O mercado de trabalho brasileiro encerrou agosto com desemprego em nível historicamente baixo, recorde de pessoas ocupadas e avanço da renda, enquanto a informalidade e o aumento da inadimplência revelam desafios ainda presentes na economia.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, o menor nível para esse período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
Ao mesmo tempo, o número de pessoas trabalhando chegou a 103,5 milhões, estabelecendo um novo recorde, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (29).
O levantamento considera o trimestre móvel formado por junho, julho e agosto. Na comparação com o período de março a maio, quando o desemprego estava em 5,6%, houve recuo de 0,3 ponto percentual.
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A população desempregada foi estimada em 5,8 milhões de pessoas, cerca de 281 mil a menos que no trimestre anterior. Já a população ocupada avançou 0,8% em três meses, com aproximadamente 774 mil trabalhadores adicionais.
Brasil chega a 103,5 milhões de pessoas trabalhando
O recorde de ocupação é um dos principais destaques da pesquisa.
Com 103,5 milhões de brasileiros ocupados, o país alcançou o maior contingente desde que a Pnad Contínua começou a produzir a atual série histórica, em 2012.
O nível de ocupação, indicador que mostra a parcela das pessoas em idade de trabalhar que efetivamente possuem uma ocupação, ficou em 58,9%.
A expansão, entretanto, não aconteceu de maneira uniforme entre os diferentes setores da economia.
No trimestre encerrado em agosto, a construção registrou crescimento de 4,1% no número de ocupados em relação ao trimestre terminado em maio. Isso representa aproximadamente 306 mil trabalhadores adicionais no setor.
A indústria também avançou. O contingente ocupado na indústria geral cresceu 2%, com cerca de 265 mil pessoas a mais trabalhando.
Nos demais grandes grupos de atividades acompanhados pelo IBGE, não foram registradas variações estatisticamente significativas no período.
Na comparação anual, transporte, armazenagem e correio também se destacaram, com aumento de 6,1% na ocupação, correspondente a aproximadamente 358 mil trabalhadores.
Emprego com carteira permanece em nível recorde
O número de trabalhadores empregados no setor privado com carteira assinada, sem considerar empregados domésticos, chegou a 39,5 milhões.
Esse é o maior contingente da série histórica do IBGE, embora o número tenha permanecido estatisticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2025.
Entre os trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, o total ficou em 13,7 milhões.
Já o número de pessoas trabalhando por conta própria foi estimado em 26,1 milhões, enquanto o trabalho doméstico reuniu aproximadamente 5,5 milhões de pessoas.
Outro indicador que chegou ao maior nível da série foi a força de trabalho, formada pela soma das pessoas ocupadas com aquelas que estavam procurando emprego.
Entre junho e agosto, esse contingente alcançou 109,3 milhões de brasileiros.
Na comparação com o trimestre terminado em maio, houve crescimento de 0,5%, equivalente à entrada de aproximadamente 493 mil pessoas na força de trabalho.
Informalidade ainda reúne quase 39 milhões de trabalhadores
Os recordes de ocupação e emprego formal convivem com um mercado no qual a informalidade continua tendo peso elevado.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, correspondendo a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores.
No trimestre encerrado em maio, a proporção havia sido de 37,3%, com cerca de 38,3 milhões de pessoas nessa condição.
Apesar do crescimento no número absoluto de informais na comparação trimestral, a proporção ficou abaixo da registrada no mesmo período de 2025, quando a informalidade atingia 38% da população ocupada.
Esse universo reúne diferentes formas de trabalho sem vínculos formais, incluindo empregados sem carteira e parte dos trabalhadores por conta própria.
Por outro lado, o número de pessoas desalentadas, ou seja, aquelas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de procurar emprego por diferentes motivos, ficou em 2,4 milhões.
O contingente permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas caiu 11,9% na comparação anual.
Renda média chega a R$ 3.777 e massa salarial bate recorde
A melhora do mercado de trabalho também aparece nos rendimentos.
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 3.777 por mês no trimestre encerrado em agosto.
O valor permaneceu estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou crescimento de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2025.
A massa de rendimento real habitual, que considera o conjunto dos rendimentos recebidos pela população ocupada, alcançou R$ 385,6 bilhões, novo recorde da série histórica.
O montante cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior, adicionando cerca de R$ 5,2 bilhões. Na comparação anual, o avanço chegou a 4,8%, equivalente a aproximadamente R$ 17,5 bilhões.
O resultado reflete uma combinação entre maior número de pessoas trabalhando e crescimento real da renda em parte das atividades econômicas.
Na comparação anual, por exemplo, o rendimento dos trabalhadores da indústria cresceu 4%, enquanto comércio e reparação de veículos tiveram aumento de 4,8%.
Desemprego baixo contrasta com avanço da inadimplência
Os números positivos do mercado de trabalho aparecem, porém, ao lado de outro indicador econômico que avançou em agosto.
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência na carteira total de crédito chegou a 5%, acima dos 4,9% registrados em julho.
O percentual considera operações com parcelas atrasadas há mais de 90 dias e representa o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência chegou a 6%.
Ao mesmo tempo, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas alcançou 61,7% ao ano em agosto, mantendo o custo do financiamento elevado para as famílias.
O cenário mostra duas faces da economia brasileira. De um lado, o país mantém desemprego em nível historicamente baixo, número recorde de trabalhadores e expansão da massa de renda.
Do outro, famílias ainda convivem com crédito caro e maior dificuldade para manter pagamentos em dia.
Ao fim de agosto, a Pnad Contínua registrava uma combinação inédita dentro da atual série estatística: 103,5 milhões de pessoas ocupadas, 39,5 milhões de empregados formais no setor privado e uma massa de rendimentos de R$ 385,6 bilhões.

