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Nike anuncia novos cortes de empregos após vendas caírem 26% na China e amplia reestruturação global

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Escrito por Ana Alice Publicado em 01/10/2026 às 23:54
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Nike anuncia novos cortes de empregos após queda de 26% nas vendas na China e amplia reestruturação para reduzir custos e despesas. - Imagem: Ilustrativa
Nike anuncia novos cortes de empregos após queda de 26% nas vendas na China e amplia reestruturação para reduzir custos e despesas. – Imagem: Ilustrativa
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A Nike aprofundou sua reestruturação após novo recuo nas vendas, com cortes de empregos, mudanças regionais e uma meta bilionária de economia enquanto tenta recuperar espaço em mercados estratégicos, especialmente na China.

A Nike anunciou nesta quinta-feira (01) uma nova etapa de sua reestruturação global, que inclui cortes de empregos, redução da estrutura operacional e reorganização de mercados.

A decisão ocorre após a empresa registrar nova queda nas receitas e enfrentar uma deterioração particularmente forte dos negócios na China.

Na chamada Grande China, que inclui China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan, as vendas da marca Nike recuaram 26% em base cambial neutra no primeiro trimestre fiscal de 2027.

Considerando os valores reportados, a queda foi de 22%, para US$ 1,18 bilhão, ante US$ 1,51 bilhão no mesmo período do ano anterior.

Segundo o Wall Street Journal, a fabricante de artigos esportivos pretende operar com uma estrutura menor, eliminar postos de trabalho e consolidar operações regionais como parte de um esforço para recuperar crescimento e reduzir despesas.

A empresa atravessa dois trimestres consecutivos de queda na receita e prevê nova retração no atual ano fiscal.

A reformulação acontece pouco mais de dois anos depois de Elliott Hill retornar à Nike, desta vez como presidente e CEO.

O executivo tenta recuperar a força de marcas como Nike Sportswear e Jordan, além de enfrentar uma concorrência crescente em mercados onde a companhia dominou por anos.

Vendas da Nike caem para US$ 11,2 bilhões

Os resultados divulgados pela própria Nike mostram a dimensão do desafio.

A receita global da companhia ficou em US$ 11,2 bilhões no trimestre encerrado em 31 de agosto, uma queda de 4% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em base cambial neutra, o recuo foi de 5%.

A receita da marca Nike também caiu 4%, enquanto as vendas realizadas diretamente ao consumidor recuaram 8%, para US$ 4,1 bilhões.

O comércio digital foi um dos pontos de maior pressão. As receitas digitais da marca diminuíram 13%, enquanto as vendas nas lojas próprias tiveram redução de 5%.

A Converse, controlada pela companhia, apresentou desempenho ainda mais fraco. Sua receita caiu 28%, para US$ 263 milhões, com retrações registradas em todas as regiões acompanhadas pela empresa.

Apesar da queda nas vendas, o lucro líquido da Nike apresentou uma redução menor. O resultado ficou em US$ 712 milhões, ante US$ 727 milhões no mesmo trimestre de 2025, recuo de 2%.

A margem bruta, por outro lado, avançou para 42,8%, favorecida principalmente pela redução de custos de armazenagem e logística.

China se torna um dos maiores desafios da empresa

A situação na China preocupa a Nike há vários trimestres.

No período mais recente, calçados da marca tiveram queda de 26% nas vendas em base cambial neutra na Grande China. Vestuário recuou 27% pelo mesmo critério, enquanto equipamentos registraram redução de 18%.

O desempenho reforça uma perda de força que não começou neste trimestre.

Segundo o Wall Street Journal, as receitas da Nike na China e em Taiwan recuaram perto de 30% ao longo dos últimos cinco anos.

A companhia também passou a enfrentar concorrência mais intensa de marcas locais, principalmente Anta e Li-Ning, que ganharam espaço entre consumidores chineses.

A Nike tenta reagir mudando sua estratégia no país.

Entre as medidas estão uma redução da dependência de plataformas terceirizadas de comércio eletrônico, expansão do desenvolvimento local de produtos e maior atenção a esportes e tendências que ganharam popularidade entre consumidores chineses.

A empresa também busca diminuir descontos excessivos e recuperar uma imagem mais premium no mercado.

A missão está sob comando de Cathy Sparks, executiva com três décadas de experiência na Nike que passou a liderar a operação chinesa em 2026.

Loja da Nike em Pequim, na China. O mercado chinês se tornou um dos principais desafios da companhia durante sua atual reestruturação. Crédito: Nike / Divulgação
Loja da Nike em Pequim, na China. O mercado chinês se tornou um dos principais desafios da companhia durante sua atual reestruturação. Crédito: Nike / Divulgação

Reestruturação prevê novos cortes de empregos

A resposta da Nike não ficará limitada a produtos e marketing.

A companhia anunciou o Pace, novo modelo operacional que amplia um programa de redução de custos iniciado em março deste ano.

O plano prevê mudanças na cadeia de suprimentos global, reorganização administrativa e uma estrutura dividida em três grandes regiões.

Na prática, isso significa uma empresa mais enxuta.

Segundo o Wall Street Journal, a Nike pretende realizar novos cortes de empregos durante a reorganização. A companhia já havia eliminado quase 2,2 mil postos anteriormente em 2026, de acordo com o jornal.

A Nike não detalhou nesta divulgação quantos funcionários serão afetados pela próxima etapa.

O comunicado financeiro, entretanto, deixa claro que parte relevante dos custos da reestruturação estará relacionada aos trabalhadores.

A empresa prevê cerca de US$ 1 bilhão em encargos antes de impostos até 2031, principalmente relacionados a despesas com funcionários.

Esse valor se soma a aproximadamente US$ 300 milhões em custos de desligamentos já reconhecidos no ano fiscal de 2026.

Somente no atual ano fiscal, a expectativa é reconhecer aproximadamente US$ 300 milhões em despesas vinculadas ao programa.

Sede mundial da Nike em Beaverton, no Oregon. A companhia anunciou uma nova reorganização global que prevê redução de estrutura e novos cortes de empregos. Crédito: Coolcaesar / Wikimedia Commons
Sede mundial da Nike em Beaverton, no Oregon. A companhia anunciou uma nova reorganização global que prevê redução de estrutura e novos cortes de empregos. Crédito: Coolcaesar / Wikimedia Commons

Nike pretende economizar US$ 2,5 bilhões

A contrapartida esperada para a reorganização é uma redução significativa das despesas.

A Nike estima que o programa Pace poderá gerar aproximadamente US$ 2,5 bilhões em economias acumuladas até o ano fiscal de 2031.

O plano inclui modernização da cadeia global de fornecimento, redução de estruturas administrativas e maior concentração das operações.

A companhia também pretende estabelecer um novo campus na Índia para ampliar capacidades internas e apoiar atividades globais.

Parte da estratégia consiste em direcionar recursos para áreas que a administração considera mais importantes para recuperar crescimento, em vez de manter estruturas desenvolvidas durante períodos de expansão mais acelerada.

A redução de custos acontece enquanto a Nike aumenta investimentos em determinadas áreas de marketing.

No primeiro trimestre fiscal, as despesas de criação de demanda chegaram a US$ 1,3 bilhão, alta de 5%, refletindo investimentos maiores em eventos esportivos importantes.

Empresa prevê nova queda na receita

A administração ainda não espera uma recuperação rápida.

Para o ano fiscal de 2027, que termina em maio do próximo ano, a Nike prevê que sua receita apresente uma queda percentual na faixa alta de um dígito.

A projeção indica que as medidas de recuperação ainda precisarão de tempo para aparecer nos resultados.

Nos Estados Unidos, maior mercado da empresa, o desempenho foi mais resistente. A receita da marca Nike na América do Norte avançou 2% no trimestre, chegando a US$ 5,13 bilhões.

Europa, Oriente Médio e África tiveram cenário diferente, com redução de 5%.

Na região Ásia-Pacífico e América Latina, a receita ficou praticamente estável em base cambial neutra.

O contraste reforça o peso da China na atual estratégia. A empresa precisa recuperar parte do espaço perdido naquele mercado sem comprometer as regiões que continuam apresentando desempenho mais estável.

Nike tenta recuperar força de marcas tradicionais

A reorganização também passa pelo portfólio de produtos.

Elliott Hill afirmou na divulgação dos resultados que a empresa ainda precisa avançar em Nike Sportswear, Jordan Brand e Grande China.

A estratégia chamada Sport Offense vem sendo utilizada para concentrar investimentos em modalidades consideradas prioritárias.

Um dos desafios é renovar linhas tradicionais sem perder consumidores que ajudaram a transformar modelos como Air Force 1 e produtos da Jordan em fenômenos globais.

Ao mesmo tempo, concorrentes locais e internacionais vêm aumentando a pressão em categorias como corrida, moda esportiva e calçados casuais.

A nova estrutura da Nike tenta responder a esses problemas ao mesmo tempo: cortar custos, reduzir estruturas internas, acelerar o desenvolvimento de produtos e recuperar relevância em mercados importantes.

O resultado mais recente mostra que essa recuperação ainda está em andamento.

A empresa encerrou o trimestre com US$ 11,2 bilhões em receitas, enquanto o mercado chinês apresentou uma das quedas mais acentuadas entre todas as regiões.

Com novos cortes de empregos previstos e uma meta de US$ 2,5 bilhões em economias até 2031, a Nike entra agora em uma etapa mais profunda de sua reorganização enquanto tenta voltar a crescer e recuperar espaço diante dos concorrentes.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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