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Astronautas que voltaram do espaço desenvolveram pedras nos rins, remodelaram túbulos renais e mostram risco que pode inviabilizar a ida humana a Marte

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/04/2026 às 13:38
Atualizado em 22/04/2026 às 13:43
Assista o vídeoExposição ao espaço altera rins, aumenta risco de pedras e pode limitar missões a Marte, aponta estudo com dados de astronautas e simulações.
Exposição ao espaço altera rins, aumenta risco de pedras e pode limitar missões a Marte, aponta estudo com dados de astronautas e simulações.
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Exposição prolongada ao espaço altera estrutura dos rins, eleva risco de cálculos e coloca a função renal no centro dos desafios médicos para missões a Marte, com impacto potencial direto na segurança e na autonomia de astronautas em viagens de longa duração.

A possibilidade de uma missão tripulada a Marte esbarra em um problema que, até pouco tempo, ficava fora do foco principal da medicina espacial: os rins.

Dados analisados por pesquisadores ligados à NASA indicam que a permanência prolongada no espaço eleva o risco de pedras nos rins, altera a estrutura do órgão e pode comprometer sua função, sobretudo sob exposição à radiação cósmica de missões além da órbita baixa da Terra.

Rim no centro do risco espacial

O alerta ganhou peso após uma análise integrada de 25 conjuntos de dados com informações de humanos, camundongos e ambientes simulados de voo espacial.

Em vez de observar sinais isolados, os pesquisadores reuniram evidências biomoleculares, fisiológicas e morfológicas e encontraram um padrão consistente de remodelação renal, com mudanças que ultrapassam o efeito já conhecido da perda óssea e do aumento de cálcio eliminado na urina.

Esse ponto muda a forma de interpretar o risco.

Durante anos, a explicação dominante para a maior chance de cálculos renais em astronautas se concentrava na microgravidade, que favorece a desmineralização óssea e, por consequência, aumenta a carga de cálcio no sistema urinário.

Exposição ao espaço altera rins, aumenta risco de pedras e pode limitar missões a Marte, aponta estudo com dados de astronautas e simulações.
Exposição ao espaço altera rins, aumenta risco de pedras e pode limitar missões a Marte, aponta estudo com dados de astronautas e simulações.

O estudo mais recente, porém, sustenta que o próprio rim também sofre alterações diretas no processamento de sais, o que ajuda a explicar por que a formação de pedras não depende apenas da perda de massa óssea.

Alterações estruturais nos túbulos renais

Em termos práticos, a mudança é relevante porque desloca a discussão de um desequilíbrio passageiro para um possível limite fisiológico da exploração humana no espaço profundo.

Quando a arquitetura renal se modifica, o impacto potencial não fica restrito a um episódio doloroso de cálculo urinário, mas alcança funções decisivas para a manutenção da vida.

Os achados indicam que a remodelação atinge especialmente os túbulos renais, estruturas responsáveis pelo ajuste fino de cálcio, sódio e outros compostos essenciais.

Na descrição do estudo, houve expansão do tamanho do túbulo contorcido distal, acompanhada por perda da densidade tubular global, um sinal de reorganização do néfron que reforça a percepção de que o rim responde ao ambiente espacial de maneira mais profunda do que se imaginava.

Microgravidade e radiação ampliam os danos

A microgravidade continua no centro desse processo porque altera a distribuição de fluidos, reduz a carga mecânica habitual do corpo e modifica a forma como substâncias circulam e são eliminadas.

Ainda assim, os pesquisadores apontam que a ausência de gravidade não esgota o problema.

Em viagens longas, longe da proteção oferecida pelo campo magnético terrestre, a radiação cósmica galáctica passa a compor um segundo fator de risco.

Foi justamente nesse cenário de espaço profundo que o quadro se tornou mais preocupante.

Em simulações com doses equivalentes às de uma viagem de ida e volta a Marte, os rins de camundongos expostos à radiação cósmica galáctica apresentaram dano permanente e disfunção.

Impacto direto na viabilidade de missões a Marte

A preocupação operacional decorre do contexto em que uma emergência desse tipo ocorreria.

Em missões na órbita baixa da Terra, há margem maior para retorno antecipado, apoio médico estruturado e resposta relativamente rápida.

Já em uma jornada para Marte, um episódio incapacitante de cálculo renal, associado a dano progressivo do órgão, teria de ser enfrentado com recursos limitados, grande distância da Terra e impossibilidade de evacuação imediata.

O cenário amplia o risco tanto para o tripulante quanto para toda a missão.

Função silenciosa, impacto sistêmico

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A importância do tema cresce porque os rins participam de processos silenciosos, porém centrais, para o funcionamento do corpo.

São eles que ajustam a quantidade de água no organismo, regulam a concentração de sais minerais, eliminam produtos tóxicos do metabolismo e influenciam mecanismos ligados à pressão arterial, à atividade muscular e à condução nervosa.

Qualquer perda de eficiência nessas tarefas afeta diretamente a autonomia e o desempenho da tripulação.

Ao mesmo tempo, o avanço desse debate mostra como a medicina espacial vem ampliando o mapa de riscos além dos problemas mais lembrados pelo público.

Esses fatores seguem relevantes, mas a ênfase recente sobre os rins revela que a adaptação ao espaço envolve sistemas menos visíveis e igualmente decisivos.

A própria NASA já trata a formação de pedras nos rins como ameaça concreta ao sucesso de missões longas.

O problema não é novo, mas a literatura mais recente elevou o grau de atenção ao conectar o risco de cálculos a alterações estruturais do órgão e à ação da radiação cósmica.

Nesse contexto, o debate sobre Marte deixa de depender apenas de foguetes mais potentes, trajetórias eficientes e sistemas de pouso confiáveis.

A viabilidade de uma missão desse porte também passa pela capacidade de preservar, durante muitos meses, um órgão que trabalha sem alarde, mas cuja falha pode comprometer a estabilidade clínica da tripulação e a execução de tarefas logo após a chegada ao destino.

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Ildefonso antonio da Silva a
Ildefonso antonio da Silva a
25/04/2026 18:48

Se os humanos correm riscos de colonizarem a lua e marte então mandem os robôs treinandos com inteligência artificial.

Eliane
Eliane
25/04/2026 14:34

Todo o nosso corpo, cabeça,tronco e membros e órgãos p ser bem exata, foi preparado para essa gravidade terrena, o ambiente espacial tem outros gases e pressões o qual com certeza vai exigir um esforço de forma alterada do funcionamento humano na terra. É arriscado tantos milhões gastos e tantas pessoas na miséria. Vamos investir em desenvolvimento humano seria bem melhor.

Ricardo.arbid@perfettivanmelle.com
Ricardo.arbid@perfettivanmelle.com
25/04/2026 08:32

A terra tem prazo de validade indepenpendente do que fazemos aqui isso é fato. Claro que isso tudo é feito para preservar a continuidade da raça humana e entende que preservar nosso planeta hoje dará tempo para que estudos façam com que tenhamos tempo para concretizar isso

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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