Enzo Tapetti teve a ideia após conhecer a iniciativa de outra criança durante a pandemia. Com apoio dos pais e de compradores, preparou os sucos, arrecadou a quantia estabelecida e pediu para levar pessoalmente o dinheiro ao Hospital Bom Samaritano, em Artur Nogueira.
Uma mesa, uma cadeira, jarras de suco e um cartaz foram suficientes para Enzo Tapetti colocar em prática, aos 6 anos, uma ideia de arrecadação em frente à casa da família, em Artur Nogueira, no interior de São Paulo.
A iniciativa ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Enzo queria colaborar com pacientes atendidos na cidade e decidiu transformar os sucos que já costumava preparar em casa em uma forma de arrecadar recursos para o Hospital Bom Samaritano.
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A ideia surgiu depois que o garoto assistiu pela televisão à história de outra criança que levantava dinheiro para ajudar pacientes com coronavírus. A mãe, Marina Tapetti, relatou ao Só Notícia Boa que o filho quis realizar uma iniciativa semelhante.
Enzo escreveu um cartaz para explicar o objetivo da campanha, separou uma mesa e uma cadeira e organizou a banca diante da residência. Os sucos eram preparados pelo próprio menino, que atendia os compradores acompanhado pela mãe.
Cada copo custava R$ 2, com opções como uva, maracujá e limão. A banca funcionava no período da tarde, depois dos compromissos escolares, e recebia vizinhos, conhecidos e outras pessoas que passavam pelo local.
Como as vendas aconteceram durante as restrições sanitárias daquele período, Enzo utilizava máscara enquanto atendia. A presença da mãe também fazia parte da rotina da banca durante as horas em que o garoto permanecia no local.
Três dias para alcançar os R$ 100
Enzo estabeleceu como objetivo reunir R$ 100 e relacionou a arrecadação à compra de respiradores, equipamentos utilizados no atendimento de pacientes em estado grave. Para alcançar a quantia, manteve a venda dos sucos durante três dias.
O resultado não veio exclusivamente dos copos comercializados. Marina explicou que familiares ajudaram a completar o valor, chamaram amigos para participar e deram dinheiro a algumas crianças para que elas também pudessem comprar os sucos oferecidos pelo menino.
Alguns compradores contribuíram com quantias superiores ao preço estabelecido. Assim, os R$ 100 reuniram dinheiro obtido diretamente com as vendas e valores adicionais de pessoas que decidiram apoiar a arrecadação.
O Diario de Pernambuco informou que a quantia seria incorporada aos recursos destinados à compra de respiradores pelo hospital. O valor, portanto, representava uma contribuição para essa finalidade e não o pagamento integral de um equipamento.
Essa distinção também delimita o alcance da iniciativa. Enzo havia associado sua meta ao desejo de ajudar na aquisição de um respirador, enquanto o dinheiro entregue seria somado aos recursos reunidos pela instituição para a compra desses aparelhos.
A participação da família foi determinante para que a meta fosse atingida. A própria mãe esclareceu que apenas parte dos R$ 100 veio das vendas, enquanto o restante foi completado com o apoio de familiares e de pessoas mobilizadas pela campanha.
Menino pediu para entregar a doação pessoalmente
Depois de atingir a quantia planejada, Enzo não quis apenas entregar o dinheiro aos pais para que eles fizessem o repasse. O garoto pediu à mãe que pudesse levar pessoalmente a arrecadação ao Hospital Bom Samaritano.
A família entrou em contato com a instituição e explicou como o dinheiro havia sido obtido. A direção aceitou receber o menino e organizou uma visita para que ele pudesse fazer a entrega diretamente no hospital escolhido desde o início da campanha.
Enzo foi recebido pelo presidente da instituição, Zildomar Deucher. Durante a passagem pela unidade, conheceu uma ambulância, teve contato com profissionais do hospital e viu de perto um respirador, o tipo de equipamento que havia motivado sua arrecadação.
Os R$ 100 foram entregues diretamente à direção do Hospital Bom Samaritano. A quantia passou a integrar os recursos relacionados à aquisição de respiradores, conforme informado nas reportagens que registraram a iniciativa na época.
Durante os três dias de funcionamento, a banca manteve uma estrutura doméstica. Enzo preparava os sucos, utilizava o cartaz para informar a finalidade da venda e permanecia acompanhado pela mãe enquanto atendia quem se aproximava para comprar ou contribuir.
O horário escolhido também respeitava os compromissos escolares do garoto. As vendas aconteciam à tarde e eram retomadas no dia seguinte, até que a soma das compras e das contribuições alcançasse a meta estabelecida.
Na visita ao hospital, Deucher também conversou com Enzo sobre a experiência e chegou a incentivá-lo a considerar a medicina no futuro. O presidente disse que gostaria de vê-lo trabalhando no próprio Hospital Bom Samaritano quando fosse adulto.
