$ 70 milhões que terá 2.000 m², 100 funcionários, estreia em 15 de outubro e mira faturamento anual de R$ 500 milhões em Brasília

Imagem de perfil do autor Romário Pereira de Carvalho
Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 02/10/2026 às 09:49 Atualizado em 02/10/2026 às 10:18
Google News
Nova operação farmacêutica de R$ 70 milhões terá 2.000 m², 100 funcionários, estreia em 15 de outubro e mira faturamento anual de R$ 500 milhões
Imagem: Divulgação
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Nova operação terá mais de 2.000 m², quatro salas limpas e mais de 100 funcionários, com foco em medicamentos injetáveis, oncologia e produção sob prescrição para médicos, clínicas, hospitais e planos de saúde no país

A Oura Pharma inaugura em 15 de outubro, em Brasília, uma operação de medicamentos estéreis com investimento de R$ 70 milhões, estrutura superior a 2.000 m² e capacidade voltada a injetáveis de alta complexidade, inclusive tratamentos oncológicos.

Medicamentos estéreis serão produzidos em estrutura com quatro salas limpas

A nova operação chega ao mercado com uma proposta diferente da encontrada nas farmácias de manipulação convencionais.

Em vez de concentrar a produção em cápsulas, cremes e fórmulas comuns, a empresa pretende trabalhar principalmente com medicamentos estéreis e produtos injetáveis.

A unidade foi criada pelos empresários Eilson Studart e Flávia Ribeiro e deverá empregar mais de 100 pessoas.

O investimento de R$ 70 milhões foi direcionado principalmente à estrutura física, sistemas de controle ambiental, equipamentos de produção e tratamento de água.

Segundo Flávia Ribeiro, diretora técnica da companhia, a intenção foi aproximar a estrutura operacional daquela utilizada pela indústria farmacêutica.

“A gente montou uma estrutura muito similar à indústria farmacêutica, que hoje é o nosso maior diferencial”, afirma.

Um dos pontos centrais do projeto são as quatro salas limpas. Esses ambientes são projetados para reduzir o risco de contaminação durante o processo de fabricação e trabalham com controle de temperatura, pressão e filtragem do ar.

A planta conta ainda com sistema HVAC, responsável pelo tratamento e controle da qualidade do ar, além de máquinas de produção, estrutura para fabricação da água utilizada nos medicamentos e mecanismos de rastreabilidade por lote.

A automação também ganhou peso no projeto. Segundo Flávia, uma das preocupações é reduzir a participação humana em determinadas etapas justamente para diminuir possibilidades de contaminação.

“A principal contaminação das grandes farmácias é por pessoas. Então quanto mais máquina a gente tiver, menor o risco de contaminação do produto”, diz.

Oncologia, hormônios e colírios estão entre os produtos previstos na farmácia

A empresa pretende produzir medicamentos sintéticos de maior complexidade. A lista apresentada pelos sócios inclui hormônios, implantes, colírios, vitaminas, minerais, medicamentos veterinários e terapias utilizadas na oncologia.

Entre os produtos mencionados está a ciclofosfamida, medicamento utilizado em tratamentos contra o câncer de mama. Segundo Eilson Studart, a companhia pretende produzir esse tipo de medicamento dentro da nova estrutura.

A estratégia comercial é ocupar uma faixa entre as farmácias de manipulação convencionais e as grandes indústrias farmacêuticas.

Para Flávia Ribeiro, essa diferença está justamente na capacidade de trabalhar com produtos que exigem uma estrutura mais complexa.

“Hoje quem trabalha com medicamentos de alta complexidade são as indústrias. A gente já nasce diferente porque não tem esse concorrente hoje no mercado”, afirma.

A presença de quatro salas limpas também deverá permitir que diferentes tipos de produtos sejam manipulados em ambientes independentes. Segundo os responsáveis pelo empreendimento, muitas operações de manipulação estéril trabalham com apenas uma ou duas salas desse tipo.

Apesar da capacidade instalada, a companhia afirma que não poderá simplesmente produzir medicamentos em grande quantidade para formar estoque.

Os produtos serão feitos a partir de demandas médicas e seguindo as regras aplicáveis à manipulação.

“A gente não pode produzir em larga escala sem receita. A gente está preparado para produzir escala, mas a partir de receitas emitidas e seguindo toda a normativa”, afirma Studart.

Operação atenderá médicos, clínicas, hospitais e planos de saúde

O modelo de negócio não terá venda direta ao consumidor final. A Oura Pharma pretende atender médicos, clínicas, hospitais e planos de saúde mediante prescrição.

A estrutura também foi planejada para receber profissionais e clientes. Algumas áreas permitirão visitas e acompanhamento de partes do processo produtivo.

Brasília foi escolhida como sede por causa da localização e da possibilidade de distribuir medicamentos para diferentes regiões do país por transporte aéreo.

A entrega será feita por empresas credenciadas e deverá considerar requisitos específicos de conservação, embalagem e transporte dos medicamentos.

Antes de iniciar a construção da unidade, os sócios também buscaram referências fora do Brasil. Entre as operações visitadas está a Fagron, empresa global do segmento de manipulação farmacêutica, nos Estados Unidos.

O empreendimento junta experiências profissionais diferentes. Flávia Ribeiro já atua no ramo e é fundadora da Quality, rede de farmácias de manipulação convencional em Brasília.

Ela afirma que estudava o mercado de manipulação estéril havia mais de dez anos, mas o tamanho do investimento necessário e a complexidade da operação dificultavam a execução do projeto.

Eilson Studart, por outro lado, vem de outros setores. Ele foi sócio da rede Coco Bambu durante 16 anos e vendeu sua participação em 2024.

Depois, criou a SIX Wowness, rede premium de academias voltada para saúde, performance e longevidade. A aproximação com profissionais médicos, entre eles endocrinologistas e nutrólogos, ajudou a abrir uma nova frente de atuação no setor de saúde.

Oura Pharma projeta faturamento inicial de R$ 10 milhões por mês

As projeções financeiras dos sócios são altas. A expectativa inicial é começar a operação faturando aproximadamente R$ 10 milhões por mês.

Com o aumento do portfólio, principalmente a entrada de novos medicamentos e produtos ligados à oncologia, a projeção apresentada pela empresa passa para uma faixa de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões mensais.

No longo prazo, isso poderia levar a unidade a uma receita de aproximadamente R$ 500 milhões por ano.

Os números, porém, são projeções dos próprios empreendedores e dependem da expansão da operação, do portfólio e da demanda pelos medicamentos produzidos.

A companhia aposta justamente no crescimento da procura por tratamentos personalizados e produtos farmacêuticos de maior complexidade.

Studart afirma que um dos objetivos é ampliar o acesso a determinados medicamentos e encurtar o caminho entre prescrição e fornecimento.

“É um produto que não tem no Brasil. Vai ajudar a baixar o custo das medicações, dar acesso mais rápido ao médico e fazer algo que ninguém está fazendo”, afirma.

A inauguração da unidade está marcada para 15 de outubro. A partir daí, a Oura Pharma inicia sua aposta em um segmento de maior complexidade técnica, com produção sob demanda e foco em medicamentos estéreis destinados ao mercado profissional de saúde.

Informações de Exame e outras fontes.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x