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Navio que saiu da Antártica cruza o oceano e chega ao Brasil trazendo uma história pouco conhecida sobre 624.918 toneladas capturadas, gigantes migratórios e um pequeno crustáceo que virou alvo de disputa internacional

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 07/07/2026 às 14:20
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Navio que saiu da Antártica chega ao Brasil e revela como a pesca de krill pode afetar baleias, pinguins e o equilíbrio da vida marinha.
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Vindo de uma operação internacional na Antártica, o navio Bandero levou a Ilhabela um debate pouco visível sobre pesca industrial, migração de baleias e conservação marinha, conectando visitantes brasileiros ao krill, aos pinguins, às focas e aos gigantes que cruzam oceanos.

Depois de participar da operação internacional Krill Wars, realizada na Antártica contra a pesca industrial de krill, o navio Bandero, da Captain Paul Watson Foundation, chegou ao Brasil e ficou ancorado em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.

Entre abril e maio deste ano, a embarcação recebeu visitação pública organizada pela Sea Shepherd Brasil, aproximando moradores, estudantes e turistas de um tema ambiental que costuma ser associado apenas às regiões geladas do planeta.

Pequeno em tamanho, mas central para o equilíbrio do Oceano Antártico, o krill sustenta parte da cadeia alimentar marinha e serve de alimento para baleias, pinguins, focas e outras espécies que dependem desse recurso para sobreviver.

Durante a Krill Wars, a tripulação do Bandero atuou contra embarcações ligadas à pesca de krill em águas antárticas, em ações descritas pela organização como intervenções diretas diante de uma cadeia pesqueira de grande porte.

Em uma dessas ocorrências, segundo a entidade, a ação durou mais de cinco horas em alto-mar, num cenário que colocou uma embarcação de conservação diante de navios industriais voltados à captura do crustáceo.

Krill liga a Antártica ao litoral brasileiro

Navio que saiu da Antártica chega ao Brasil e revela como a pesca de krill pode afetar baleias, pinguins e o equilíbrio da vida marinha.
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Mais do que uma escala marítima, a presença do Bandero em Ilhabela reforçou a relação entre a Antártica e a costa brasileira, já que baleias vistas no país percorrem milhares de quilômetros depois de se alimentar no extremo sul do planeta.

Antes de alcançar áreas de reprodução e passagem ao longo do litoral, esses animais acumulam energia em regiões frias onde o krill tem papel decisivo, o que torna a pesca antártica um tema ligado também à observação de baleias no Brasil.

Por essa razão, uma discussão aparentemente distante, concentrada no Oceano Antártico, pode se conectar a espécies conhecidas por moradores e visitantes de cidades costeiras brasileiras, especialmente durante períodos de deslocamento desses grandes mamíferos marinhos.

Ilhabela também aparece nesse contexto como ponto de observação e pesquisa sobre baleias no litoral paulista, com registros que ajudam a aproximar a conservação oceânica de uma região conhecida pelo turismo e pela presença de fauna marinha.

A Sea Shepherd Brasil cita estudos conduzidos pela bióloga Mia Morete, fundadora do VIVA Instituto Verde Azul, que apontam registros de jubartes juvenis com condição corporal abaixo do esperado na região de Ilhabela.

Além da condição física desses animais, as observações mencionadas pela organização indicam sinais de alimentação em áreas normalmente associadas à reprodução, comportamento tratado como indício relevante, mas não como explicação única para mudanças ambientais ou migratórias.

Pesca de krill movimenta indústria internacional

Navio que saiu da Antártica chega ao Brasil e revela como a pesca de krill pode afetar baleias, pinguins e o equilíbrio da vida marinha.
Navio que saiu da Antártica chega ao Brasil e revela como a pesca de krill pode afetar baleias, pinguins e o equilíbrio da vida marinha.

No Oceano Antártico, a pesca de krill é acompanhada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos, conhecida pela sigla em inglês CCAMLR, responsável por monitorar capturas e medidas relacionadas aos recursos marinhos da região.

Segundo informações do órgão, a atividade ocorre principalmente nas subáreas 48.1 a 48.4, com embarcações que utilizam redes de arrasto em meia água e sistemas contínuos de pesca voltados à captura do pequeno crustáceo.

Dados da comissão mostram que a captura de krill na Área 48 chegou a 624.918 toneladas, volume superior ao registro anterior, de 498.350 toneladas, e acompanhado com preocupação por entidades ambientalistas.

Esse aumento reforçou alertas sobre a concentração da atividade em áreas sensíveis do ecossistema antártico, sobretudo porque o krill sustenta espécies que dependem diretamente dele para alimentação, reprodução e manutenção de energia ao longo do ano.

De acordo com a Sea Shepherd Brasil, a cota anual de 620 mil toneladas foi atingida antes do prazo em 2025, após mudanças relacionadas à distribuição espacial das capturas durante a temporada de pesca.

Além do impacto ecológico, o crustáceo tem importância econômica para diferentes cadeias produtivas, pois é usado como insumo na ração da indústria do salmão e na produção de cápsulas de suplementos alimentares.

Visitação transformou o navio em sala de aula

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Durante o período ancorado em Ilhabela, o Bandero recebeu visitantes em dias definidos, com acesso a áreas da embarcação, explicações sobre as operações no mar e informações sobre conservação oceânica, pesca industrial e migração de baleias.

A programação incluiu turmas das redes municipais de Ilhabela e São Sebastião, além do público interessado em entender como um pequeno organismo antártico pode influenciar a vida de animais observados também no litoral brasileiro.

Ao transformar o navio em espaço de visitação, a Sea Shepherd Brasil levou para perto do público um tema normalmente restrito a relatórios científicos, reuniões internacionais e imagens de regiões polares pouco acessíveis à maior parte da população.

O interesse pela embarcação nasceu da combinação de elementos pouco comuns em uma mesma pauta: operação internacional, ilha turística brasileira, baleias migratórias, pinguins, focas e um crustáceo pequeno, mas decisivo para parte da vida marinha.

Sem encerrar o debate sobre a pesca de krill, a passagem do Bandero por Ilhabela tornou mais visível uma cadeia de dependência que começa nas águas geladas da Antártica e alcança espécies observadas no litoral brasileiro.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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