Um detector de metais comprado para criar uma rotina fora de casa levou Erlend Bore a um tesouro arqueológico em Rennesøy, perto de Stavanger, formado por nove pingentes, dez contas e três anéis de ouro produzidos há cerca de 1.500 anos.
Um detector de metais comprado para sair do sofá levou Erlend Bore a encontrar pouco mais de 100 gramas de ouro enterrados em Rennesøy, ilha do município de Stavanger, na Noruega. O achado ocorreu em 2023 e reuniu objetos produzidos por volta do ano 500.
Antes de entender o que tinha nas mãos, o norueguês pensou que os discos dourados fossem moedas de chocolate ou peças de brinquedo. A descoberta, porém, escondia um conjunto arqueológico raro formado por pingentes, contas e anéis.
As informações foram divulgadas em 7 de setembro de 2023 por Universitetet i Stavanger (UiS), universidade norueguesa responsável pelo Museu Arqueológico de Stavanger. Na época, Erlend Bore tinha 51 anos e usava seu primeiro aparelho.
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O detector de metais começou encontrando lixo e uma pequena moeda
Bore comprou o equipamento antes do verão de 2023. Ele desejava procurar objetos, mas sua principal motivação era encontrar um hobby que o fizesse sair mais de casa e abandonar parte do tempo passado no sofá.
As primeiras buscas não produziram nada parecido com um tesouro. Na parte mais baixa do terreno, perto da costa, apareceram pedaços de lixo e uma pequena moeda moderna.

O resultado mudou quando Bore decidiu subir para uma área mais alta. O detector de metais começou a apitar assim que ele chegou ao novo ponto, indicando que havia algum objeto enterrado naquele local.
Peças douradas pareciam moedas de chocolate ou brinquedos
O primeiro objeto retirado da terra fazia parte de um bloco com várias peças parecidas com moedas de ouro. A aparência inesperada levou Bore a imaginar que havia encontrado dinheiro de chocolate ou moedas de brinquedo.
A análise revelou algo muito mais antigo. O conjunto tinha nove pingentes de ouro parecidos com moedas, dez contas de ouro e três anéis, com peso total de pouco mais de 100 gramas.
O achado ocorreu em propriedade privada e com autorização do dono. Bore marcou o ponto, interrompeu a busca e entrou em contato com as autoridades responsáveis pelo patrimônio histórico.
A legislação norueguesa considera propriedade do Estado os objetos anteriores a 1537 e as moedas anteriores a 1650. Esse tipo de descoberta precisa ser entregue, permitindo que especialistas registrem as peças e examinem o terreno.
Bracteatos pareciam moedas, mas eram usados como joias
Universitetet i Stavanger (UiS), universidade norueguesa responsável pelo Museu Arqueológico de Stavanger, registrou que os nove discos eram bracteatos de ouro, e não moedas usadas para comprar ou vender produtos.
Um bracteato é um pingente redondo parecido com uma moeda, produzido para servir como enfeite. Os nove exemplares e as dez contas de ouro provavelmente formavam um colar chamativo, feito por artesãos habilidosos para alguém de posição elevada naquela sociedade.
A raridade não está apenas na idade das peças. Nenhum conjunto semelhante havia sido encontrado na Noruega desde o século XIX, e uma reunião tão grande de bracteatos também é incomum em outras partes da Escandinávia.
Até a divulgação da descoberta, aproximadamente 1.000 bracteatos de ouro já tinham sido encontrados na região escandinava. Mesmo dentro desse grupo, os objetos retirados do solo de Rennesøy apresentam características pouco comuns.
Cavalo ferido aparece em uma forma ainda desconhecida
Sigmund Oehrl, professor do Museu Arqueológico e especialista em bracteatos, identificou nos pingentes um desenho raro de cavalo. A forma encontrada em Rennesøy ainda não havia aparecido da mesma maneira em outros objetos conhecidos.
Muitos bracteatos mostram o deus Odin curando o cavalo doente de Balder, seu filho. Nas peças encontradas por Bore, porém, apenas o cavalo aparece, sem a figura humana que costuma acompanhar a cena.
A língua do animal está para fora, o corpo parece cair e as pernas aparecem torcidas. Esses detalhes indicam um cavalo ferido e ligam a imagem à doença e ao sofrimento, mas também à esperança de cura e de uma nova vida.
Esse significado ajuda a explicar por que os pingentes poderiam funcionar como símbolos de proteção. Para quem os usava, o desenho não era apenas decorativo, pois carregava ideias ligadas à saúde, à renovação e à recuperação.
Tesouro pode ter sido escondido durante uma grave crise
Os pingentes foram produzidos por volta do ano 500, durante o chamado Período das Migrações, nome usado pelos arqueólogos para aquela fase histórica. Muitos grandes depósitos de ouro da Escandinávia foram enterrados perto da metade do século VI.
Håkon Reiersen, professor associado do Museu Arqueológico, relacionou aquele período a colheitas ruins, piora do clima e peste. A grande quantidade de fazendas abandonadas em Rogaland indica que a região pode ter enfrentado dificuldades intensas.

A localização do conjunto e outros achados parecidos permitem duas interpretações. O ouro pode ter sido escondido para ser recuperado depois ou colocado na terra como uma oferenda aos deuses durante um momento de crise.
Não existe uma resposta definitiva sobre quem enterrou as joias ou por qual motivo elas permaneceram no solo. Ainda assim, sua composição revela riqueza, habilidade no trabalho com ouro e crenças preservadas durante aproximadamente 1.500 anos.
Um passatempo simples revelou uma parte rara da história
Erlend Bore procurava uma atividade que o tirasse do sofá e começou encontrando apenas lixo. Pouco depois, seu detector revelou mais de 100 gramas de ouro arqueológico, uma descoberta incomum até para especialistas acostumados a estudar objetos antigos.
O episódio também mostra por que aqueles discos não devem ser apresentados apenas como moedas. Eles eram pingentes de um colar valioso, carregavam símbolos religiosos e podem ter sido enterrados durante um dos períodos mais difíceis vividos naquela região.
Você continuaria procurando depois de encontrar apenas lixo e uma pequena moeda? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta descoberta com quem gosta de arqueologia e histórias de tesouros.
